Crítica | O Shaolin do Sertão 2
A dupla Halder Gomes e Edmilson Filho volta a trabalhar junta em “O Shaolin do Sertão 2”, continuação do filme de 2016. Eles repetem a fórmula que vem dando certo ao longo da carreira, mas aqui já demonstram que o formato está próximo do esgotamento.
Nesse novo filme, o protagonista Aluísio Li (Edmilson Filho) está com problemas financeiros e corre o risco de perder sua academia. Além disso, perdeu sua namorada. Ele recebe a proposta de um “empresário” (Marcelo Serrado) para viajar em busca de lutas, que serão filmadas por ele e sua equipe e vendidas para uma empresa oriental. A ideia é distribuir o conteúdo via pay-per-view. Vale lembrar que o primeiro filme se passa nos anos 1980, mas não fica claro exatamente quando se passa “O Shaolin do Sertão 2”. Talvez no início da década de 1990, quando teve início a TV por assinatura no Brasil.
Aluísio Li reúne sua trupe de amigos e se junta ao grupo do “empresário” para uma viagem pelas estradas do Nordeste em busca de combates. A premissa é minimamente interessante, mas o roteiro de L. G. Bayão é irregular na construção da narrativa. Rapidamente, a história vira um conjunto de esquetes de humor, em que cada luta envolve novas piadas que nem sempre funcionam.
Outro problema é a construção dos personagens, principalmente os integrantes do grupo do “empresário”. Dentro do trio, temos uma personagem feminina, interpretada por Priscila Fantin. Suas motivações nunca ficam claras, e o desenvolvimento dela como interesse romântico do protagonista é um pouco forçado. Felizmente, o elenco é carismático e seus integrantes têm química entre si, de modo que essas questões são minimizadas.
Na parte das lutas, existe um equilíbrio entre comédia e artes marciais que segue o mesmo padrão do filme anterior e de toda a filmografia da dupla Gomes e Filho. As figuras que aparecem para os combates são caricatas, mas divertidas e cumprem seu papel cômico. Apenas o conflito final, envolvendo um lutador oriental e mais próximo do “realismo”, peca um pouco, justamente por perder esse equilíbrio entre a seriedade e o humor.
No mais, Edmilson Filho segue sendo o principal destaque e a alma do filme. Ele tem carisma para sustentar a história e humildade para alternar entre o protagonismo e o papel de escada, permitindo que os outros atores também tenham seus momentos de destaque. Já a direção de Halder Gomes mantém o padrão de ressaltar a cultura nordestina por meio das tradições do Ceará. Inclusive, temos mais uma vez o uso de legendas em português para traduzir o “dialeto” cearense.
Em síntese, “O Shaolin do Sertão 2” apresenta um resultado positivo ao combinar um roteiro leve e divertido com elementos de comédia e artes marciais.

Uma frase: – Aluísio Li: “Eu fiz merda, seu prefeito. Perdi tudo. Levei chifre. Meus amigos me traíram.”
Uma cena: Aluísio Li lutando contra um trator para defender sua academia de ser destruída.
Uma curiosidade: O protagonista Edmilson Filho revelou que precisou redobrar os cuidados com o corpo em relação ao primeiro filme de 2016. Dez anos mais velho, ele manteve uma rotina diária de uma hora e meia de academia e treino de chutes após as diárias de gravação. Antes de iniciar as filmagens, o ator passou cerca de dois meses em preparação física e de lutas diárias.

O Shaolin do Sertão 2
Direção: Halder Gomes
Roteiro: L.G. Bayão
Elenco: Edmilson Filho, Priscila Fantin, Marcelo Serrado, Marcos Veras, Fafy Siqueira, Lyoto Machida, Haroldo Guimarães, Igor Jansen, João Pimenta e Falcão
Gênero: Comédia, Artes Marciais
Ano: 2026
Duração: 106 minutos
