Crítica | O Artista do Desastre (The Disaster Artist)

O que é arte? Até onde vai a amizade? Esses são alguns dos questionamentos que surgem após assistir ao filme O Artista do Desastre, dirigido e protagonizado por James Franco. Ele interpreta Tommy Wiseau, um personagem fascinante por suas peculiaridades e seu “mistério”. Wiseau é o diretor, produtor e protagonista do clássico cult “The Room“, que é considerado o melhor pior filme já feito.

O filme foca em como Tommy conheceu Greg Sestero (Dave Franco), um jovem aspirante a ator. Wiseau enxergou potencial no rapaz e propôs que fossem juntos para Los Angeles, em busca do sonho de se tornar ator profissional. Quando nada parece dar certo, os homens decidem fazer o seu próprio filme. Começa então a produção de “The Room”.

Tudo na vida de Tommy é misterioso. Seu jeito de falar tem um sotaque estranho, algo meio europeu, apesar de alegar ser de Nova Orleans. Mas a principal dúvida é sobre sua fonte de renda. O roteiro de Scott Neustadter e Michael H. Weber se inspira no livro escrito por Greg Sestero, e não se interessa em descobrir as origens de Wiseau. Não importa saber sobre o seu passado, mas sim sobre suas motivações. Essa é a parte mais intrigante da história. Sem nenhum talento ou conhecimento técnico o homem decide produzir seu próprio filme. É claro que isso se tornaria algo desastroso. Mas o que o levou a seguir em frente apesar das dificuldades e mesmo sem ninguém o levar a sério? É isso que o longa de James Franco tenta responder.

O longa é também sobre a arte de se realizar um filme. Existem diversas obras que também abordam esse tema, assim como existem diversas referências pop a cultura de Hollywood e muitas participações especiais, inclusive de alguns atores interpretando a si mesmo. É interessante notar o próprio Tommy citando, durante a produção de The Room, alguns outros diretores e seu comportamento difícil como Alfred Hitchcock. Como um desconhecido pode provar o seu talento como artista? Ou melhor, provar se ele é um gênio ou um farsante? Depende da aprovação do público ou da crítica. Mas como saber se o produto final vai ser algo genial ou medíocre?

É impossível não associar esse filme com “Ed Wood”, de Tim Burton, que também conta a história de um diretor de filmes ruins. É interessante notar como Wood e Tommy têm em comum o amor pelo cinema e de como as pessoas reagiram a seus trabalhos como artistas de forma diferente do que eles imaginavam. E ambos também tinham suas próprias peculiaridades. A principal diferença é que Wood teve que ralar para conseguir arrumar dinheiro e investidores para seus filmes, enquanto Wiseau bancou o seu próprio sonho.

James Franco poderia facilmente criar uma versão caricatural de Tommy Wiseau, mas como diretor e protagonista ele conseguiu transformar a história do personagem em uma mistura muito bem equilibrada de comédia e drama. Sua atuação é brilhante e consegue captar toda a “loucura” e singularidades de Wiseau. Além disso, a relação entre Tommy e Greg é muito bem desenvolvida. E ela é fundamental para entender como The Room foi realizado. Greg foi o único que acreditou em Tommy e a amizade entre os dois é que movimenta a narrativa.

James correu um risco em colocar seu irmão Dave no papel de Greg. Os atores se parecem fisicamente, afinal de contas eles são irmãos. Mas a caracterização dos personagens e o talento e química dos atores funciona a ponto de que essa aparência física consiga ser ignorada.

O Artista do Desastre” tenta explicar como um filme como The Room, e seu realizador Tommy Wiseau, se tornaram objeto de fascínio, a ponto de se realizar um longa contando a sua história. Esse é o objetivo de James Franco. Para legitimar o seu argumento no início do longa ele mostra o depoimento de outros artistas de Hollywood. Após assistir fica fácil entender o motivo. O ser humano tem uma certa obsessão pelo desastre e pelo bizarro, seja ao ver um acidente na rua e ficar curioso para ver, ou por uma obra de arte que todos dizem ser tão ruim, que é bom. A “curiosidade mórbida” fala mais alto nessas horas.


Uma frase: – Tommy Wiseau: Oh, oi Mark.

Uma cena: A exibição do filme The Room no cinema.

Uma curiosidade: Segundo o livro de Greg Sestero, Tommy Wiseau disse que apenas dois atores poderiam interpretá-lo na adaptação: James Franco ou Johnny Depp.


O Artista do Desastre (The Disaster Artist)

Direção: James Franco
Roteiro:
Scott Neustadter e Michael H. Weber
Elenco: James Franco, Dave Franco, Seth Rogen, Alison Brie, Ari Graynor, Josh Hutcherson e Jacki Weaver
Gênero: Biografia, Drama, Comédia
Ano: 2017
Duração: 103 minutos

Analista de sistemas nascido em Salvador (BA) em 1980, mas atualmente morando em Brasília (DF). Cinema é sem dúvidas o meu hobby favorito. Assisto a filmes desde pequeno influenciado principalmente por meus pais e meu avô materno. Em seguida vem a música, principalmente rock e pop.

One thought on “Crítica | O Artista do Desastre (The Disaster Artist)”

  1. Não conheço as personagens e a situação na qual este filme se baseia, mas me parece que “O Artista do Desastre” foi um ponto de virada na carreira de James Franco. Me parece ser um projeto ambicioso e no qual ele apostava bastante.

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