Crítica| Madonna and the Breakfast Club

Antes de se transformar em uma grande estrela da música pop, a cantora Madonna passou por experiências como dançarina e atriz, mas a sua grande vocação sempre foi a música. No início da carreira ela fez parte de uma banda chamada Breakfast Club junto com os irmãos Gilroy. O diretor Guy Guido resgata a história por trás desse período da estrela no documentário Madonna and the Breakfast Club.

Contudo, o cineasta não contou com depoimentos da própria Madonna, então o jeito foi dramatizar alguns acontecimentos para deixar o filme mais “elaborado”. O problema é que ao utilizar esse recurso o documentário fica com cara de produto feito para televisão. Isso funciona em alguns momentos, em outros é um pouco constrangedor, mas no final fica um saldo positivo.

O grande trunfo da dramatização é a atriz Jamie Auld que é muito parecida com Madonna, tanto que em alguns momentos é até capaz do espectador conseguir enxergá-la como a verdadeira. E além de parecida, Jamie também imita muito bem os trejeitos da cantora, principalmente a forma de sorrir. Ou seja, a presença dela compensa bastante o recurso da dramatização.

Na parte de documentário, o diretor mostra o relato de algumas pessoas que foram próximas de Madonna durante esse início de carreira. O relato dos irmãos Gilroy, principalmente de Dan, são bem interessante em apresentar um lado pouco conhecido e pessoal da cantora. Eles possuem um bom acervo com imagens e gravações de voz, que Guy Guido usa muito bem. Para quem é fã da cantora isso é um prato cheio para ver coisas raras da vida pessoal da artista.

As gravações de voz tem conversas entre Madonna e Dan Gilroy, e são coisas bem íntimas, porque os dois tiveram um relacionamento amoroso. Elas são usadas pelo diretor para reconstruir, usando a dramatização, um pouco da intimidade do casal. Essas cenas são pouco toscas, mas são válidas na tentativa de emular um pouco desses momentos íntimos da artista.

No entanto, as gravações de voz também contém as primeiras demos musicais da Breakfast Club, um material raro das primeiras canções feitas por Madonna. Para os fãs isso é muito bom, pois ajuda a entender as primeiras influências e experiências musicais da artista. E mais uma vez o diretor usa as dramatizações, agora para mostrar Dan ensinando Madonna a tocar. Nessa parte o recurso funciona de maneira mais eficiente como uma maneira de mostrar a intimidade da cantora.

Foto real na esquerda e na direita a “reprodução” do documentário

Em síntese, apesar dos altos e baixos, Madonna and the Breakfast Club é um filme que capta bem como foi o início da carreira musical de Madonna e de como ela foi parar no mundo da música. O diretor Guy Guido fez um bom trabalho em alternar entre entrevistas, imagens de arquivo e as dramatizações, transformando seu documentário em uma experiência divertida e agradável, que tem tudo para satisfazer os fãs da cantora.


Uma frase: – Dan Gilroy: “Sei o momento exato em que pensei que ela seria famosa. Ela estava com o cabelo curto, penteado para trás. Pra mim ela parecia o Bowie e o Elvis.”

Uma cena: O discurso de Madonna ao entrar para Rock and Hall of Fame.

Uma curiosidade: O filme foi exibido no Brasil no projeto Palco Cinemark.


Madonna and the Breakfast Club

Direção: Guy Guido
Roteiro:
Guy Guido
Elenco: Jamie Auld, Dan Gilroy, Ed Gilroy, Gary Burke, Daniel Davison Leonard, Norris Burroughs, Peter Kentes, Martin Schrieber, Freddy Bastone, Calvin Knie, Rogelio Douglas III, James David Larson e Madonna
Gênero: Documentário, Drama
Ano: 2019
Duração: 105 minutos

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