Crítica | Um Broto Legal

Crítica | Um Broto Legal

A cantora Celly Campello pode ser considerada a primeira popstar do rock brasileiro e o filme “Um Broto Legal”, do diretor Luiz Alberto Pereira, conta um pouco da sua breve trajetória de sucesso na música nacional. O filme foca nela e também na história do seu irmão Tony, já que foi ele o principal apoiador da carreira dela e que também tinha intenção de se tornar cantor.

A história de Celly foge dos principais clichês de cinebiografias musicais, já que ela não teve uma vida de excessos e também não passou por uma jornada de ascensão e queda. Ela era uma menina do interior de São Paulo, de Taubaté, e sempre gostou de cantar. Na sua cidade era apresentadora de um programa de rádio e cantava ao vivo nele, mas não tinha pretensões de se tornar uma grande artista. Quem tinha esse sonho era seu irmão Tony, que foi para a capital do estado trabalhar, mas na verdade o que realmente queria era virar cantor e não demorou para ganhar a oportunidade de gravar uma música. Ele aproveitou e também chamou a irmã para participar e a jovem chamou mais a atenção do que ele.

A trama se passa no final dos anos 1950 e início dos 60, então esse contexto histórico é importante para entender a trajetória dos irmãos Campello. Primeiro a família, especialmente a mãe, não queria que nenhum dos seus filhos se tornasse artista. Segundo era o surgimento do rock e as gravadoras queriam trazer essa nova moda para o Brasil, assim fazia versões de músicas estrangeiras ou gravava canções em inglês para apresentar novos artistas e os que chamavam mais a atenção gravavam discos e músicas próprias.

O filme aborda um pouco sobre esses temas e apesar da história focar inicialmente em Tony, é o dilema de Celly que é o principal da narrativa. Apesar da jovem amar a música, no seu coração também tem espaço para o namorado Eduardo. O rapaz inicialmente não se opõe à carreira musical da moça, mas quando ela começa a fazer sucesso fica claro que ele não apoia e diz não conseguir se encaixar nesse estilo de vida.

Um Broto Legal” é uma produção modesta e na parte técnica parece uma produção feita para televisão por não ter orçamento para muitos cenários ou uma fotografia mais apurada. Ainda assim, o filme se esforça em encontrar locações com o visual da época, se preocupando também com detalhes vistos no cenário e também apresenta um figurino convincente. O tom do roteiro também explora um pouco um estilo similar a uma telenovela, focando principalmente na história de amor entre Celly e Eduardo.

Apesar dessas limitações, o diretor Luiz Alberto Pereira sabe do poder das músicas de Celly, então como uma boa cinebiografia é nos momentos musicais que o filme ganha sua maior força. A protagonista Marianna Alexandre surpreende com seu talento como cantora e também como atriz, esbanjando carisma. Ela consegue dar vida a Celly Campello de forma convincente, especialmente quando canta usando a sua própria voz, ao invés de dublar. As cenas que recriam algumas das apresentações da cantora feitas na televisão são os pontos altos de “Um Broto Legal”.

Em síntese, “Um Broto Legal” é um filme relevante por relembrar a importância da carreira de Celly Campello, que talvez por sua breve vida artística não seja tão lembrada quanto outros artistas da época como Wanderléa e Erasmo Carlos, que inclusive também teve sua cinebiografia chamada “Minha Fama de Mau”. A obra de Luiz Alberto Pereira tem suas limitações, mas encontra o seu potencial ao celebrar as canções de Celly.


Uma frase: – Eduardo: “Você é a rainha do rock, mas eu não sou seu rei.”

Uma cena: Celly gravando a sua primeira música no estúdio.

Uma curiosidade: O filme conta com uma consultoria muito especial: Tony Campello, irmão mais velho de Celly que morreu em 2003, que, aos 85 anos, se envolveu com o projeto e compartilhou várias histórias que serviram de base no roteiro.


Um Broto Legal

Direção: Luiz Alberto Pereira
Roteiro: Luiz Alberto Pereira e Dimas Oliveira Jr
Elenco: Marianna Alexandre, Murilo Armacollo, Danillo Franccesco, Paulo Goulart Filho, Martha Meola, Petrônio Gontijo, Felipe Folgosi, Claudio Fontana e Carlos Meceni
Gênero: Drama, Biografia, Musical
Ano: 2022
Duração: 94 minutos

Ramon Prates

Ramon Prates

Analista de sistemas nascido em Salvador (BA) em 1980, mas atualmente morando em Brasília (DF). Cinema é sem dúvidas o meu hobby favorito. Assisto a filmes desde pequeno influenciado principalmente por meus pais e meu avô materno. Em seguida vem a música, principalmente rock e pop.

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