Crítica | Jogos Vorazes: A Esperança – O Final

Após 4 anos a franquia Jogos Vorazes chega ao seu capítulo final em “Jogos Vorazes: A Esperança – O Final“. Na verdade temos aqui a parte 2 de A Esperança, que na tradução brasileira acabou virando O Final. Acho que para deixar logo explícito que esse é o último filme (risos).

Ao assistir a parte 1 de A Esperança elogiei bastante o filme no Turminha do Ramon por finalmente a franquia ter mostrado que era algo mais que um filme voltado para o público adolescente focando a história mais na parte política e em seus personagens, deixando a “ação” um pouco de lado. Obviamente que a decisão de dividir em duas partes foi puramente financeira com o objetivo de lucrar mais em cima da franquia.

Após assistir a parte 2 os problemas causados pela divisão ficam ainda mais claros. Para compensar a faltar de ação da primeira parte, aqui temos longas cenas. Isso acaba prejudicando bastante o ritmo do filme. Ele começa lento e exatamente onde a parte 1 terminou. O gancho do final da parte 1 foi a volta de Peeta (Josh Hutcherson) que está perturbado pela “lavagem cerebral” feita por Snow (Donald Sutherland).  Katniss (Jennifer Lawrence) e seus amigos ainda estão tentando achar uma forma de fazer com que ele volte ao normal.

jogos-vorazes-final-foto1Enquanto isso a guerra continua e Alma Coin (Julianne Moore) ainda quer usar Katniss como incentivo as pessoas se rebelarem contra Snow. Mas a protagonista está cansada de ser usada e quer resolver sozinha a situação e ir atrás do vilão para matá-lo. Essa parte da manipulação da mídia e política, jogo de poderes e o uso da imagem de Katniss eram os temas mais interessantes da história. Infelizmente eles não são explorados tão bem quanto na parte 1 e os acontecimentos e reviravoltas não são tão bem desenvolvidos a ponto de causar o impacto que merecia.

Além disso, temos também o drama pessoal de Katniss. Afinal de contas ela não queria estar ali naquela situação e ainda tem que resolver a sua própria vida. Ela irá escolher se vai ficar com Peeta ou com Gale (Liam Hemsworth). Esse triângulo amoroso vinha sendo bem explorado sem cair na pieguice e em clichês, mas acabou não tendo um desfecho interessante. Não pelo o que acontece, porque aí vai depender do gosto de cada um em relação aos personagens, mas sim pelo jeito que é narrado sem um desenvolvimento satisfatório.

Como o filme “perde” muito tempo com cenas de ação que lembram um pouco “O Hobbit” por mostrar personagens caminhando em direção a lugar (apesar de aqui acontecerem algumas coisas pelo menos), acaba que o desenvolvimento dos personagens e da trama deixam um pouco a desejar. Uma pena pois os personagens são bem legais e muitos não tem um desfecho satisfatório. Agora quem reclamou que a parte 1 era meio lenta e não tinha ação, agora vai ficar satisfeito com as cenas de ação da parte 2 que de certa forma traz o formato dos Jogos Vorazes novamente.

jogos-vorazes-final-foto2A divisão em duas partes também quebra o clímax dessa segunda parte. O final, ou seria mais um epílogo, acaba soando um pouco lento e sem o apelo dramático e emocional que poderia ter. Uma cena de Katniss com um gato que deveria ter um apelo emocional bem forte acaba soando um pouco “ridícula” que até os fãs (fui assistir o filme logo no dia da estreia, então a sessão tava cheia de deles) deram risadas.

Em resumo após 4 filmes e 4 anos a conclusão da história deixa um pouco a desejar por acabar seguindo por um caminho mais tradicional e até um pouco conservador. Uma pena já que a franquia toca em temas bem interessantes como política de maneira muito boa, ainda mais pensando que o público alvo é adolescente. Ou talvez eu tenha criado muita expectativa principalmente após a parte 1.


jogos-vorazes-final-cartazTítulo Original: The Hunger Games: Mockingjay – Part 2 (EUA, 2015)
Título Nacional: Jogos Vorazes: A Esperança – O Final
Duração: 137 minutos
Diretor: Francis Lawrence
Roteiro: Peter Craig e Danny Strong (a partir do livro de Suzanne Collins)
Elenco: Jennifer Lawrence, Josh Hutcherson, Liam Hemsworth, Woody Harrelson, Donald Sutherland, Philip Seymour Hoffman, Julianne Moore, Willow Shields, Sam Claflin, Elizabeth Banks, Mahershala Ali, Jena Malone, Jeffrey Wright e Stanley Tucci

Analista de sistemas nascido em Salvador (BA) em 1980, mas atualmente morando em Brasília (DF). Cinema é sem dúvidas o meu hobby favorito. Assisto a filmes desde pequeno influenciado principalmente por meus pais e meu avô materno. Em seguida vem a música, principalmente rock e pop.

9 thoughts on “Crítica | Jogos Vorazes: A Esperança – O Final

      1. Finalmente assisti e posso dizer que o filme não deixa um pouco a desejar, deixa MUITO a desejar.

        Concordo com quase tudo o que escreveu, principalmente na questão do erro que foi essa divisão e do início lento (dormi umas 6 vezes).

        Só não concordo com a nota, daria 2 bacons. Um final decepcionante para uma série tão importante.

          1. A parte 1 vc fala deste filme mesmo a sua primeira metade? É a pior sequência da franquia até aqui para mim.

  1. Eu terminei de escrever minhas impressões e achei o filme razoável apenas, mantendo a linha geral do que foi a série nos cinemas. Algumas coisas que escrevi se aproximaram bastante do que o Ramon escreveu.

    Abraços!

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