Crítica | Turma da Mônica: Lições

Crítica | Turma da Mônica: Lições

O diretor Daniel Rezende acertou bastante ao dirigir o primeiro filme live-action da Turma da Mônica. Inspirado na HQ dos irmãos Vitor e Lu Cafaggi, era natural que a continuação também fosse adaptada para os cinemas. “Turma da Mônica: Lições” reúne o mesmo elenco principal, o mesmo cineasta no comando e mais uma vez transpôs para o cinema um quadrinho dos Cafaggi. O mais impressionante é como a produção, assim como os atores principais, apresenta uma evolução e amadurecimento, que é refletido totalmente na tela.

A história de “Turma da Mônica: Lições” gira basicamente em torno do tema amadurecimento. Na HQ não ocorre uma diferença muito grande de idade entre “Laços” e “Lições”, mas no “mundo real” é diferente, já que o elenco envelhece de verdade. Assim, é possível ver nitidamente que os atores principais já estão mais velhos. Contudo, apesar do avanço dos anos, o roteiro de Thiago Dottori e Mariana Zatz mantém a essência da trama dos quadrinhos, fazendo leves adaptações pela questão da idade dos intérpretes.

Na trama a turminha se mete em uma confusão ao tentar fugir da escola por não ter feito a lição de casa, pois estavam ocupados ensaiando para uma adaptação da peça Romeu e Julieta. Assim os pais da Mônica decidem colocar a jovem em outra instituição de ensino longe dos amigos “encrenqueiros”, dessa forma ela ficará longe de problemas. Inicialmente Cebolinha e Cascão acham bom, pois agora podem ser os donos da “lua”, mas não demoram para perceber a falta que a “dentucinha” faz. Magali também apresenta sinais de ansiedade pela falta da amiga e começa a comer ainda mais. Mas será que é melhor para eles esse afastamento? Dessa forma eles poderiam amadurecer. Mas e a amizade? É necessário um plano infalível para resolver essa situação e colocar os amigos juntos novamente.

O roteiro, assim como foi feito em “Laços”, incluiu novos elementos na narrativa para complementar a trama básica apresentada na HQ dos Cafaggi. Em “Lições” temos novos personagens que são apresentados de maneira orgânica na trama, para que não sejam simples easter eggs. É interessante ver como cada um cumpre um papel importante na história, como por exemplo a presença de Tina (interpretada por Isabelle Drummond) que passa um pouco da sua experiência para Mônica. Ou então o Do Contra (Vinícius Higo), que apresenta momentos hilários da sua “contrariedade” ao conversar com Cascão sobre o medo dele que ele tem de água.

É preciso afirmar também como a narrativa explora ainda melhor as características marcantes dos personagens. É cômico e interessante ver Cebolinha indo para uma consulta em um fonoaudiólogo ou Magali lidando com ansiedade. Essas características os transformam em figuras humanas e de fácil reconhecimento pelo público, que tem uma forte conexão emocional com eles.

Sabendo desse vínculo emocional, o diretor Daniel Rezende explora ele ao máximo, sendo praticamente impossível para o espectador (especialmente os fãs da Turma da Mônica) não se emocionar com a narrativa. A trilha sonora ajuda nesse quesito, principalmente no uso do tema composto para o filme anterior, que virou o principal dos personagens. Os atores também estão mais à vontade em desempenhar seus papéis e após a introdução feita em “Laços”, em “Lições” eles exploram melhor as nuances de cada personagem.

Para completar, Rezende mais uma vez apresenta um primor técnico que não é padrão para um produção infanto-juvenil desse tipo. Tudo em “Turma da Mônica: Lições” chama a atenção pela qualidade, seja por movimentos de câmera criativos e complexos, planos sem corte, ou por detalhes nos cenários e elementos de cena, que apresentam diversas referências pop ao universo criado por Maurício de Sousa – e identificá-los se torna uma diversão à parte.

Em síntese, “Turma da Mônica: Lições” apresenta amadurecimento dentro e fora da tela. A narrativa explora muito bem o tema, enquanto a produção mostra que era possível fazer um filme ainda melhor que “Laços”.


Uma frase: – Cebolinha: “Mônica, você faz planos infalíveis bem melhor do que eu. Por isso que a gente é a tulma da Mônica.”

Uma cena: A encenação da peça Romeu e Julieta.

Uma curiosidade: O filme foi gravado inteiramente em Poços de Caldas, MG. O elenco chegou no local das filmagens no dia 7 de janeiro de 2020, e voltaram para São Paulo após o término das filmagens no dia 12 fevereiro de 2020, poucas semanas antes da pandemia do COVID-19 no Brasil.


Turma da Mônica: Lições

Direção: Daniel Rezende
Roteiro: Thiago Dottori e Mariana Zatz
Elenco: Giulia Benite, Kevin Vechiatto, Laura Rauseo, Gabriel Moreira, Malu Mader, Isabelle Drummond, Laís Villela, Emilly Nayara, Lucas Infante, Vinícius Higo, Rodrigo Kenji, Giovani Nicholas, Tiago Minski Schmitt, Ítalo Viana, Monica Iozzi, Paulo Vilhena e Fafá Rennó
Gênero: Aventura, Comédia, Família
Ano: 2021
Duração: 97 minutos

Ramon Prates

Analista de sistemas nascido em Salvador (BA) em 1980, mas atualmente morando em Brasília (DF). Cinema é sem dúvidas o meu hobby favorito. Assisto a filmes desde pequeno influenciado principalmente por meus pais e meu avô materno. Em seguida vem a música, principalmente rock e pop.

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