Until Dawn (PS4): jogo ou filme interativo?

Eu estava de férias na Espanha e um dia estava num hotel assistindo tv quando por acaso vi um programa sobre games com uma reportagem sobre o jogo “Until Dawn”, lançamento exclusivo do PS4. Foi assim que fiquei sabendo sobre ele. Quando vi me perguntei: Until Dawn (PS4): jogo ou filme interativo? Então se eu por acaso não tivesse ligado a tv nesse dia, talvez não tivesse escrito sobre o jogo porque nunca o teria jogado e você, caro leitor, não estaria lendo esse texto agora.

Efeito borboleta

Essa introdução foi justamente para falar sobre o ‘Efeito Borboleta’, que é o grande chamativo do jogo. Para quem não sabe, essa teoria fala que o “simples bater de asas de uma borboleta poderia influenciar o curso natural das coisas”. Então os desenvolvedores da Supermassive Games, que criou o jogo, fizeram um algoritmo no jogo baseado nessa teoria. Dessa forma uma decisão tomada pelo jogador durante o jogo irá influenciar no desenrolar da trama e afetará o rumo da história.

Existem outros jogos que seguem numa linha bem parecida. O avanço e desenvolvimento da capacidade dos jogos só faz melhorar a experiência nesse tipo de jogo. Eles são conhecidos como “dramas interativos”. Eu já joguei “Heavy Rain”, “Beyond Two Souls” e “The Walking Dead”, todos eles no PS3. Todos eles me impressionaram por trazer uma experiência diferente dos “jogos comuns” por ter essa interatividade e deixar o jogador explorar uma jogabilidade diferente.

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Filme de terror

A história de “Until Dawn” pega várias referências de filme de terror. O roteiro escrito por Graham Reznick e Larry Fessenden reúne um grupo de jovens numa casa no topo de uma montanha. Então aparece um serial killer que começa a caçá-los. Bom, isso é uma forma extremamente resumida da história, mas em quantos outros filmes você já viu algo parecido? “Sexta-feira 13”, só para citar um. Mas as referências vão mais além misturando também elementos de “Jogos Mortais” (personagens são colocados em “jogos” que decidem a vida de outros personagens), “Pânico”, entre muitos outros. Se eu for ficar citando as referências o texto vai ser somente sobre isso (risos).

São 8 personagens principais: Sam (Hayden Panettiere), Mike (Brett Dalton), Josh (Rami Malek), Chris (Noah Fleiss), Ashley (Galadriel Stineman), Emily (Nichole Bloom), Matt (Jordan Fisher) e Jessica (Meaghan Martin). Mas na verdade tudo começa com a morte das irmãs gêmeas Hannah e Beth (ambas “interpretadas” por Ella Lentini).

O grupo estava reunido na casa e resolvem fazer uma brincadeira com uma das irmãs. Chateada ela sai correndo enquanto a outra vai atrás e elas acabam desaparecendo (não vou contar como, já falei demais). Um ano após a morte delas, Josh, irmão das duas, resolve reunir os amigos novamente para tentar superar o ocorrido.

Quando todos se reúnem começam a rolar aquela “tensão” sobre superar o ocorrido, sentimento de culpa e coisas do tipo. Aí é que começam a ocorrer coisas estranhas. Seriam elas simplesmente brincadeira ou tem algo mais envolvendo? Durante o jogo vão surgindo elementos para explicar o que aconteceu e o que mais está por trás dos ocorridos.

A trama apesar de reunir diversas referências e clichês de filmes de terror e suspense acaba funcionando bem por serem utilizadas de maneira interessante. Afinal de contas você está interagindo com a história. E isso é um ponto que vale destacar. Por exemplo, em filmes a gente sempre reclama das decisões idiotas que os personagens tomam. Mas aqui a maioria das decisões é você mesmo que toma. Então é bom ver que as vezes decidir rapidamente nos faz tomar decisões que inicialmente não parecem idiotas, mas acabam sendo.

É bom ressaltar aqui a escolha de atores. Após “Beyond Two Souls”, que era “estrelado” por Ellen Page, esses tipos de jogos estão sentindo a necessidade de ter atores um pouco mais conhecidos. No caso temos Panettiere da série “Heroes” e Dalton de “Agents of SHIELD”. Outro conhecido que também está no elenco é Peter Stormare de “Prison Break”. Como a interpretação e fisionomia dos atores são obtidas por captura de movimentos, acaba ajudando na divulgação do jogo ter nomes conhecidos, como se fosse mesmo um filme.

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Jogo ou filme interativo?

Durante o jogo você irá controlar todos os 8 personagens de forma alternada, isto é, a cada momento um diferente. As vezes você vai estar sozinho, mas muitas vezes vai estar mais de um junto e você só controla um deles. Aí entra a graça do jogo com o algoritmo de efeito borboleta. Como você que toma algumas decisões, vai depender de você o destino dos personagens. Aí entra a sua empatia com eles, o que você acha que é certo ou não e coisas do tipo. Algo parecido com um jogo de RPG, mas você tem que “interpretar” todos os personagens alternadamente. Geralmente as decisões envolvem duas escolhas. De coisas simples tipo ir para esquerda ou direita, mas podem envolver tentar ajudar outro personagem ou se salvar, ou algo bastante comum em filmes de terror: correr ou se esconder.

Agora digamos que você escolha correr, então durante a corrida sua ação como jogador é ter que apertar algum botão do controle na hora que ele apareça na tela. Caso você não aperte a tempo ou aperte o botão errado, seu personagem pode tropeçar (por exemplo) e acabar sendo capturado por quem o estava perseguindo. Isso faz com que o jogo se aproxime mais da jogabilidade dos “jogos comuns”. Tem até tiros em 1ª pessoa, só que de forma bem simplificada.

