Crítica | Mestres do Universo

Crítica | Mestres do Universo

O desenho “He-Man e os Mestres do Universo”, lançado em 1982, foi produzido com o intuito de vender uma série de brinquedos da Mattel (que foi lançada um ano antes). A animação fez sucesso pelo mundo e aqui no Brasil marcou a geração que viveu nos anos 1980. Nos últimos anos a franquia foi revivida através de animações na Netflix e agora em 2026 foi a vez do estúdio Amazon lançar um filme live-action chamado “Mestres do Universo”. O diretor Travis Knight, de “Bumblebee”, comanda a produção com o intuito de apresentar os personagens para uma nova geração.

O filme foca na origem do He-Man, como era de se esperar, mas faz mudanças em relação à animação. Durante um ataque de Esqueleto a Eternos, capital do planeta Eternia, o pequeno Adam é enviado pelos seus pais para o planeta Terra, onde sua mãe nasceu. Quinze anos depois, agora adulto, o jovem é tratado como louco por contar histórias de sua terra natal, enquanto busca uma forma de voltar. Um dia ele finalmente encontra sua espada, é atacado pelo Fera e é resgatado por Teela, que o leva novamente para Eternia. O planeta foi devastado por Esqueleto e a única resistência a ele é um pequeno grupo de rebeldes. A esperança é que Adam encontre uma maneira de usar a espada para derrotar o inimigo.

O roteiro encontra um equilíbrio entre levar a história e seus personagens a sério, ao mesmo tempo em que brinca com a situação e seus absurdos e exageros. Uma boa piada é a maneira como Adam encontrou para manter sua memória viva, fazendo desenhos e dando nomes aos guerreiros de Eternia. Então, quando ele os encontra e utiliza os apelidos que ele deu, que são os nomes dos personagens no desenho original, o longa-metragem demonstra o respeito enquanto brinca com as curiosas denominações, como Aríete e Fisto. É um meio de prestar uma homenagem aos fãs e de forma bem-humorada apresentá-los à nova geração que desconhecia o desenho dos anos 1980.

Esse humor funciona graças ao elenco, principalmente Nicholas Galitzine, que interpreta Adam. O ator tem um ótimo timing cômico e carisma, mas ao mesmo tempo tem o porte físico do He-Man. Inicialmente, seu corpo é disfarçado pelo figurino e, após a transformação, o ator demonstra presença física e boa performance corporal.

Já Teela, interpretada por Camila Mendes, mostra um bom magnetismo e mesmo sem superpoderes demonstra sua fisicalidade feminina. No desenho, havia um interesse romântico velado entre os dois, e o roteiro faz boas piadas com isso.

Outro destaque importante é Idris Elba, que faz o Mentor. A escolha de colocá-lo como um alcoólatra, que foi a forma como ele lidou com a derrota em Eternos, é curiosa. Para os fãs mais puristas é algo grave, mas é um elemento que funciona dentro da narrativa para construir uma redenção. No entanto, a relação de pai e filha entre ele e Teela poderia ter sido desenvolvida melhor. Ele era o seu professor de combate, então ao ter essa questão faz com que a menina tenha aprendido sozinha a se tornar uma guerreira.

No núcleo dos vilões, Jared Leto faz um bom trabalho em apresentar Esqueleto como uma figura que é ameaçadora e ao mesmo tempo caricata. Como está com maquiagem e efeitos visuais, a forma como ele desenvolveu a voz do personagem ficou bem interessante, tentando soar como se realmente não tivesse lábios. Já Alison Brie, como Maligna, tem pouco tempo de tela, mas mostra uma personagem intrigante que tem medo do seu chefe e ao mesmo tempo demonstra lealdade. Sem dúvida ela poderá ser melhor explorada em uma futura continuação.

Em relação aos momentos de ação e aventura, “Mestres do Universo” não apresenta nada de inovador, mas tem cenas convincentes. As lutas são bem filmadas, nas quais o movimento de câmera e a montagem mantêm o ritmo para que o espectador entenda o que é visto na tela, mas peca um pouco no uso exagerado de câmera lenta. A ideia é criar algo mais impactante, mas muitas vezes faz com que tudo pareça mais caricato.

Na parte técnica, os figurinos e a cenografia são os principais destaques. As roupas respeitam bastante o estilo de animação, só que com um visual mais verossímil, sem fazê-las parecer exageradas demais. Os cenários são convincentes em criar o mundo de Eternia de forma crível.

Agora sem dúvidas o elemento que mais se destaca no filme é a trilha sonora de Daniel Pemberton. O compositor poderia ir pelo caminho mais fácil e utilizar o tema do desenho, mas ele preferiu o mais difícil e foi muito bem-sucedido. Suas composições criam o clima de épico de aventura que o filme pedia e a participação do guitarrista Brian May, do Queen, acrescenta uma camada rock que funciona muito bem dentro da narrativa. Para completar, ainda temos a música “Princes of the Universe” do Queen, originalmente feita para o filme “Highlander”, utilizada em uma cena que se encaixa tão bem que parece ter sido composta para o longa-metragem. No final, Pemberton usa o tema do desenho. Para quem é fã fica difícil não se emocionar.

No final das contas, “Mestres do Universo” não se leva tão a sério e em alguns momentos parece ter consciência das próprias fragilidades. É um filme divertido e que consegue brincar com a animação original, enquanto a respeita, explorando de forma razoável os dramas dos personagens. A nostalgia funciona como efeito positivo para os saudosos do desenho dos anos 1980, mas o longa-metragem funciona para apresentar a franquia para uma nova geração.


Uma frase: – Adam: “Pelos poderes de Grayskull! Eu tenho a força!”

Uma cena: A luta entre Adam e Esqueleto.

Uma curiosidade: Apesar do fracasso do filme nas bilheterias, a Forbes noticiou que uma sequência ainda estava em desenvolvimento, citando memorandos internos da Amazon MGM Studios que expressavam satisfação com o filme e seu apelo junto a públicos de várias gerações. A Forbes também relatou que o estúdio esperava um desempenho melhor do filme no streaming.


Mestres do Universo (Masters of the Universe)

Direção: Travis Knight
Roteiro: Chris Butler, Aaron Nee, Adam Nee e David Callaham; história de Aaron Nee, Adam Nee, Alex Litvak e Michael Finch
Elenco: Nicholas Galitzine, Camila Mendes, Alison Brie, James Purefoy, Morena Baccarin, Jóhannes Haukur Jóhannesson, Kristen Wiig, Jared Leto e Idris Elba
Gênero: Ação, Aventura, Fantasia
Ano: 2026
Duração: 140 minutos

Ramon Prates

Analista de sistemas nascido em Salvador (BA) em 1980, mas atualmente morando em Brasília (DF). Cinema é sem dúvidas o meu hobby favorito. Assisto a filmes desde pequeno influenciado principalmente por meus pais e meu avô materno. Em seguida vem a música, principalmente rock e pop.

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