Review | Batman: The Telltale Series

Após Batman Arkham Knight, parecia bem complicado fazer um jogo baseado no herói da DC. Felizmente, a Telltale Games trouxe uma abordagem bem interessante para o personagem: a produtora e desenvolvedora é especializada em jogos do tipo point-and-click graphic adventure (algo como aventura gráfica de apontar e clicar), só que ela vem aprimorando o estilo colocando elementos de RPG como tomadas de decisão e desenvolvimento de personagem, como já vimos em outros jogos bem interessantes, como o baseado na série de TV The Walking Dead.

Em Batman: The Telltale Series, vemos um Homem Morcego com pouco tempo de serviço, então caberá ao jogador moldá-lo, definir qual será a personalidade do personagem ainda iniciante. Durante a partida, é possível controlar tanto o herói quanto seu alter ego Bruce Wayne, e definir como será a abordagem de cada um deles. Por exemplo, cabe a você decidir se será violento ou se irá poupar a vida de algum bandido. Assim o jogador pode definir como quer passar a mensagem como Batman sem se preocupar com o passado dele, principalmente o dos quadrinhos.

O jogo funciona meio como um filme interativo, seguindo uma linha parecida também com jogos como “Until Dawn”, só que numa versão mais simplificada: durante os diálogos, aparecem opções para o jogador decidir o que irá responder. Já nas partes de ação, aparece na tela a sequência de botões a serem apertados para conseguir ser bem sucedido. Mas o mais interessante e divertido são mesmo as tomadas de decisão que envolvem apenas duas escolhas. Geralmente são escolhas bem difíceis, que irão definir o rumo da história e a personalidade do Batman/Bruce Wayne. E não tem muito tempo para pensar, tem que resolver rápido, o que pode levar o jogador a tomar uma decisão precipitada que irá se arrepender futuramente (risos).

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Tal como no jogo do Walking Dead, ao final de cada capítulo (são ao todo cinco, mas por enquanto apenas o 1º, chamado Realm of Shadows, foi disponibilizado) aparecem as estatísticas com o percentual de escolhas de todas as pessoas que já jogaram até então, permitindo analisar se suas escolhas foram parecidas ou não com as dos outros. A novidade fica por conta do modo de jogo “crowd play“, no qual é possível jogar com a participação de uma audiência, que pode tomar parte do processo de decisão.

Outro ponto interessante do jogo é a parte do Batman agindo como detetive. Ao chegar numa cena de crime, o jogador tem que procurar por pistas, e depois fazer a ligação entre elas para descobrir o que aconteceu e assim reconstituir o ocorrido. Destaque também para quando o jogador tem que montar toda a ação do Batman: você analisa o local e o posicionamento dos vilões, e vai escolhendo como será a abordagem em cima de cada um para depois colocar em prática o plano.

Na parte gráfica, a Telltale criou um novo motor gráfico para o jogo, mas ele decepciona um pouco com um visual que não faz jus aos videogames da nova geração. Isso não chega a atrapalhar a experiência do jogo, mas não deixa de ser um ponto negativo.

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No fim das contas, esse 1º episódio “Realm of Shadows” (Reino das Sombras) é um começo bastante promissor. O game mostra uma jogabilidade bem interessante e uma história com uma nova abordagem dentro do universo do Batman, permitindo ao jogador definir a personalidade herói de acordo com sua vontade. E essa é a graça desse estilo de jogo: dar liberdade ao jogador em definir não apenas o rumo da história, mas também as características do personagem controlado. Isso transforma a experiência em algo bem mais divertido e interessante, principalmente para quem quer algo diferente dos jogos tradicionais.


Classificação:

 


Batman-Telltale-cartazBatman: The Telltale Series

Plataformas: PC (Steam), PlayStation 4 e Xbox One
Produtora: Telltale Games
Desenvolvedora: Telltale Games
Diretor:
Kent Mudle
Roteiro: Zack Keller & Chris Hockabout
Ano: 2016

Analista de sistemas nascido em Salvador (BA) em 1980, mas atualmente morando em Brasília (DF). Cinema é sem dúvidas o meu hobby favorito. Assisto a filmes desde pequeno influenciado principalmente por meus pais e meu avô materno. Em seguida vem a música, principalmente rock e pop.

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