Crítica | Brooklyn (Brooklyn, 2015)

Brooklyn é uma história simples, singela e honesta com uma protagonista feminina autêntica e verdadeira, mas padece de uma condução linear e sem criatividade.

De alguma forma que para mim é incompreensível, Brooklyn alcançou imenso sucesso de crítica, público e foi indicado ao Oscar de melhor filme. Só posso imaginar que o problema é comigo mesmo. Mas como uns voz dissonante é sempre válida em meio a suspeitas unanimidades, quero crer que exerço função relativamente relevante ao remar contra a correnteza.

Brooklyn é, na minha humilde opinião um filme linear e bastante mediano. O problema não está na história, que pode ser vista como um drama de época, bastante singelo e humano e que tem o imenso mérito de ter em uma protagonista feminina não estereotipada (muito bem interpretada por Saoirse Ronan, que foi merecidamente indicada ao Oscar de melhor atriz pela atuação) seu principal diferencial. Aliás, nesse sentido, o roteiro é fiel ao tom do roteirista Nick Hornby, conhecido por fitas de igual romantismo e sensibilidade que evitam o lugar comum, como Alta Fidelidade e Um Grande Garoto.

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Mas embora conte com um bom roteiro, o diretor John Crowley carece da habilidade para desenvolver uma narrativa dinâmica e envolvente. A história se desenvolve como um navio à deriva de velas abertas, contando apenas com a sorte de bons ventos que possam vir, sem nenhum timoneiro para lhe guiar. E o trajeto sempre se dá por águas inalteradas e monocromáticas, desafiando assim qualquer esperança de emoção.

Além de Saoirse Ronan, o filme ainda conta com uma ótima atuação do sempre competente Domhnall Gleeson , que cada vez mais vem ganhando mais destaque em Hollywood, também merecidamente. Não por acaso Gleeson pode ser visto en tantos outros indicados desse ano como Ex Machina, Star Wars – O Despertar da Força e o Regresso.

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O mesmo não se pode dizer do novato Emory Cohen que faz o par romântico estadunidense de Saoirse Ronan. Cohen tem dificuldade para se encontrar no papel e não tem qualquer química com Ronan, o que acaba prejudicando tanto a identificação audiência com o casal quanto com o desenrolar dos fatos e a conclusão dramática da trama, que por mais que faça sentido considerados enredos e personagens, definitivamente nos soa estranha e até indesejável.

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Enfim, a fita tem valor e o mérito de, em uma indústria tão machista, ter a coragem de apostar em uma protagonista feminina, simples, humana e cheia de dúvidas, sem recorrer a caracterizações fáceis e, felizmente, encontrando uma excelente atriz para encarná-la. Mas para além disso, não me parece merecer tanto alvoroço. Vale a pena, mas, com certeza, não faz justo par aos outros filmes com os quais se perfila na categoria de melhor filme. Vale a conferida, e um espaço garantido e de respeito na Sessão da Tarde, mas nada muito mais além disso.


Uma frase: Dor de saudade é como a maioria das dores. Vai passar.

Uma cena: Eilis ajuda o Padre Flood a servir um grupo de velhos irlandeses no jantar paroquial de Natal, e o pároco lembra que aqueles homens, hoje esquecidos, ajudaram a construir Nova York.

Uma curiosidade: Saoirse Ronan nasceu no Bronx, Nova York, mas, filha de irlandeses, foi criada na Irlanda. Brooklyn marca a primeira vez que ela usa seu sotaque irlandês em um filme, sendo esse ponto tão importante para ela, que a mesma chegou a temer críticas pelo uso do sotaque por não parecer genuíno.


Brooklyn (Brooklyn, 2015)

Direção: John Crowley
Roteiro: Nick Hornby, baseado no livro de Colm Tóibín.
Elenco: Saoirse Ronan, Domhnall Gleeson, Emory Cohen e Jim Broadbent.
Gênero: Drama, Romance
Ano: 2015
Duração: 111 minutos.
Graus de KB: 2 – Saoirse Ronan trabalhou em Desejo e Reparação (2007) com James McAvoy que atuou em X-Men: Primeira Classe (2011) Kevin Bacon.

 



Quadrinista e escritor frustrado (como vocês bem sabem esses são os “melhores” críticos). Amante de histórias de ficção histórica, ficção científica e fantasia, gostaria de escrever como Neil Gaiman, Grant Morrison, Bernard Cornwell ou Alan Moore, mas tudo que consegue fazer mesmo é mestrar RPG para seus amigos nerds há mais de vinte anos. Nas horas vagas é filósofo e professor.

6 thoughts on “Crítica | Brooklyn (Brooklyn, 2015)”

  1. Assisti ontem a este filme simples, porém tocante! Amei a forma emotiva e engraçada pela qual a história foi contada. E o final é um dos mais lindos do último ano! 🙂 Saoirse Ronan está maravilhosa!

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