Game Review | God of War Sons of Sparta
Curiosamente, Sony anunciou “God of War Sons of Sparta” de surpresa em fevereiro de 2026 e logo em seguida ele já estava disponível para compra. Isso fez com que não fossem criadas grandes expectativas em relação ao novo game da Santa Monica Studio em parceria com Mega Cat Studios. O grande diferencial do jogo é ser uma aventura em 2D de plataforma protagonizado por um jovem Kratos.
Além disso, trata-se de um Metroidvania com estética retrô em pixel art. Como um bom jogo do gênero, o início é um pouco lento. O jovem Kratos ainda tem poucas habilidades e a jogabilidade é um pouco básica. Ainda assim, para quem é fã da franquia God of War a empolgação cresce conforme a trama avança e do desenvolvimento do personagem.
A trama mostra Kratos adulto, dublado por TC Carson, contando para sua filha Calliope uma aventura de quando ele tinha 13 anos de idade. O jovem Kratos e seu irmão Deimos treinam para fazer parte do exército de Esparta. A ideia do pai é contar uma história sobre o significado do dever. A trama é razoável, mas não é o forte de “God of War Sons of Sparta”, principalmente se comparar com os outros jogos da franquia.
Durante a evolução da personalidade de Kratos percebemos alguns traços que se tornaram marcantes em outros jogos, como a ausência de medo e a tendência de não levar desaforo para casa. A relação dele com o irmão Deimos é interessante, pois o mais novo é bastante teimoso e nem sempre ouve o mais velho. E isso, claro, os leva a se meter em algumas confusões.
Além do gráfico e da jogabilidade em 2D, um outro elemento que chama a atenção logo no começo do jogo é a trilha sonora de Bear McCreary, compositor responsável pelas músicas de God of War de 2018 e a continuação Ragnarök de 2022. Os novos temas fazem uma bela mistura de nostalgia gamer, com sintetizadores que remetem aos jogos de 8 e 16 bits, com a pegada épica marcante da franquia. O mapa do jogo é bem grande e temos diversas áreas com visuais diferentes e a trilha define bem para o jogador o clima de cada uma delas.
Estamos diante de um Metroidvania, então é claro que o mapa é um elemento importante. Como um bom jogo do gênero, muitos lugares só serão alcançados com a evolução do jogador ou descoberta de alguma nova habilidade. No entanto, o desenho do mapa na tela tem algumas “pegadinhas”, onde o jogador acha que é possível passar por ali, mas só descobre que não é possível quando chega no local. Por isso, o game disponibiliza ferramentas para marcar o mapa e assim sinalizar áreas que ainda estão inalcançáveis, onde será necessário retornar em algum momento.
Em relação ao combate com os inimigos, como o protagonista é o jovem Kratos, ele ainda não possui sua clássica arma Blades of Chaos. Em “God of War Sons of Sparta” ele usa uma lança e um escudo para atacar e se defender. A vantagem desse armamento é permitir que o jogo apresente uma mecânica de combate própria, criando identidade e diferenciando-se do restante da franquia. Contudo, a evolução das habilidades de ataque e defesa lembram muito os outros jogos da Santa Monica Studio onde os pontos acumulados garantem melhorias para o personagem.

A jogabilidade é um pouco simples e parece um pouco engessada no início do jogo. Felizmente com o avançar da evolução do personagem, isso melhora. Inicialmente temos um botão de ataque, outro de defesa e um de pulo. Em seguida surge a esquiva, com isso, forma-se a base da mecânica do jogo.
Os inimigos que surgem na tela parecem fáceis de serem derrotados inicialmente, mas aos poucos o nível de dificuldade aumenta. Dessa forma, nem sempre basta chegar atacando diretamente, é necessário aplicar uma tática de ataque alternando com defesa e esquiva. E claro, como estamos falando de um Metroidvania, temos alguns chefes de área. O nível de dificuldade deles varia, mas são poucos os que exigem grandes habilidades do jogador. Muitas vezes os adversários comuns das fases apresentam desafios maiores. No entanto, o jogo oferece diferentes níveis de dificuldade, então quem quiser um desafio maior é só escolher o modo mais difícil.
Outro ponto importante é o tamanho do jogo. “God of War Sons of Sparta” pode parecer no início um jogo simples e que não demanda muitas horas para chegar ao final. Contudo, o game da Sony surpreende por oferecer uma boa complexidade. Se optar por cumprir apenas os objetivos essenciais, talvez em 8 horas consiga terminar. Mas como o jogo te prende em querer realizar todos os desafios, pode reservar pelo menos umas 15 horas para se dar por satisfeito.
Em síntese, quem espera um God of War próximo dos jogos anteriores pode se decepcionar. Mas quem é fã da franquia e de um bom Metroidvania, com certeza aproveitará muitas horas de diversão.


God of War Sons of Sparta
Plataformas: PlayStation 5
Desenvolvedor: Mega Cat Studios e Santa Monica Studio
Distribuidor: Sony Interactive Entertainment
Gênero: Metroidvania
Ano: 2026
