Crítica | Rolling Stone: Stories From the Edge

O documentário “Rolling Stone: Stories From the Edge” faz uma ótima retrospectiva sobre os 50 anos da revista americana Rolling Stone, apresentando as principais reportagens e temas que foram o diferencial da publicação desde a sua criação.

A revista começou focando em música, mais especificamente no rock´n roll, mas não ficou apenas no tema ao abordar também toda a cultura por trás do gênero. Obviamente que durante esses 50 anos a Rolling Stone teve que se atualizar focando em outros gêneros musicais que surgiram ou se tornaram relevantes no período. No entanto, o mais interessante é ver também a mira em outros temas culturais, como cinema e televisão, mas principalmente na política.

Durante suas 4 horas de duração, divididas em duas partes, o filme produzido pelo canal HBO apresenta ótimas cenas de arquivo, além de entrevistas antigas e atuais com os principais envolvidos com a revista. Gente como o fundador Jann Wenner, a fotógrafa Annie Leibovitz, o cineasta Cameron Crowe – que escreveu para publicação, o jornalista e escritor Hunter S. Thompson, entre outros. É até difícil citar apenas algumas pessoas no meio de tanta gente importante. Crowe, por exemplo, transformou sua experiência de trabalhar na revista no filme “Quase Famosos”, um retrato sobre seu amor a música.

No entanto uma das personalidades musicais mais importantes na história da revista é John Lennon. O músico deu diversas entrevistas para a publicação após sua saída dos Beatles. Esse momento foi importante para ele apresentar suas posições políticas e sua nova fase musical, enquanto para a Rolling Stone foi decisivo para a consolidação da publicação

Rolling Stone: Stories From the Edge, Jann Wenner

Contudo, foi através de reportagens políticas que a revista se transformou em uma das publicações mais respeitadas e importantes dos Estados Unidos. Ela começou através do “jornalismo gonzo” criado por Hunter S. Thompson ao fazer uma cobertura irreverente e inteligente da eleição para presidente dos EUA em 1972. Umas das matérias mais importantes foi publicada em 2010 e transformada no filme “War Machine”, protagonizado por Brad Pitt. Nela o jornalista Michael Hastings apresenta um perfil do General Stanley McChrystal, comandante das forças armadas americanas no Afeganistão, que foi tão polêmica e teve uma repercussão tão grande que o militar foi demitido do seu cargo.

Porém é na parte musical que a revista realmente tem seu principal tema. Através do documentário acompanhamos a evolução e transformação do rock, além do surgimento de outros gêneros musicais tão controversos e importantes como o rap e o hip hop. A jornada através dessa história musical é o principal atrativo do documentário. Além das entrevistas, também temos diversos trechos de apresentações musicais de vários artistas.

Após assistir o documentário fica aquela sensação da importância da revista, do seu trabalho jornalístico durante todo esse tempo e de como ela continua relevante até os dias de hoje. O sentimento que fica é de sair correndo para a banca de revista mais próxima, das que ainda existem, para comprar uma edição da versão brasileira da Rolling Stone.


Uma frase: – Narrador: ” Nós esperamos que tenhamos algo aqui, algo meio como uma revista, meio como um jornal.”

Uma cena: Annie Leibovitz e Jann Wenner caminhando e conversando sobre fotos tiradas por ela para a revista e lembrando do momento em que as tirou.

Uma curiosidade: Johnny Depp interpretou Hunter Thompson no filme “Medo e Delírio” e no documentário ele faz a voz de Thompson nas matérias escritas pelo jornalista, como se o mesmo estivesse lendo-as.


Rolling Stone: Stories From the Edge, cartazRolling Stone: Stories From the Edge

Direção: Blair Foster, Alex Gibney
Elenco: Cameron Crowe, Jeff Daniels, Johnny Depp, Hunter S. Thompson,John Lennon, Annie Leibovitz e Jann Wenner
Gênero: Documentário, Música
Ano: 2017
Duração: 240 minutos

Analista de sistemas nascido em Salvador (BA) em 1980, mas atualmente morando em Brasília (DF). Cinema é sem dúvidas o meu hobby favorito. Assisto a filmes desde pequeno influenciado principalmente por meus pais e meu avô materno. Em seguida vem a música, principalmente rock e pop.

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