Game Review | 007 First Light

Game Review | 007 First Light

“007 First Light” levou a sério a experiência para o jogador experimentar a sensação de estar dentro de um filme do agente James Bond. A IO Interactive investiu até mesmo em uma canção tema para o game interpretada pela cantora Lana Del Rey, composta por ela e David Arnold, que compôs canções para três filmes e a trilha para cinco filmes de 007.

Seguindo o formato dos filmes, temos um ato inicial que serve para o jogador ser apresentado a como funciona a jogabilidade de “First Light” e, em seguida, um clipe com a apresentação da música tema. A imersão dentro do universo de James Bond é impressionante.

A história apresenta um James Bond jovem e novato dentro da MI6. Após sucesso em improvisar em uma missão sabotada, ele consegue uma vaga para o treinamento em um novo programa do governo que lhe garantirá o status 00 e uma licença para matar. Por meio desse treinamento, “First Light” realmente apresenta toda a mecânica.

Quem jogou algum jogo da série Hitman sentirá algumas semelhanças, pois a mecânica básica segue o mesmo estilo. Para quem nunca jogou, basicamente é um jogo de tiro em terceira pessoa em que o modo furtivo (stealth) é importante. Ou seja, nem sempre sair atirando é a melhor opção.

O interessante é que cada missão tem um formato diferente de ser resolvida. Temos a exploração de cenários onde um objetivo precisa ser cumprido, mas a forma de cumprir depende da improvisação do jogador.

Por exemplo, em determinada fase é preciso encontrar uma maneira de entrar em uma casa onde está acontecendo um evento, só que James não tem convite. Então você pode tentar furtar o convite de alguém ou usar os gadgets de 007 para enganar os funcionários do local para entrar sem ser percebido. Nem sempre dá para resolver tudo na bala, ainda mais porque Bond tem um código de ética, assim o jogo avisa e libera o uso de armas quando é possível.

Outra estratégia é usar o blefe, isto é, uma boa lábia. Algo que com certeza é bem digno de James Bond. Mas não é possível usar a qualquer momento, pois há um limite de uso. E nem sempre funciona, sendo necessário analisar bem a situação.

Quando chega a hora do combate, “First Light” apresenta altos e baixos. A parte furtiva funciona bem, mas algumas fases possuem inimigos demais, então é difícil conseguir ficar despercebido até o final. Outros cenários não têm opção de stealth, aí o jeito é partir para a troca de tiros ou combate corpo a corpo.

Os tiros têm um problema em relação à mira, que é bem pequena, o que dificulta um pouco ter uma boa pontaria. Com alguns ajustes nas configurações do game, é possível dar uma amenizada nessa questão. James não consegue carregar muitas armas e munição, então é necessário sempre buscar mais. Isso cria um bom desafio para o “First Light”. O problema é quando tem muitos inimigos e poucas armas, aí uma opção pode ser improvisar, isto é, sair correndo e fugir. Muitas vezes o melhor combate é a fuga. E esqueça o realismo, pois muitas vezes Bond leva vários tiros antes de morrer, mas isso é algo comum nesse tipo de jogo.

No entanto, para quem gosta de conquistar todos os troféus, “First Light” oferece alguns desafios na resolução de cada fase. Então você pode escolher improvisar e fazer do seu jeito, ou tentar cumprir os requisitos propostos para ganhar o troféu. Após cumprir uma missão, é possível retornar nela depois. Uma boa opção é fazer da sua maneira e, se quiser, depois voltar para fazer tudo que é pedido.

Na parte do corpo a corpo é onde a jogabilidade apresenta alguns problemas. A movimentação do personagem nem sempre é muito fluida ou intuitiva. Assim, em alguns momentos a luta fica um pouco confusa, principalmente por conta da movimentação da câmera. Pelo menos nesse sentido, “First Light” faz com que os combates sejam desafiadores, pois não basta partir para o ataque, é preciso encontrar o equilíbrio junto com a defesa. Além disso, em algumas fases é necessário fazer algo diferente para conseguir derrotar o adversário e descobrir como realizar faz parte da diversão do game.

Na parte da história, a evolução de James Bond é muito boa, pois a trama se aprofunda bem no desenvolvimento do protagonista. O ator Patrick Gibson faz um bom trabalho em ser o avatar de 007, principalmente nas cutscenes onde os diálogos e o trabalho de captura de movimentos contribuem para a performance. Durante a construção da narrativa surgem muitos personagens interessantes, sejam vilões ou parceiros de Bond (principalmente os clássicos como M, Q e Moneypenny), e eles tornam a trama muito cativante.

Outro elemento importante é a trilha sonora. Além da canção tema, os temas compostos por The Flight contribuem bastante para a imersão dentro da narrativa, com uma música que alterna entre o clima de tensão e urgência e o de suspense e ação.

Em síntese, ao final de “007 First Light” a jornada para se tornar James Bond é extremamente divertida, principalmente para os fãs dos filmes. O desenvolvimento da história é sem dúvida o grande destaque do game da IO Interactive. A jogabilidade tem alguns altos e baixos, mas nada que atrapalhe muito a diversão.



007 First Light

Plataformas:
PS5, Win, Xbox Series X/S e Nintendo Switch 2 (em breve)
Desenvolvedora: IO Interactive
Produtora: IO Interactive
Diretor: Hakan Abrak e Martin Emborg
Roteiro: Michael Vogt
Com as vozes de: Patrick Gibson, Lennie James, Priyanga Burford, Alastair Mackenzie, Kiera Lester, Gemma Chan, Lenny Kravitz, Noémie Nakai, Chris O’Reilly, Jessica Rhodes, Lydia Fraser, Ewan Black, Anthony Howell e Bart Edwards
Gênero: Tiro, Luta, Aventura, Ação
Ano: 2026

Ramon Prates

Analista de sistemas nascido em Salvador (BA) em 1980, mas atualmente morando em Brasília (DF). Cinema é sem dúvidas o meu hobby favorito. Assisto a filmes desde pequeno influenciado principalmente por meus pais e meu avô materno. Em seguida vem a música, principalmente rock e pop.

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