Crítica | Capitã Marvel (Captain Marvel)

Capitã Marvel, a heroína mais poderosa dos quadrinhos da Marvel, chega às telonas para conectar as pontas restantes do universo cinematográfico de super-heróis, que depois de dez anos promete ter um desfecho emocionante com Vingadores: Ultimato. É o filme de origem da piloto Carol Danvers e da mesma forma de toda a franquia idealizada por Kevin Feige. Também é o primeiro de 20 longas do estúdio a contar a história solo de uma personagem feminina, dirigida por uma mulher e lançado mundialmente na semana do Dia Internacional da Mulher.

O longa não só introduz a personalidade guerreira e obstinada de Carol Danvers (Brie Larson) como também apresenta os Kree e os Skrulls – duas raças alienígenas que há muitos anos vivem uma guerra interplanetária. É nesse contexto, aliás, que antes de se reconhecer como super-heroína, Carol é apenas Vers, a integrante de uma força de elite de combate Kree treinada por Yon-Rogg (Jude Law). O principal arco dramático da trama se estabelece a partir da busca de Vers por respostas sobre seu passado e origem.

Após uma fuga mal sucedida pelo espaço, Vers cai na Terra, nos anos 1990, junto com alguns skrulls. A guerreira então conhece um jovem agente da S.H.I.E.L.D. chamado Nick Fury (Samuel L. Jackson) e seu parceiro Coulson (Clark Gregg). Com a ajuda deles, Vers investiga o interesse dos Skrulls em capturá-la. Cada vez mais confusa sobre quem realmente é, a heroína começa a descobrir informações sobre seu passado que a levam à identidade da piloto da Força Aérea americana Carol Denvers, dada como morta.

São justamente os flashbacks da protagonista que ajudam a compor a personalidade girl power da heroína. Eles revelam situações metafóricas com as quais a maioria das mulheres convive desde a infância. O descrédito, a subestimação, a luta constante e, às vezes, sobre-humana, para ocupar espaços cultural e socialmente destinados aos homens. Além disso, a personagem – assim como qualquer outra mulher do mundo real – está à prova todo o tempo, mesmo quando detém e exibe o controle de todos seus super poderes.

Capitã Marvel

O empoderamento de Carol Danvers ganha ainda mais força após a piloto reencontrar a amiga e parceira da Força Aérea, Maria Rambeau (Lashana Lynch). A união e a cumplicidade das duas é inspiradora, principalmente, para a pequena Monica (Akira Akbar), filha de Maria. Com a presença dessas duas personagens, o filme cresce em representatividade e evidencia a proposta de não ser apenas mais um longa de herói do universo cinematográfico da Marvel. Ele consolida uma nova era para a cultura pop, que promete ser ainda mais transformadora para as próximas gerações de meninas e meninos.

Assim como, Mulher Maravilha foi um divisor de águas para a franquia de filmes de super herói da DC, Capitã Marvel também rompe paradigmas, subverte estereótipos, exalta a igualdade entre os gêneros e dá o pontapé inicial para oxigenar e abrir caminho para a introdução de uma diversificada leva de histórias que começarão a ser contadas nos cinemas após Vingadores: Ultimato. Tudo isso com o humor característico da fórmula Marvel e sem levantar bandeiras, mesmo que necessárias, uma vez que algumas pautas ainda são pouco palatáveis ao grande público consumidor de entretenimento.

“Acho que vi um gatinho”

Goose, o gato da Capitã Marvel – que nos quadrinhos se chama Chewie, em referência à Star Wars – é o personagem do elenco que mais rouba a cena. O nome dele foi inspirado em um dos personagens do filme Top Gun – Ases Indomáveis, estrelado por Tom Cruise. A relação do bichano com Nick Fury, no filme, e até com o líder dos Skrulls arranca risos e também garante alguns sustos inesperados. Com uma aparente fofura e docilidade, Goose se revela um melhores trunfos do longa. Alguns dos principais mistérios do universo Marvel envolvem a participação do gatinho, que também é um exemplar de uma raça alienígena vivendo clandestinamente na Terra.

