Review | Detroit: Become Human (PS4)

Inteligência artificial, ou I.A., e andróides são elementos clássicos da ficção científica, seja no cinema, literatura, séries de tv, e claro, no mundo dos games. Detroit: Become Human, novo jogo da Quantic Dream – responsável por Heavy Rain e Beyond: Two Souls -, embarca nesse mundo fazendo paralelo no mínimo a dois outros produtos artísticos da atualidade: o filme Blade Runner 2049 e a série Westworld.

É necessário contextualizar um pouco sobre a narrativa do jogo. A história se passa em 2038 e agora os andróides são realidade, ajudando em diversas atividades, muitas consideradas “sub-empregos” como recepcionistas, operários e coisas do tipo. Estamos na cidade de Detroit nos EUA e o país está muito bem na economia, mas tem uma taxa de desemprego muito alta. Isso faz com que muitos humanos odeiem os andróides, já que graças a eles muitos perderam o emprego. Por outro lado, outras pessoas usam as máquinas no seu dia-a-dia como auxiliares, ou até mesmo como amantes.

O jogador “interpreta” 3 personagens andróides: Connor, um policial especializado em investigar casos envolvendo andróides “divergentes” – da mesma forma que o agente K de Blade Runner 2049, que são aqueles que fogem do comportamento padrão; Kara, uma dona de casa que “surta” quando seu dono começar a bater na filha dele, surgindo um sentimento de mãe que quer cuidar da criança; e Markus, que toma conta de um idoso, mas se “revolta” após ser confrontado pelo filho do homem que ele cuida.

Interpretar é a melhor forma de definir a maneira como o jogador controla os personagens, já que a narrativa segue uma linha de tomada de decisões. Então o jogador tem que dizer o que eles falam, definir seu comportamento decidir qual caminho eles irão percorrer. Essa forma de jogar segue a linha dos outros jogos da Quantic Dream, então quem tiver jogado-os não verá muitas novidades na forma de jogar.

Detroit: Become Human, Kara

Para aumentar a tensão do jogo, em alguns momentos existe tempo para tomar alguma decisão ou para realizar determinada ação. Isso incrementa a urgência e a dificuldade em se tomar decisões, aumentando a imersão na história.

Uma das diferenças é a maneira como a jogabilidade utiliza muito bem os recursos do controle do Playstation 4. Será necessário apertar uma sequência de botões para realizar uma determinada ação, que pode ser simples, ou mais complexa. Pode ser preciso também usar o sensor de movimento, então será preciso mover o controle para um dos lados, ou para cima e para baixo, para alguns movimentos. Nos games do PS3 era preciso ter um controle diferenciado. Para facilitar os jogadores novatos nesse tipo de game, existe a possibilidade de simplificar os comandos.

O game também segue uma linha parecida com o gênero point-and-click graphic adventure (algo como aventura gráfica de apontar e clicar) e muitas vezes é necessário explorar os cenários para encontrar pistas e objetos para realizar seu objetivo para seguir adiante na narrativa. No caso do policial Connor isso é essencial para a investigação das cenas dos crimes, onde é possível reconstituir o que ocorreu, algo que lembra o trabalho de detetive de Batman: The Telltale Series.

Detroit: Become Human, Connor

Outra novidade é que a cada “cena” realizada, é apresentado ao jogar uma árvore de decisões para saber qual caminho o jogador seguiu. Também são exibidas estatísticas para você saber o percentual de pessoas, ou de seus amigos, tomou a mesma decisão que você. Algo bem parecido com que a Telltale faz em seus games. Para realizar 100% do jogo é preciso jogar mais de uma vez, mas para a experiência do game ficar divertida é aconselhado jogar até o final sem repetir.

No entanto, mesmo que a temática do jogo não seja muito original, a principal graça de ser jogar Detroit: Become Human é a imersão dentro da narrativa do game, já que ela é muito interessante e se desenvolve muito bem. A cada nova cena conhecemos mais sobre os personagens, o mundo que eles vivem, entendemos suas motivações e refletimos sobre o principal questionamento relacionado a I.A.: o que nos faz humanos? O jogador segue a história de pontos de vista diferentes de cada um dos 3 andróides, então essa reflexão fará com que cada jogador interprete e jogue da sua própria maneira.

O mais interessante da história é referente a motivação que faz com que os andróides apresentem “divergência”: os maus tratos dos humanos. Como as pessoas enxergam as máquinas como meros serviçais, então não é necessário tratá-los bem. Porém, através desse comportamento as máquinas desenvolvem “medo” dos seus donos e o jeito é se defender. Seriam os andróides nossos futuros escravos?

Detroit: Become Human, Markus

O visual do game impressiona e é incrível a riqueza de detalhes tantos dos personagens, quanto dos cenários. Atores foram contratados para que encenar a história através da captura de movimentos, então a interpretação deles é fundamental para que a história funcione, principalmente por causa das expressões faciais.

Detroit: Become Human segue uma linha parecida do game Until Dawn, com uma mistura entre jogo e filme interativo. Porém, o produto da Quantic Dream segue mais próxima de um jogo, explorando bem a questão da tomada de decisão dentro da narrativa. Dessa forma o jogador precisa interagir mais com o universo apresentado pelo jogo, transformando a experiência de jogá-lo em algo muito imersivo.

A desenvolvedora conseguiu ir além do que já tinha feito nos seus games anteriores e apresenta um jogo extremamente divertido e bastante interativo, além de ser diferente do comum, mesmo que já existam alguns outros que exploram esse tipo de jogabalidade.


Classificação:


Detroit: Become Human, capaDetroit: Become Human

Plataformas: PlayStation 4
Produtora: Sony Interactive Entertainment
Desenvolvedora: Quantic Dream
Diretor:
David Cage
Elenco: Valorie Curry, Bryan Dechart, Jesse Williams, Audrey Boustani, Clancy Brown, Evan Parke, Lance Henriksen e Minka Kelly
Ano: 2018

Analista de sistemas nascido em Salvador (BA) em 1980, mas atualmente morando em Brasília (DF). Cinema é sem dúvidas o meu hobby favorito. Assisto a filmes desde pequeno influenciado principalmente por meus pais e meu avô materno. Em seguida vem a música, principalmente rock e pop.

One thought on “Review | Detroit: Become Human (PS4)”

  1. Parece mesmo fantástico e, no quesito games, acho que temos gostos bem parecidos. Se tivesse um PS4 este seria um dos motivos de comprar o console.

    Quem sabe num futuro próximo.

    A resenha ficou excelente, parabéns

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