Crítica | Estrelas Além do Tempo (Hidden Figures)
Baseado em histórias reais que demoraram muito tempo para serem contadas, “Estrelas Além do Tempo (Hidden Figures)” é um filme cativante, importante e que traz atuações extremamente carismáticas. As indicações ao Oscar e os prêmios que vêm recebendo são um belo indicativo da qualidade desta produção, ainda que, claramente, tenha sido moldada para emocionar e divertir na medida certa.
A trama traz a história do grupo de mulheres afro-americanas que foram peça principal em algumas das maiores missões da NASA no início da corrida espacial contra a Rússia, dentre elas o lançamento do astronauta John Glenn para a órbita da Terra. Somos convidados a acompanhar a história de vida de Katherine Johnson (Taraji P. Henson), uma brilhante matemática que, ao lado das colegas Dorothy Vaughn (Octavia Spencer, Expresso do Amanhã) e Mary Jackson (Janele Monáe), foi peça fundamental nestas importantes missões espaciais. Juntas, elas enfrentam todos os limites de gênero, raça e profissionais para buscarem o seu espaço de direito e serem pioneiras.
O prêmio do SAG Awards de melhor elenco diz muito sobre o que esperar das atuações em “Estrelas Além do Tempo“. O trio principal formado por Taraji, Octavia e Janele já valeria todo o filme, todas estão excelentes em seus personagens que possuem arcos bem definidos. O restante do elenco coadjuvante conta com alguns nomes interessantes como o de Kevin Costner, Kirsten Dunst – acompanhada de um figurino e maquiagem que reforçou o peso da sua personagem -, Jim Parsons da série The Big Bang Theory que está, como o papel manda, insuportável e ainda o de Mahershala Ali (Moonlight).
Existe na trama do filme uma verdadeira rede de marketing multi-nível de preconceitos (e sexismo). As garotas sofriam preconceito por serem afro-americanas tanto no trabalho quanto nas ruas, sofriam preconceito por serem mulheres em todas as esferas, algumas até mesmo com os seus maridos/paqueras e por aí vai. Mesmo sendo claramente uma produção com um tom mais “leve” e que procura até mesmo fazer o espectador rir em alguns momentos, “Estrelas Além do Tempo” é muito competente em apresentar o cenário sócio-político daqueles tempos e todo o racismo e sexismo que eram latentes em todos os lugares do país.
Feito na medida para emocionar e conquistar o coração do espectador com mais uma daquelas histórias de superação e vitória, é uma obra que tem tudo para agradar o público ao mesmo tempo que alerta para algo que, infelizmente, ainda precisa ser combatido e discutido todos os dias. Fica difícil acreditar que em mais de 50 anos ainda temos muito o que evoluir como sociedade, mas difícil até do que acreditar que o homem já foi a lua.
Uma frase: “Toda vez que temos uma chance de avançar eles vem e nos colocam no final da fila. Toda vez! (Mary Jackson)”
Uma curiosidade: Quando estava se preparando para interpretar a sua personagem, a atriz Taraji P. Henson visitou a verdadeira Katherine Jhonson que estava na época com 98 anos. Depois que o filme foi apresentado a Jhonson, ela aprovou e disse que a atuação da Taraji estava perfeita, mas ficou se perguntando porque alguém iria querer fazer um filme sobre a sua vida.
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Estrelas Além do Tempo (Hidden Figures)
Direção: Theodore Melfi
Roteiro: Theodore Melfi e Allison Schroeder
Elenco: Taraji P. Henson, Octavia Spencer, Janele Monáe, Kevin Costner, Kirsten Dunst, Aldis Hodge, Jim Parsons e Mahershala Ali
Gênero: Drama, Biografia
Ano: 2016/2017
Duração: 127 minutos.
Gostei!
Vou tentar conferir logo.
Já viu Moonlight? Acha que qual vai levar como melhor filme?
bjs
Vi Moonlight, até agora foi o meu favorito (dos poucos que vi) mas acho que, La La Land leva, mesmo eu não achando tão bom assim.
Essa indicação ao Oscar me deixou mais curioso a assistir esse filme.
Este filme estreia amanhã na minha cidade e confesso que quero muito assistir, principalmente porque gosto de histórias inspiradoras como a que este longa retrata. Além disso, o ótimo elenco (vencedor recente do SAG da categoria) é um plus!
Vi na cabine de imprensa semana passada na verdade, a reação foi bem positiva. Acho que vai gostar!