Crítica | Meus 15 Anos

O Brasil não tem muita tradição de filmes de adolescentes. Os longas infantojuvenis geralmente eram dos Trapalhões, Xuxa e coisas do tipo. Na televisão tivemos apenas “Confissões de Adolescente“, que foi adaptado para o cinema recentemente, Malhação e o remake de “Carrossel” – também estrelado por Larissa Manoela. Então, “Meus 15 Anos” é uma grata surpresa ao abordar o tema da adolescência de forma interessante e divertida. Além disso, é um filme protagonizado e dirigido por mulheres.

O filme de Caroline Fioratti parece a versão brasileira dos filmes adolescente norte-americanos, só que no lugar do baile de formatura do colegial, temos uma festa de 15 anos, que é algo mais tradicional no país. O roteiro utiliza bem os clichês dos conflitos adolescentes e apresenta uma trama interessante com personagens verossímeis e pouco caricatos.

A protagonista é Bia, uma menina que se acha “invisível” no colégio. Seu único amigo é Bruno (Daniel Botelho de “Mãe Só Há Uma“) e juntos eles gostam de tocar. Ela canta e toca ukulele, enquanto ele toca bongô. A garota perdeu a mãe ainda pequena e foi criada por seu pai Edu (Rafael Infante de “Desculpe o Transtorno”). Está chegando a data do aniversário dela e o pai resolve inscrevê-la em um concurso do shopping para ganhar uma festa de 15 anos, mesmo sem ela ter interesse no evento.
Obviamente, Bia ganha o concurso e essa festa de 15 anos muda a sua vida. Antes invisível no escola, agora todos estão interessados em se aproximar dela por causa do evento. Ao se tornar popular, a personagem entra na jornada de autoconhecimento e amadurecimento para saber quem ela é na verdade: a “esquisita” ou a popular? Uma metáfora clichê, mas eficiente sobre a adolescência.

A narração em off da protagonista atrapalha o filme por estar o tempo todo descrevendo o que se vê na tela de forma expositiva, principalmente em relação aos sentimentos da personagem. Mas não chega a estragar, apenas o deixa muito didático. “Meus 15 Anos” tem consciência do seu objetivo de focar no público adolescente e, por isso, entrega um produto em um formato padrão, mas felizmente também competente.

O longa é dividido em três partes basicamente: a primeira apresenta os personagens, a segunda é a preparação da festa e impacto dela na vida da protagonista, e na terceira temos a festa em si. A diretora opta por começar o filme mostrando que algo deu errado na festa de 15 anos para depois na parte final apresentar o que ocorreu. É uma decisão interessante em não esconder do público o que vai acontecer, mas brinca um pouco com a expectativa.

O elenco também é bom, com destaques para a protagonista e também para Rafael Infante. A relação entre eles é interessante e bem construída no início com vídeos de Bia mais nova e a influência musical tanto dele quanto da mãe. Além disso, o personagem do pai funciona bem como um alívio cômico. O melhor é que Edu aparece em alguns momentos vestindo algumas fantasias e não deixa de ser curioso ver um dos poucos adultos da história se comportando de certa forma como criança. Já Polly Marinho e Victor Meyniel, que interpretam os organizadores da festa de 15 anos, pecam por exagerar na caricatura em busca do humor que não funciona na maior parte do tempo. O restante dos atores adolescentes também entrega boas atuações.
A trilha sonora apela para a música “A Thousand Years” de Christina Perri, da trilha sonora do filme “Crepúsculo”, para forçar uma identificação fácil junto ao público jovem. Muitas vezes os longas nacionais optam por músicas estrangeiras pelo fato dos direitos autorais serem mais baratos e fáceis de conseguir. Mas apesar de começar de forma óbvia, a escolha de canções passa também por nomes brasileiros alternativos como Clarice Falcão e Mahmundi. O grande destaque fica por conta da participação da cantora Anitta, que se apresenta na festa e tem um papel importante dentro da história. E como Larissa também é cantora, não podia faltar uma dela. “Meu Pacto” representa bem os pensamentos da protagonista sobre si mesma depois de tudo que acontece no filme.

Mesmo sem apresentar grandes inovações, “Meus 15 Anos” é um longa honesto onde o roteiro explora bem os clichês de filmes adolescentes e apresenta personagens interessantes e pouco caricatos. Larissa Manoela se mostra uma atriz muito carismática e talentosa. A diretora Caroline Fioratti estreia bem no cinema com um trabalho competente e divertido.


Uma frase: – Bia: “Eu não queria uma festa de 15 anos, mas eu acho que precisava.”

Uma cena: O ensaio fotográfico de Bia para sua festa de 15 anos.

Uma curiosidade: O filme é baseado no primeiro livro da série de Luiza Trigo e, além de escritora, ela também é YouTuber (https://www.youtube.com/user/lulytrigo).


Meus 15 Anos

Direção: Caroline Fioratti
Roteiro: Caroline Fioratti, Clara Deák, Luiza Trigo, Marcelo Andrade e Mirna Nogueira
Elenco: Larissa Manoela, Anitta, Lorena Queiroz, Heslaine Vieira, Priscila Marinho, Rafael Infante, Bruno Peixoto, Daniel Botelho, Clara Caldas, Bruna Tatar, Rafael Awi, Pyong Lee, Bruna Tatar e Victor Meyniel
Gênero: Comédia, Drama
Ano: 2017
Duração: 103 minutos

Analista de sistemas nascido em Salvador (BA) em 1980, mas atualmente morando em Brasília (DF). Cinema é sem dúvidas o meu hobby favorito. Assisto a filmes desde pequeno influenciado principalmente por meus pais e meu avô materno. Em seguida vem a música, principalmente rock e pop.