Review | Street Fighter V

Sou um daqueles que gastou várias fichas jogando Street Fighter II e todas as suas variações no fliperama (aproveitem para ouvir o Varacast (008) – O Mundo Selvagem dos Fliperamas). Para mim ainda é o melhor jogo de luta de todos os tempos e, apesar das evoluções, ele sempre manteve a essência do jogo. No caso da nova versão, Street Fighter V, lançada para PS4 e PC, é possível dizer que mantém sim a essência, mas por alguns motivos não consegui me empolgar tanto e vou tentar expressá-los nesse texto.

Jogo em construção

Um dos problemas da última versão do jogo, Street Fighter IV, é que a CAPCOM ficou com a mania de lançar novas versões de um mesmo jogo (Ultra, Arcade etc.) ao longo do tempo, então você tinha que comprar sempre a nova versão. Depois eles mudaram e pelo menos você podia comprar apenas a atualização, o que era menos absurdo — mas injusto mesmo assim.

Já no V eles decidiram que não cometeriam mais esse abuso, e as atualizações serão disponibilizadas para todos os que comparam o jogo. Isso é muito bom, mas tem um pequeno problema para quem resolveu comprar logo perto do lançamento: fica a impressão de que temos um jogo ainda em construção.

Uma grande atualização já foi lançada e resolveu alguns bugs, mas o que ainda faz muita falta é o modo arcade. Parece que a desenvolvedora subestimou o gosto dos jogadores pela campanha solo.

Para quem não lembra, o modo arcade é o jeito tradicional de se jogar Street Fighter: você escolhe um jogador e vai enfrentando outros lutadores até enfrentar o vilão final: M. Bison.

Esse modo simplesmente não existe no V, em seu lugar temos um modo história com umas 3 ou 4 lutas para cada personagem que você escolhe, cada um com a sua historinha. Pior: as lutas só tem 1 round! É muito sem graça e não é nem um pouco empolgante de se jogar em casa sozinho.

Porém, depois da repercussão negativa, parece que CAPCOM vai correr atrás e disponibilizar o modo arcade.

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Jogar online

A grande aposta do jogo é o modo online. É uma maneira moderna de simular a época do fliperama, no qual a qualquer momento alguém podia colocar uma ficha e te desafiar para uma luta.

Isso já existia no IV e não é nenhuma grande novidade, mas o legal aqui é que é possível jogar em plataformas diferentes, ou seja, alguém num PS4 pode jogar contra outro jogador num PC. Isso é sensacional, e espero que vire tendência na jogatina online.

Por outro lado, o problema é que às vezes demora muito para conseguir encontrar alguém para jogar online (não sei se o problema é a falta de jogadores), o que acaba tirando um pouco a empolgação em se jogar. Pelo menos o método de escolha de jogadores leva em consideração o nível em que você está, então teoricamente você não vai começar jogando contra os maiores viciados; dá tempo de ir treinando ir subindo de nível aos poucos.

Uma das pequenas mudanças que fizeram na última grande atualização é poder ter uma revanche contra o jogador com quem estava lutando, o que é legal pra decidir se você realmente é melhor que o cara ou se foi apenas sorte.

Para incentivar a jogatina online, você vai ganhando pontos, ou melhor, dinheiro chamado Fight Money que pode depois ser convertido em compra de itens online na loja do jogo como novos personagens, roupas e outras coisas. Eles também podem ser adquiridos com dinheiro de verdade.

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Personagens

São ao todo dezesseis personagens e existem planos para lançamento de mais seis novos ainda este ano. Oito deles são clássicos, sendo que alguns foram bastante modificados como Dhalsim, Ken e Vega. Quatro vieram do Street Fighter Zero (R. Mika, Nash, Karin e Birdie) e quatro são novos (Rashid, Laura, Necalli e F.A.N.G.). Claro que sempre vão ter alguns que fazem falta, faz parte.

Como jogo ainda está em “construção”, vamos ver se enquanto durar a sua vida útil serão lançadas novas atualizações e quem sabe novos personagens acabem surgindo. O primeiro novo personagem a ser liberado foi Alex.

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Jogabilidade

A grande novidade é que a jogabilidade está mais “fácil”. Alguns comandos de golpes, principalmente os especiais, foram um pouco simplificados, talvez para tentar agradar a nova geração e apresentar o jogo para ela, mas sem perder a essência do jogo para quem já é fã da franquia.

Agora é ainda mais importante conhecer cada personagem e suas peculiaridades. Saber se é melhor usar soco forte ou médio, as sequências, entre outros. Isso já era importante no IV, mas ficou essencial no V. O Focus Attack do IV foi substituído por V-Trigger, o V-Skill e o V-Reversal.

O V-Skill é uma habilidade nativa de cada personagem, na qual não é necessário usar a barra de energia. A barra vermelha no canto inferior da tela é o V-Trigger, que pode ser utilizada para “transformar” seu personagem, usar um golpe especial, entre outros. Já o V-Reversal é utilizado para quebrar um ataque do adversário, mas gasta a barra de V-Trigger. Pode até parecer um pouco mais “complicado” lendo como funcionam, mas jogando é mais fácil de entender.

Conclusão

O jogo é bem divertido e traz os principais elementos que fizeram sucesso na franquia. A jogatina online é o grande atrativo, mas pode decepcionar um pouco pela demora em alguns momentos para arrumar alguém para desafiar.

Mas o grande problema é mesmo o modo offline, que deixa bastante a desejar: a falta do modo arcade é um absurdo, e os modos história e treino são bem fracos — espero que isso seja resolvido nas futuras atualizações.

Enquanto isso, o jogo não fica muito empolgante para uma partida offline sozinho em casa, mas para reunir os amigos em casa e também na parte online ele garante boas horas de entretenimento.


Classificação:


SFV-capaStreet Fighter V
Plataforma: PlayStation 4 e Microsoft Windows
Produtora: Capcom
Desenvolvedora: Capcom e Dimps

Analista de sistemas nascido em Salvador (BA) em 1980, mas atualmente morando em Brasília (DF). Cinema é sem dúvidas o meu hobby favorito. Assisto a filmes desde pequeno influenciado principalmente por meus pais e meu avô materno. Em seguida vem a música, principalmente rock e pop.

10 thoughts on “Review | Street Fighter V

  1. Se o brasileiro tivesse vergonha na cara, estava nas ruas protestando pela ausência de Blanka.
    Cada vez mais os jogos focam na experiência multiplayer online e alienam aqueles que, como eu, são adeptos da campanha single player.

    1. Anti-sociais, como nós, preferem experiência single player. Tinha que ter o Blanka! E com a camisa da CBF!

      1. Sim, a gente não pode aceitar essa alienação de quem curte single player! Antissociais do mundo, UNI-VOS!
        Não, pera.

    2. Sem o Blanka? Nunca jogarei. É meu player favorito e defendo uma invencibilidade jogando com ele contra toda a minha turma do trabalho.

      Bolinha, choquinho, bolinha, choquinho….

        1. Finalmente joguei. Sem Blanka, Menu horrível, confuso, sem o modo arcade como você falou, modo offline desejando muito a desejar e para jogar online é um suplício em sim

          1. Na Steam eu tenho 2horas de jogo e 48hs para pedir a grana de volta. Recuperei meus 33 reais, no seu caso meio que “não tem jeito” é melhor esperar por atualizações

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