Brie x Gal

Na inevitável comparação com a Mulher Maravilha da atriz Gal Gadot, a ganhadora do Oscar Brie Larson parece ainda comedida para o papel da principal heroína feminina da Marvel. O carisma e a postura de liderança que sobra para a intérprete da deusa Diana Prince falta à responsável por dar vida à piloto Carol Danvers. Tanto é assim que há poucas cenas com as quais todo o público é capaz de se emocionar ou de criar uma verdadeira identificação com a personagem. Na coreografia das lutas, Larson também não se sai tão bem quanto Gadot.

Vilões

Capitã Marvel

Assim como Mulher Maravilha, a Capitã Marvel “padece” por ser extremamente super poderosa, ironicamente, num universo majoritariamente masculino. Não há inimigo suficiente à altura dessas duas. Por isso, nesse quesito, como esperado, o longa também deixa a desejar. Inicialmente, os Skrulls são os principais antagonistas da trama. Mesmo com muita força e a habilidade de assumir a forma de outros seres, eles não fazem frente ao potencial de Vers. Depois, já como Carol Danvers, os vilões revelados no filme são belicamente incapazes de conter a super heroína.

Conexão via pager

Capitã Marvel

Na cena pós-crédito de Vingadores: Guerra Infinita, um acessório inusitado para a atualidade, deixado no chão por Nick Fury, levou os fãs à loucura. Um pager – aparelho de comunicação por mensagem muito usado na década de 90 – exibia o símbolo da Capitã Marvel. Era a confirmação de que o filme solo da heroína faria a conexão com o último longa da franquia Vingadores, nessa terceira fase da Marvel nos cinemas. Uma tarefa desafiadora e grandiosa para os roteiristas, que ainda precisariam introduzir a desconhecida personagem nesse universo.

Como esperado, o filme cumpre o que promete. Não desaponta os fãs, porque entrega a maioria das respostas para alguns mistérios como por exemplo: de que forma o Tesseract – uma das jóias do infinito, a do espaço – foi parar na Terra; e como Nick Fury ficou caolho. Além disso, a construção da parceria e da amizade de Fury com Carol Danvers é explicada no longa. Lamentavelmente, a pretexto de amarrar todas essas pontas do MCU e conectar a Capitã com o próximo longa do estúdio, o filme conta pouco da origem da heroína.

Ao final, a sensação que fica para o espectador é de que a piloto merecia e precisava ter sua história um pouco mais aprofundada nos cinemas. Muitos dos flashbacks de seu passado poderiam render cenas interessantes para o melhor desenvolvimento dos conflitos da heroína. O arco de outros personagens, como o da Dra. Wendy Lawson tinha grande potencial, mas também foi superficialmente explorado. Ainda assim, Capitã Marvel foge ao clichê da fórmula que, pela primeira vez, leva para os cinemas uma história de herói sem a companhia de um par romântico.


Uma frase: – Carol Danvers: “Eu não preciso provar nada para você.”

Uma cena: A sequência de flashbacks nos quais Carol Danvers se recorda de todas as vezes em que foi subestimada em seu potencial e seguiu persistindo em seu objetivo.

Uma curiosidade: Brie Larson é alérgica a gatos, então suas cenas envolvendo Goose foram filmadas com um fantoche ou computação gráfica.


Capitã Marvel, cartazCapitã Marvel (Captain Marvel)

Direção: Anna Boden e Ryan Fleck
Roteiro:
Ana Boden, Ryan Fleck e Nicole Perlman
Elenco: Brie Larson, Samuel L. Jackson, Ben Mendelsohn, Jude Law, Annette Bening, Lashana Lynch e Clark Gregg
Gênero: Ação, Aventura e Sci-Fi
Ano: 2019
Duração: 124 minutos

2 thoughts on “Crítica | Capitã Marvel (Captain Marvel)”

  1. Gostei bastante de Capitã Marvel e gostei também de Brie Larson. Achei um filme divertido e gostoso de se assistir fora toda a nostalgia anos 90 que caiu muito bem.

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