Crítica | Star Wars: O Mandaloriano e Grogu

Crítica | Star Wars: O Mandaloriano e Grogu

Star Wars: O Mandaloriano e Grogu”, novo filme da franquia Guerra nas Estrelas, parece um episódio duplo de uma nova temporada de The Mandalorian. Encontramos novamente Mando, interpretado por Pedro Pascal, em uma nova aventura como caçador de recompensas ao lado de Grogu, criatura fofa e com certeza o principal destaque da obra dirigida por Jon Favreau.

O filme começa com Mando caçando um ex-integrante do Império Galático. O tom de aventura e ação é definido, onde vemos alguns veículos clássicos do universo de Star Wars. Dessa forma, o clima de nostalgia é utilizado como uma maneira de agradar aos fãs.

A intenção de “Star Wars: O Mandaloriano e Grogu” é apresentar uma história que funcione tanto para quem assistiu ou não ao seriado The Mandalorian. O problema é que isso faz com que muitos elementos desenvolvidos na série não sejam aprofundados. Um bom exemplo disso é a evolução dos poderes do Baby Yoda (difícil chamá-lo de Grogu).

Após a introdução, a primeira parte do “episódio” mostra Mando recebendo sua missão principal das mãos de Ward (Sigourney Weaver), uma coronel da Rebelião. Ele precisa capturar um outro ex-integrante do Império Galáctico, o problema é que ninguém sabe exatamente quem ele é. Os únicos que possuem informações sobre ele são os irmãos gêmeos Hutt, da família de Jabba e que agora controlam os negócios da família. No entanto, para obter as informações, o protagonista terá que resgatar o sobrinho deles chamado Rotta (Jeremy Allen White).

O desenrolar da aventura segue uma estrutura semelhante à da série, onde Mando explora novos planetas e encontra figuras curiosas. Um dos destaques é a participação especial de Martin Scorsese, dando voz a um personagem digital chamado Hugo Durant. Ele fornece algumas informações sobre o paradeiro de Rotta e sua forma de falar rápida é uma característica bem marcante do próprio Scorsese. Contudo, a presença de Jeremy Allen White dando voz a Rotta parece um desperdício de talento, pois é utilizado um filtro para alterar a voz do personagem que fica praticamente impossível reconhecer o protagonista de The Bear.

Na parte técnica, o filme não parece ter tido um grande cuidado por conta dos realizadores, pois os efeitos visuais, cenografia e outros elementos, não parecem ter uma qualidade maior do que foi visto no seriado. É como se “Star Wars: O Mandaloriano e Grogu” parecesse com um longa-metragem feito para ser lançado diretamente no Disney+.

A parte inicial da perseguição de Mando tem o uso de efeitos práticos de miniaturas, que remete à trilogia original de Guerra nas Estrelas. Já para o Baby Yoda são utilizados animatrônicos e bonecos, o que torna o personagem mais engraçado e verossímil. Fora esses elementos, tudo que é visto na obra de Jon Favreau parece pouco inspirado. Ou então tenta retratar o visual dos filmes de George Lucas com pouca inventividade.

O único elemento que veio da televisão e funciona com a mesma qualidade é a trilha sonora de Ludwig Göransson. O compositor pega o tema principal da série e apresenta diversas variações, que exploram mais o tom clássico de John Williams, assim como os elementos eletrônicos, marcantes em suas trilhas. As músicas ajudam no clima de aventura e quando ouvimos os acordes da música tema de The Mandalorian é impossível não se emocionar. Afinal de contas, Göransson conseguiu deixar sua marca dentro do universo de Star Wars, o que é um grande feito pensando nas composições brilhantes feitas por Williams.

No final das contas, “Star Wars: O Mandaloriano e Grogu” funciona como um episódio bônus de The Mandalorian. É uma aventura leve e competente, mas que pouco acrescenta ao universo da série. Tem boas cenas de aventura, mas a qualidade final não é suficiente para dar um novo fôlego para a franquia Star Wars nos cinemas. Talvez seja melhor se manter na televisão e explorar outras nuances, como Andor, por exemplo, fez com primor.


Uma frase: – Mando [para Grogu]: “Os velhos protegem os jovens. E os jovens protegem os velhos.”

Uma cena: A perseguição inicial de Mando atrás de senhores da guerra neoimperialistas remanescentes do Império Galáctico.

Uma curiosidade: Os robôs gigantes que Mando enfrenta no início do filme foram animados em stop motion por Phil Tippett, que também criou os efeitos de stop motion para a trilogia original de Star Wars.


Star Wars: O Mandaloriano e Grogu (The Mandalorian and Grogu)

Direção: Jon Favreau
Roteiro: Jon Favreau, Dave Filoni e Noah Kloor
Elenco: Pedro Pascal, Jeremy Allen White, Brendan Wayne, Lateef Crowder, Jonny Coyne, Martin Scorsese e Sigourney Weaver
Gênero: Ação, Aventura, Fantasia, Ficção científica
Ano: 2026
Duração: 132 minutos

Ramon Prates

Analista de sistemas nascido em Salvador (BA) em 1980, mas atualmente morando em Brasília (DF). Cinema é sem dúvidas o meu hobby favorito. Assisto a filmes desde pequeno influenciado principalmente por meus pais e meu avô materno. Em seguida vem a música, principalmente rock e pop.

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