Crítica | Batem à Porta

Crítica | Batem à Porta

Tenso do início ao fim, o novo filme do diretor M. Night ShyamalanBatem à Porta – é inspirado no romance O Chalé no Fim do Mundo. Shyamalan, que emplacou grandes sucessos como O Sexto Sentido e Corpo Fechado, é famoso por filmes que trazem uma grande reviravolta, entretanto, em Batem à Porta, o diretor subverte seu próprio estilo e coloca todas as cartas na mesa logo no início e sem deixar a peteca cair. 

A trama mostra uma família LGBTQIA+ que passa férias em uma cabana, na floresta. Eric (Jonathan Groff), Andrew (Ben Aldridge) e sua filhinha Wen (Kristen Cui) têm seus dias de tranquilidade interrompidos quando invasores capturam o trio com uma única demanda: a família precisa escolher entre si para um sacrifício que impediria o apocalipse.

Com essa premissa simples – sacrificar um para salvar bilhões – o diretor desenvolve bem os momentos de tensão, e faz o público pensar se é possível sacrificar alguém que se ama por desconhecidos. Shyamalan se aproveita também de um dos temas mais em voga na atualidade: as fake news. O fato de que nem a família e nem mesmo o espectador acredita que o mundo vai acabar gera todo o imbróglio da trama.

Em um mundo onde não se sabe mais o que é verdade e o que é mentira, onde milhões de pessoas vivem em uma realidade alternativa em que haverá a “implantação do comunismo”, “mamadeira de piroca” e “kit gay”  em escolas, e todo tipo de desinformação vinda de um submundo tóxico de notícias inventadas para gerar o pânico moral, o filme de M. Night traz uma reflexão – ainda que rasa – sobre o que vemos, que tipo de informações nos alimentam e qual é o nosso estado emocional para ingerir esse ou aquele conteúdo. 

O elenco do longa é outro grande trunfo do roteiro e tem Dave Bautista (Drax de Guardiões da Galáxia) como destaque. Rupert Grint (Rony de Harry Potter), Jonathan Groff (Mindhunter), Ben Aldridge (Fleabag) e Kristen Cui (Wen) enriquecem a trama com atuações equilibradas e dramáticas, ainda que alguns tenham bem pouco tempo de tela.

Ainda que M. Night Shyamalan tenha tido fracassos como Vidro e Fragmentado, e que talvez nenhuma de suas produções consiga ser melhor que O Sexto Sentido (1999), Batem à Porta é um thriller que funciona muito bem e que pode levar a reflexões importantes sobre escolhas difíceis e o quão expostos a conteúdos estamos, dependendo de nossos estados emocionais.


Uma frase: “Acho que vocês foram escolhidos pelo amor puro que existe entre vocês”

Uma cena: Quando a bebê Wen é adotada pelo casal.

Uma curiosidade: Night Shyamalan escalou Dave Bautista após ficar impressionado com sua performance em Blade Runner 2049 (2017).


Batem à Porta (Knock at the Cabin)

Direção: M. Night Shyamalan
Roteiro: M. Night Shyamalan, Steve Desmond e Michael Sherman
Elenco: Dave Bautista, Jonathan Groff, Ben Aldridge, Nikki Amuka-Bird, Kristen Cui, Abby Quinn e Rupert Grint
Gênero: Terror, Mistério, Suspense
Ano: 2023
Duração: 100 minutos

Elaine Fonseca

Jornalista, servidora pública e nerd.

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