Crítica | Venom (2018)

* Esse texto teve a colaboração “simbiótica” de Bianca Nascimento

Apesar da Sony ter feito um acordo com a Marvel para adicionar o Homem-Aranha ao MCU, o estúdio ainda assim seguiu em frente com o projeto de Venom, baseado no clássico vilão do aracnídeo. A bem da verdade é que o personagem não faz muito sentido sem a presença do herói, a começar pelo seu próprio visual. Roteiro fraco e efeitos visuais de baixa qualidade completam o cenário desastroso do filme.

No longa, o diretor Ruben Fleischer parece o tempo todo perdido sem saber bem como construir a história de origem do anti-herói simbionte. Ou seja, ao mesmo tempo em que apresenta uma trama completamente independente do Aranha, também insere algumas referências ao universo do personagem da Marvel que simplesmente são inúteis para a trama central.

A narrativa, inclusive, desperdiça tempo de projeção para contextualizar os personagens principais: Eddie Brock, famoso jornalista de São Francisco, e Carlton Drake (Riz Ahmed) – dono da Fundação Vida, que faz experiências em humanos utilizando criaturas alienígenas. A relação dos dois é o ponto crucial de virada de Eddie. Ao ser demitido do emprego por tentar denunciar Carlton, o futuro hospedeiro de Venom vê sua vida pessoal, profissional e amorosa desmoronar.

O protagonista não se conforma com o término do noivado com Anne Weying (Michelle Williams). E, enquanto tenta conviver com os sentimentos de derrota, culpa e fracasso, Brock é procurado por uma das cientistas da Fundação Vida determinada a colocar um ponto final nas experiências. Ao buscar provas contra Carlton, o jornalista é infectado pela criatura espacial e começa sua jornada de transformação em Venom.

Eddie Brock x Venom

Toda a proposta do filme fica clara e completamente previsível para o espectador desde o primeiro ato: o intuito é tornar Venom um anti-herói. Nesse ponto, a relação entre Eddie e o simbionte tenta reproduzir o drama de Bruce Banner e seu Hulk. A receita do humano que ganha um poder quase incontrolável e passa a lidar com a questão psicológica enquanto administra seus fracassos pessoais poderia até funcionar. No entanto, o roteiro é incapaz de estabelecer essa “simbiose” química entre Eddie Brock e Venom. Os diálogos são pobres e se limitam a oferecer momentos de alívio cômico para o filme.

Além disso, a forma como Tom Hardy constrói Eddie Brock é bem irregular. O ator exagera nos trejeitos do personagem, principalmente em detalhes com o jeito de andar ou de falar. A maneira como vemos Eddie seguir a vida após perder tudo não transparece a verossimilhança necessária para adaptação cinematográfica dos quadrinhos. O espectador não consegue comprar a idéia de um homem destruído, cheio de ódio, ou que estaria disposto a fazer qualquer coisa em busca de redenção.

Qualidade técnica

Em alguns poucos momentos a obra de Ruben Fleischer parece saber o que está fazendo. Um deles está nas duas cenas entre Eddie e Anne, nas quais o cineasta aproveita da geografia de ladeiras de São Francisco, onde a história se passa, para utilizar a elevação como forma visual de mostrar o complicada relação entre os personagens. Esse detalhe da cidade é usado na perseguição de carro. A cena, porém, é construída de forma bastante irregular, com efeitos especiais também pouco verossímeis, onde a presença de “drones bombas” é absurda, servindo apenas para tornar a situação mais absurda e sem sentido.

A trilha sonora também é outro elemento perdido dentro da narrativa em busca de alguma identidade. Os temas oscilam entre algo mais moderno, com elementos de música eletrônica, com outros mais “orquestrados” e clássicos, sem funcionar de uma forma ou de outra. Ludwig Göransson tenta também misturar sons orgânicos na trilha, algo parecido com feito em Blade Runner 2049, sem obter resultado positivo.

Ação sem redenção

Para completar, Venom poderia obter algum tipo de redenção se conseguisse entregar boas cenas de ação e luta protagonizadas pelo protagonista. Infelizmente, o filme também não entrega um resultado satisfatório nesse quesito. Os efeitos visuais tem qualidade inconstante, apesar de o visual do personagem não ter ficado nem assustador e nem interessante. Parece apenas mais uma criatura digital genérica e artificial já vista em outros filmes com qualidade visual ruim.

Considerando os envolvidos na produção do filme, o resultado poderia ser bem mais interessante. Tom Hardy e Michelle Williams são atores de qualidade. O diretor Ruben Fleischer é responsável pelo excelente Zumbilândia. Fazer um filme do Venom sem o Homem-Aranha é algo que se provou não fazer o menor sentido, ainda mais que o visual do personagem é inspirado no herói da Marvel. Se não temos o Aranha, de onde veio essa coincidência visual?


Uma frase: – Eddie Brock: “Sou repórter. Sigo gente que não quer ser seguida. Precisa aprender a sumir de vista. Sou bom nisso. Mas você é péssima, seja quem for.”

Uma cena: A primeira vez que o simbionte de Eddie Brock se manifesta para lutar contra homens no apartamento dele.

Uma curiosidade: Os diretores John Carpenter e David Cronenberg e os filmes Um Lobisomem Americano em Londres (1981) e Os Caça-Fantasmas (1984) foram as principais inspirações da produção do longa.


Venom (Venom)

Direção: Ruben Fleischer
Roteiro:
Jeff Pinkner, Scott Rosenberg e Kelly Marcel
Elenco: Tom Hardy, Michelle Williams, Riz Ahmed, Scott Haze e Reid Scott
Gênero: Ação, Horror, Sci-Fi
Ano: 2018
Duração: 112 minutos

Analista de sistemas nascido em Salvador (BA) em 1980, mas atualmente morando em Brasília (DF). Cinema é sem dúvidas o meu hobby favorito. Assisto a filmes desde pequeno influenciado principalmente por meus pais e meu avô materno. Em seguida vem a música, principalmente rock e pop.

One thought on “Crítica | Venom (2018)”

  1. Esse é mais um filme que colocou algo de cena pós-creditos que vai morrer ali mesmo (igual foi com Lanterna Verde e o segundo Aranha com o Andrew), acho muito difícil rolar um Venom 2/Maximum Carnage.

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