Crítica | Resgate (Extraction)

Resgate, filme do estreante Sam Hargrave, se destaca pelas cenas de ação impressionantes. Infelizmente o mesmo não pode ser dito do roteiro de Joe Russo, que transforma a produção da Netflix em algo bem genérico. Sobra para o ator Chris Hemsworth compensar com seu carisma e talento, mas seu personagem Tyler Rake também não ajuda muito.

A história de Resgate gira em torno do sequestro do jovem Ovi Mahajan, que é filho de um traficante de drogas indiano. Então o mercenário Tyler Rake é contratado para libertar o garoto. Se o roteiro de Joe Russo seguisse o básico a trama do filme se manteria no básico para entregar cenas de ação. No entanto a narrativa explora os clichês da pior forma possível e desenvolve os personagens de maneira extremamente caricata.

A começar pelo protagonista interpretado por Chris Hemsworth. Logo no início do filme vemos ele pulando de um penhasco para exaltar a sua “loucura”, ou melhor, de ser um homem atormentado pelo seu passado. Sua transição de um mercenário que só pensa em dinheiro para uma pessoa de bom coração que se importa com a vida do jovem Ovi é muito ruim. As cenas de drama entre Tyler e Ovi são constrangedoras e os atores não conseguem construir química entre si. Dessa forma as motivações do protagonista ficam difíceis de serem críveis.

No entanto, o pior personagem é o “vilão” interpretado por Priyanshu Painyuli. Seu Amir Asif é tão caricato que chega constrange, como na cena em que acompanha seus capangas ameaçando crianças.

Na segunda metade do filme o roteiro de Resgate enfrenta ainda mais dificuldade em justificar as ações apresentadas na tela, tendo que “apelar” para mostrar o protagonista entrando em conflito com algumas “crianças malvadas” que ele carinhosamente apelida de “Goonies do inferno”.

É uma pena, já que a obra de Sam Hargrave começa de maneira promissora, com a cena em uma ponte mostrando o protagonista em uma situação complicada, para então retornar a narrativa e mostrar como ele chegou nesse ponto. A apresentação de Ovi também é interessante, mostrando um pouco do seu dia a dia e a relação com Saju Rav, que é um tipo de tutor do garoto, já que o pai dele está na prisão.

É nas cenas de ação que Resgate apresenta as suas qualidades. O momento em que Tyler foge em um carro junto com Ovi é impressionante. São 11 minutos e 30 segundos de pura adrenalina onde o espectador não tem pausa nem para respirar. Filmado para dar a impressão de não ter cortes, em um longo plano sequência, essa passagem sensibiliza pelo primor técnico. A fotografia é excelente com o uso de planos fechados para aumentar a sensação de claustrofobia e urgência do que é apresentado na tela.

Resgate também tem como ponto positivo o fato de se passar na Índia, dessa forma colocando atores do país no elenco. Isso é importante do ponto de vista da diversidade, mas é uma pena que os personagens sejam retratados de maneira caricata. A obra de Sam Hargrave se salva de ser apenas um filme de ação genérico graças ao primor técnico dos momentos de aventura, que realmente impressionam, uma vez que o roteiro tem diversos problemas.


Uma frase: – Gaspar: “Aquele garoto é um cadáver ambulante.”

Uma cena: A fuga de carro que se estende até um prédio.

Uma curiosidade: O filme foi filmado na cidade Ahmedabad, na Índia, e o público ficou enlouquecido para ver Chris Hemsworth. Muitos fãs ficaram no set de filmagens por até 15 horas para conseguir ter um vislumbre do ator.


Resgate (Extraction)

Direção: Sam Hargrave
Roteiro:
Joe Russo, história de Ande Parks, Joe Russo e Anthony Russo
Elenco: Chris Hemsworth, Rudhraksh Jaiswal, Randeep Hooda, Golshifteh Farahani, Pankaj Tripathi, Priyanshu Painyuli e David Harbour
Gênero: Ação, Crime, Thriller
Ano: 2020
Duração: 117 minutos

2 thoughts on “Crítica | Resgate (Extraction)”

  1. Ramon good vibes voltou.
    Dois bacons tava muito bem pago para esse filme, sério mesmo. Vá lá que tem essas cenas mais empolgantes e impressionantes do ponto de vista técnico, mas como filme mesmo eu achei bem fraco.

  2. O mais bacana em “Resgate” são alguns movimentos e posicionamentos de câmera em algumas das cenas de perseguição. No mais, estamos diante de um filme bem clichê sobre um tema bastante batido no cinema.

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