Crítica | Toy Story 5

Crítica | Toy Story 5

Nos últimos anos a Pixar tem apostado em fazer continuações de suas animações mais bem-sucedidas e a franquia Toy Story se torna a mais duradoura até agora em seu quinto filme. A premissa de “Toy Story 5” é atual e interessante ao mostrar o impacto do uso da tecnologia na vida das crianças.

Na parte visual não é perceptível um grande avanço em relação ao que foi apresentado no longa de 2019. Tudo continua lindo e impressionante, principalmente na riqueza de detalhes, tanto nas expressões dos personagens, quanto nos cenários.

O roteiro divide os personagens em três núcleos diferentes e inicialmente parece um pouco confuso sem se encaixarem. Felizmente isso é resolvido durante a construção da narrativa.

Quem aparece primeiro em “Toy Story 5” é um grupo de bonecos de Buzz Lightyear (Tim Allen) que cai em uma ilha e precisa escapar, sendo que agora eles estão equipados com uma tecnologia mais avançada. Essa parte da trama é a que parece mais perdida dentro da narrativa. Somente durante o terceiro ato é que se encaixa com o restante da história, quando ocorre encontro entre todos os brinquedos.

O grupo de brinquedos, agora liderado por Jessie (Joan Cusack), tem uma nova ameaça de “extinção” com a chegada do tablet Lilypad (Greta Lee) na casa de Bonnie. A menina tem dificuldade para fazer novas amizades e seus brinquedos são o seu refúgio. Os pais decidem dar o tablet com o intuito de facilitar a criação de amigos, mas não enxergam como o dispositivo pode afetar negativamente a vida dela.

A construção de Lilypad como vilã é muito boa, pois o tablet enxerga os brinquedos como ameaça na vida de Bonnie. Somente ela seria capaz de proporcionar essas amizades e isso realmente dá certo. No entanto, isso só funciona no mundo virtual. O convívio com outras crianças acontece por meio de um jogo online e mesmo quando se encontram pessoalmente, a interação é somente através da plataforma.

A trama se encaixa com o que foi visto em “Toy Story 4”, com brinquedos sendo abandonados pelos antigos donos. No final da animação de 2019, Woody decide deixar seu antigo grupo para ajudar outros brinquedos largados pela cidade. Contudo, ele é convocado por Jessie para auxiliar em como lidar com a ameaça de Lilypad.

Quando Woody chega na residência de Bonnie para ajudar, Jessie já partiu para a missão de encontrar uma amiga para a garota. Enquanto a vaqueira avança e encontra outro grupo de brinquedos tecnológicos, Woody e Buzz buscam por seu paradeiro.

Quando os grupos se separam o sentimento de falta de conexão entre as histórias aumenta um pouco. Temos a jornada no grupo de bonecos Buzz, que é a mais solta na narrativa, enquanto a dupla Woody e Buzz revivem conflitos similares aos vistos no primeiro Toy Story, como ciúmes entre eles e a disputa de quem é o mais “heróico”.

A trama de Jessie é sem dúvidas a parte mais relevante da animação e o grande trunfo do argumento é dar destaque a ela. O protagonismo feminino dá uma nova perspectiva à franquia. É possível enxergar paralelos entre sua história e a da garota Bonnie, principalmente sobre a solidão. Além disso, descobrimos um pouco mais sobre seu passado e vemos um pouco de aprofundamento da sua relação amorosa com Buzz.

Durante essas jornadas, o roteiro de Andrew Stanton e Kenna Harris explora muitas questões relevantes em torno do uso da tecnologia e em como ela afeta a vida das pessoas, principalmente as crianças.

A trama segue emocionante, mas sem exageros. A trilha sonora de Randy Newman contribui bastante para definir o tom da animação, acentuando as emoções nos momentos certos. Ouvimos um pouco do tema principal, evocando o sentimento de nostalgia em torno da franquia, mas é notável como o compositor explora a musicalidade de muitos gêneros do cinema, como comédia e aventura, e faz homenagens musicais a alguns deles, como o faroeste.

O problema de “Toy Story 5” é solucionar o tema em torno do uso da tecnologia por crianças. Afinal de contas, a animação é feita pela Pixar (que faz parte da Disney), e depende de muitas maneiras que as crianças utilizem dispositivos tecnológicos. Então a conclusão não pode aceitar todo o efeito negativo, é necessário fazer uma amenização e apresentar algum tipo de redenção para Lilypad.

Apesar desse aspecto, a animação de Andrew Stanton (de WALL-E) mantém o padrão de qualidade da Pixar. Mesmo com o problema em torno do dilema do uso da tecnologia, a história preserva o tom do estúdio em criar uma narrativa que funciona para todas as idades e acerta ao dar protagonismo à Jessie.


Uma frase: – Woody [para Jessie]: “Brinquedos são para brincar, mas tecnologia é… é para tudo.”

Uma cena: Quando Jessie tenta conversar com a recém-chegada Lilypad.

Uma curiosidade: Joan Cusack ajudou a reescrever e aprimorar alguns dos momentos mais engraçados da Jessie, tornando-a mais divertida e fiel à personagem antes de gravar suas falas — algo que empolgou muito os diretores e roteiristas. A co-diretora McKenna Harris descreveu as ideias de Cusack como “caóticas e maravilhosas” e afirmou que várias de suas sugestões eram tão fiéis à personagem que acabaram sendo incluídas no filme final.


Toy Story 5

Direção: Andrew Stanton
Roteiro: Andrew Stanton e Kenna Harris; história de Andrew Stanton
Elenco: Tom Hanks, Tim Allen, Joan Cusack, Conan O’Brien, Scarlett Spears, Greta Lee, Shelby Rabara, Mykal-Michelle Harris e Craig Robinson
Gênero: Aventura, Animação, Comédia, Drama, Fantasia
Ano: 2026
Duração: 102 minutos

Ramon Prates

Analista de sistemas nascido em Salvador (BA) em 1980, mas atualmente morando em Brasília (DF). Cinema é sem dúvidas o meu hobby favorito. Assisto a filmes desde pequeno influenciado principalmente por meus pais e meu avô materno. Em seguida vem a música, principalmente rock e pop.

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