Crítica | O Regresso

Em seu novo filme o diretor Alejandro G. Iñárritu (“Birdman”) praticamente faz um reality show de sobrevivência na selva que impressiona com atuações energéticas e uma parte técnica primorosa. “O Regresso” é inspirado em fatos reais, como o próprio cartaz faz questão de ressaltar. Assim fica mais fácil do espectador conseguir imergir ainda mais na história ao acreditar na veracidade da situação que devido a seus extremismos em alguns momentos soa absurdo.

Na história uma expedição pelo oeste americano em busca de peles de animais é atacada por índios nativos americanos. O grupo é guiado pelo experiente Hugh Glass (Leonardo DiCaprio) e durante a fuga ele é atacado por um urso. Totalmente debilitado ele acaba sendo deixado para trás por seu pessoal. Para completar John Fitzgerald (Tom Hardy), um dos membros da equipe que tinha ficado responsável por Glass, mata Hawk (Forrest Goodluck) que é filho de Hugh. Vingança acaba sendo a motivação para Glass continuar vivo e ir em busca de Fitzgerald, já que seu filho era tudo que ele tinha.

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Logo no início do filme ao mostrar umas árvores a ambientação já chama a atenção pela sua magnitude, mas quando um personagem surge na tela percebemos que elas não são tão grandes assim. Esse pequena brincadeira do diretor de fotografia Emmanuel Lubezki é apenas para começar a preparar o espectador para o que ele está prestes a presenciar. Os cenários e as tomadas do filme são sempre grandiosos fazendo questão de ressaltar a beleza da natureza. Algumas cenas parecem pinturas de um quadro ou uma linda foto.

A batalha mostrada nos primeiros minutos de projeção já mostra a incrível qualidade técnica do filme. Cenas com poucos cortes e câmera na mão dão a impressão que estamos no meio do confronto. Isso aumenta muito o impacto e o realismo dela. Se em “Birdman” a parceria entre Iñárritu e Lubezki já impressionava por fazer um filme tivesse sido feito em apenas um take, o resultado aqui é ainda mais espetacular.

Além disso, a câmera faz sempre questão em dar closes nos rostos dos atores. Isso destaca ainda mais a energia de suas atuações. Então é preciso elogiar o incrível trabalho do elenco. E nesse caso mais especificamente o desempenho de Leonardo DiCaprio (O Lobo de Wall Street). Seu personagem não fala muito, então a linguagem corporal é importante. Sua interpretação é muito profunda! Em cada close no seu rosto ele consegue transmitir com um olhar e com sua expressão facial a dor e os sentimentos do seu personagem. Tom Hardy (Mad Max: Estrada da Fúria) também está muito bem e por ter mais falas consegue brilhar e se destacar sempre que está em cena. Outro que merece destaque é Domhnall Gleeson (Frank, Star Wars: O Despertar da Força) como Andrew Henry, que é o capitão da expedição.

Outra cena que chama a atenção e que foi uma das mais comentadas é a luta de DiCaprio contra o urso. Essa também é impressionante pelos efeitos visuais muito bem realizados e pela capacidade de Leonardo conseguir passar com sua atuação toda a energia e emoção da situação. É como se a cada golpe que ele levasse a gente conseguisse sentir a dor que o personagem sentiu.

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O diretor ainda utiliza muito bem alguns simbolismos bem interessantes como uma espiral desenhada em uma garrafa de água. Afinal de contas o personagem está o tempo todo num curso parecido à própria espiral sempre dando voltas e retornando ao mesmo ponto sem um final aparente. Ou quando Glass se abriga do frio literalmente dentro do corpo de um cavalo morto e quando ele sai de lá é como se ele tivesse de alguma forma renascendo. Esses elementos ajudam a tornar a história ainda mais impactante.

Isso retrata bem o estilo de filmar de Iñárritu que vai fundo na intensidade e emoções sofridas pelos seus personagens. Nem sempre é uma experiência fácil de ser vivida pelo espectador por ter uma alta carga emocional. Ao final da sessão é fácil sentir uma sensação de exaustão e de alívio próximos à experimentada pelos próprios personagens. Ainda mais quando o tema principal da história é justamente sobre motivação e sobrevivência. Para tentarmos entender o que levava Glass a continuar sua luta contra a morte em busca de um sentimento de paz.


*** Classificação ***


regresso-cartazTítulo Original: The Revenant (EUA, 2015)
Com: Leonardo DiCaprio, Tom Hardy, Domhnall Gleeson, Paul Anderson, Lukas Haas, Brendan Fletcher,
Kristoffer Joner, Brad Carter e Forrest Goodluck
Direção: Alejandro G. Iñárritu
Roteiro: Mark L. Smith e Alejandro G. Iñárritu (baseado no livro de Michael Punke)
Duração: 156 minutos

Analista de sistemas nascido em Salvador (BA) em 1980, mas atualmente morando em Brasília (DF). Cinema é sem dúvidas o meu hobby favorito. Assisto a filmes desde pequeno influenciado principalmente por meus pais e meu avô materno. Em seguida vem a música, principalmente rock e pop.

11 thoughts on “Crítica | O Regresso

  1. Eu daria 4 bacons. O filme é realmente muito bom mas não nos surpreende. Eu sei que se baseia em uma história real, mas não tem nada muito diferente do comum pra ser um filme perfeito. Muito previsível.

    1. Concordo com JayZ, 4 Bacons está mais do que de bom tamanho para esta obra que é sim muito bela, tem atuações fortes e convincentes (ainda que eu ache que Dicaprio já esteve melhor em outros trabalhos) mas não acho que valha 5 Bacons. Dificilmente estará na minha lista de melhores filmes vistos em 2016 ao final do ano.

  2. O filme tem como maior atributo a parte técnica incrível a forma como foi filmado, usando locações reais com gravações reais, ou seja, nada de preparar terreno para filmar. Foi tudo direto, com gravações em temperaturas na casa dos 20 graus negativos entre outras insanidades. É um filme soberbo, muito melhor que Birdman.

    DiCaprio entrega sua atuação suprema e Tom Hardy também está ótimo. É um filmão. Não é perfeito porque peca na história em si, mas não o suficiente para depor muito contra. Deverá ser o grande campeão do Oscar 2016 e provavelmente retirará alguns prêmios já dados como certos para Mad Max.

    1. Assino embaixo Bill. Se Bill aprovou e Ramón também, é Oscar certo. Adorei o filme também. É um filme lindo em todos os sentidos. Mas ainda sou mais H8.

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