Crítica | Megatubarão (The Meg)

Megatubarão não tem um título muito animador, já que impõe ao filme um ar de “filme B” e de thrash. Contudo, o longa dirigido por Jon Turteltaub e protagonizado por Jason Statham é uma grata surpresa. Ele consegue estabelecer um equilíbrio entre seriedade e diversão na medida certa, se assumindo como um “filme de monstro”, com toques de catástrofe.

O roteiro de Dean Georgaris, Jon Hoeber e Erich Hoeber é inspirado no livro “Meg: A Novel of Deep Terror” de Steve Alten, e seu principal acerto está na apresentação dos personagens. Um filme de catástrofe e terror só funciona se o espectador criar empatia com os personagens e Megatubarão é muito eficiente nisso. A trama utiliza bem alguns clichês do gênero para estabelecer uma narrativa onde quem está assistindo se importa com o destino das pessoas que estão na tela.

A escolha do elenco também foi interessante ao apresentar uma ótima diversidade étnica, principalmente orientais – mais especificamente chineses, pensando no retorno financeiro da bilheteria no país -, e também com destaque às mulheres. A principal “mocinha” é interpretada pela chinesa Li Bingbing e sua personagem é salva em alguns momentos pelo protagonista, mas depois retribui o favor, sendo que ela também está a disposta a correr riscos em nome de sua equipe do Mana Um, uma plataforma de pesquisa submarina. Também em favor do público feminino, ao invés de explorar o corpo das atrizes, quem aparece sem camisa é Statham.

A escolha dos papéis foge um pouco dos clichês. A única exceção é Page Kennedy, o único negro do elenco, que apesar de ser um cientista, funciona mais como alívio cômico da narrativa. Apesar disso, o ator explora bem o personagem ao fazer seus questionamento soarem pertinentes, mesmo que sejam engraçados em alguns momentos.

O protagonista é Jonas Taylor (Jason Statham), um homem especializado em resgates complicados no fundo do mar em grandes profundidades. Ele é recrutado pela Mana Um para liderar um resgate de uma equipe no fundo do mar, que foi atacada por uma criatura misteriosa. Jonas abandonou a profissão após uma operação malsucedida que resultou na morte de pessoas próximas.

Eles descobrem que a criatura é um tubarão megalodonte, uma espécie de tubarão gigante que viveu entre 23 e 2,6 milhões de anos atrás no período Mioceno no Oceano Pacífico. É como se ele fosse um fóssil vivo. Então a equipe do Mana Um terá que arrumar um forma de matá-lo, antes que o animal cause desequilíbrio na natureza marinha e ataque os humanos.

O filme alterna bem entre momentos de ação e drama, sempre mantendo a tensão e o suspense. A dinâmica entre os personagens contribui para sustentar esse clima e o diretor Jon Turteltaub usa o recurso de mostrar pouco o tubarão para deixá-lo mais misterioso e com isso um pouco mais assustador.

Esse recurso foi usado por Steven Spielberg no clássico “Tubarão”, e Megatubarão não esconde a sua inspiração nele, principalmente na cena onde a criatura ataca banhistas em uma praia. Turteltaub é inteligente e usa muito bem os clichês do gênero, misturando e alternando entre uma aventura no fundo do mar e a caça a um animal perigoso.

Na parte técnica o filme também se mostra competente. Ele apresenta bons efeitos visuais, que utilizam o 3D de forma justificável em alguns momentos, criando uma criatura verossímil, fundamental para a história funcionar. A trilha sonora também é eficaz em criar o clima de tensão e suspense.

Contudo, nada disso funcionaria se a história não fosse convincente. A trama justifica bem as cenas de ação e tem espaço para redenção dos personagens, dramas familiares e um pouco de clima de romance. Somado a um bom elenco cheio de carisma, Megatubarão surpreende por apresentar uma diversão de qualidade, além de equilibrar bem a seriedade com o espírito de “filme B”, com leves toques de humor.


Uma frase: – Jack Morris: “Por que não põem um rastreador nele?”

Uma cena: O ataque do tubarão na praia.

Uma curiosidade: Eli Roth iria dirigir o longa, mas deixou a produção devido a diferenças criativas com o estúdio. Ele foi substituído por Jon Turteltaub.


Megatubarão (The Meg)

Direção: Jon Turteltaub
Roteiro:
Dean Georgaris, Jon Hoeber e Erich Hoeber
Elenco: Jason Statham, Li Bingbing, Rainn Wilson, Ruby Rose, Winston Chao, Cliff Curtis, Shuya Sophia Cai, Page Kennedy, Robert Taylor, Jessica McNamee, Ólafur Darri Ólafsson e Masi Oka
Gênero: Ação, Terror, Sci-Fi
Ano: 2018
Duração: 113 minutos

Analista de sistemas nascido em Salvador (BA) em 1980, mas atualmente morando em Brasília (DF). Cinema é sem dúvidas o meu hobby favorito. Assisto a filmes desde pequeno influenciado principalmente por meus pais e meu avô materno. Em seguida vem a música, principalmente rock e pop.

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