O controle do PS4 tem sensor de movimento, algo parecido com o controle do Nintendo Wii. Então você pode escolher entre o modo normal ou o que usa o sensor. Eu totalmente recomendo o uso do sensor pois vai trazer uma experiência bem mais interativa. Por exemplo, tem uma porta que você quer derrubar, então você tem que fazer o movimento de empurrar o controle para frente para realizar a ação. Mas o mais legal é quando você tem que ficar parado sem mexer no controle. E ele fica tremendo. Qualquer pequeno movimento pode custar a vida de um dos personagens (isso aconteceu comigo).

No mais você controla o personagem com o controle numa jogabilidade que lembra um pouco os jogos da série “Resident Evil”. Não é necessariamente em 1ª pessoa, a câmera vai alternando e tem alguns ângulos bem estranhos e interessantes que ajudam a criar a tensão e suspense no jogo. Você vai caminhando usando o direcional e vai interagindo com o ambiente em busca de itens e pistas sobre o que está acontecendo.

Agora quem se arrepender de alguma decisão não vai poder voltar atrás para mudá-la. Quer dizer, pelo menos não imediatamente. O jogo salva automaticamente a cada decisão tomada, então não da para voltar para o “save” anterior. A não ser que você queira jogar tudo de novo do início. Mas relaxe, após terminar o jogo é possível jogar novamente cada capítulo e tentar mudar a história. O melhor é jogar sem se preocupar com isso.

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Recepção e conclusão

Como falei no início do texto, conheci o jogo por acaso na televisão. Parece que a própria Sony não estava apostando muito no sucesso do jogo. Sendo que esse foi um dos poucos jogos exclusivos para o PS4 que foram lançados em 2015. Felizmente o jogo vendeu muito bem ficando entre os 10 mais vendidos em Agosto e também foi o mais popular no Youtube no mesmo mês.

Isso com certeza vai fazer com que outros jogos do tipo “drama interativo” sejam lançados. Ou melhor ainda, que ajude a levar esse conceito para outros tipos de jogos. Imaginem um jogo como “Last of Us” que tem uma história muito boa deixasse o jogador tomar mais decisões dramáticas. Seria incrível! O mais próximo que eu já joguei que mistura bem isso foi “L.A. Noire” no qual o jogador estava investigando um crime e durante o interrogatório de uma pessoa tinha que decidir se a pessoa estava falando ou não a verdade. O futuro dos games reserva ainda caminhos bem interessantes.

Ao ir avançando os capítulos do jogo ele vai desbloqueando videos sobre a realização dele. E eles são bem interessantes ao mostrar o elenco, como foi feita a trilha sonora, captura de movimentos dos atores, entre outros. Mas o que mais me chamou a atenção foram os testes. Eles colocaram pessoas de diversos tipos diferentes (idade, gênero, etc) para jogar e analisavam suas reações. Se um susto ou tensão não funcionasse direito eles iam e mudavam o jogo.

O personagem de Peter Stormare é um psicólogo que aparece entre um capítulo e outro do jogo fazendo algumas perguntas para o jogador, que dessa vez não sabe qual personagem está “interpretando”. Seria algum dos 8, algum diferente, ou você mesmo o jogador? Entre as perguntas estão por exemplo: o que você sente mais medo? Aí te da duas opções para escolher. Isso acaba sendo usado para te assustar mais pra frente no jogo. Por mais que seja de maneira meio sutil (não interfere muito na trama), não deixa de melhorar ainda mais a experiência do jogo.

Após jogar vi que isso realmente deu muito certo. O jogo vai construindo muito bem o clima de terror e suspense. Em alguns momentos ele apela para o susto fácil, aquele que alguma coisa aparece do nada na tela, e isso é normal em filmes de terror. Mas não pode ser apenas isso, e aí o jogo realmente se sai muito bem.

O resultado é um jogo que tem tudo para agradar os jogares mais hardcore que estejam interessados numa experiência diferente de jogo, como também jogadores casuais que nunca tenham jogado outro jogo antes. Para isso, é claro, precisa também gostar de filmes de terror, afinal de contas, nem todo mundo gosta de sentir medo, mesmo sabendo que é apenas um jogo de videogame. Os fãs do gênero com certeza são os que vão se divertir mais.

E sim, respondendo a pergunta do título do texto: Until Dawn (PS4): jogo ou filme interativo? Funciona dos dois jeitos! É uma mistura de jogo com filme interativo, acho que é a melhor definição. Os desenvolvedores dizem que é possível terminar o jogo com todos os personagens vivos. No meu caso apenas 3 sobreviveram. Isso faz com que se fique com vontade de jogar novamente e tentar fazer as coisas diferentes. Como o jogo não é muito grande, jogar novamente tem tudo para ser uma nova experiência sem se tornar algo cansativo. Sem dúvidas vou jogar mais um pouco antes de passar para o próximo game.

***Clasificação***


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Until Dawn
Plataforma: Playstation 4 (exclusivo)
O jogo tem legenda em português
Produtora: Sony Computer Entertainment e Supermassive Games (desenvolvedora)
Roteiro: Graham Reznick e Larry Fessenden
Elenco: Hayden Panettiere, Brett Dalton, Rami Malek, Ella Lentini, Noah Fleiss, Galadriel Stineman, Nichole Bloom, Jordan Fisher, Meaghan Martin, Larry Fessenden e Peter Stormare

Analista de sistemas nascido em Salvador (BA) em 1980, mas atualmente morando em Brasília (DF). Cinema é sem dúvidas o meu hobby favorito. Assisto a filmes desde pequeno influenciado principalmente por meus pais e meu avô materno. Em seguida vem a música, principalmente rock e pop.

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