Crítica | King Richard: Criando Campeãs

Crítica | King Richard: Criando Campeãs

Em “King Richard: Criando Campeãs” o diretor Reinaldo Marcus Green sabe que está diante de uma história extraordinária, então não valeria a pena arriscar a trama com “firulas” visuais que tirassem o espectador de dentro da narrativa. Dessa forma, o cineasta explora de maneira eficiente a fórmula de cinebiografias, focando principalmente na figura do protagonista interpretado por Will Smith.

O filme conta a história da família de Richard Williams, pai das tenistas Venus e Serena que se tornaram super estrelas do tênis. Vale ressaltar um “pequeno detalhe”: o tênis é um esporte extremamente elitista. Dessa forma, para negros conseguirem se destacar é muito mais difícil, pois a sociedade diz que esse é um espaço em que os negros não podem prevalecer, já que o branco tem um previlégio auto-afirmado.

Através de um estudo de personagem da figura de Richard, “King Richard: Criando Campeãs” apresenta uma olhar interessante sobre a jornada de um pai que queria o melhor para suas filhas e sua família. O roteiro explora bem suas teimosias, mas especialmente suas virtudes. Ele afirma que escreveu um plano de 78 páginas para o futuro das filhas antes mesmo delas nascerem. Seria isso um comportamento obsessivo do pai, projetando nelas algo que ele gostaria de alcançar, ou apenas uma virtude de uma pessoa interessada em oferecer o melhor para sua família, principalmente por não ter tido o mesmo na sua vida?

O roteiro de Zach Baylin poderia simplesmente ignorar essas falhas, mas o objetivo é justamente explorar o lado humano da narrativa. Richard não é um herói, é um homem com seus defeitos e qualidades. Suas ações tem causa e consequência, então quando ele toma alguma decisão sem consultar a família, é claro que isso terá um reflexo na sua relação com ela. Assim a história explora bem essa jornada na transformação de Venus e Serena em esportistas, apresentando os grandes esforços dos pais. Além disso, toca em seu pano de fundo em outros temas importantes como: masculinidades, paternidade, machismo e luta de classes. 

Um dos pontos interessantes é a forma como é mostrada a relação de Richard com a família, onde apesar de demonstrar alguma rigidez em relação aos treinamentos, ao mesmo tempo mostra afeto e diz para Venus e Serena se divertirem, afinal de contas elas são crianças e é importante ter uma infância feliz. Na história de atletas que começam a praticar esportes desde cedo essa dedicação exclusiva ao treinamento sempre traz consequências no futuro. Assim é primoroso ver como ele apresenta esse diferencial na forma de tratar a jornada das filhas.

King Richard: Criando Campeãs” é essencialmente sobre Richard Williams e a história só funciona graças à atuação muito boa de Will Smith. O ator constrói muito bem o personagem de maneira multidimensional, explorando as nuances da caracterização, como a forma de falar, mas principalmente por explorar muito bem o lado humano de Richard. Sua teimosia tem motivações, assim Smith busca apresentar as causas e consequências de suas atitudes.

Talvez o filme pudesse explorar mais Venus e Serena, sendo que apenas Venus, interpretada por Saniyya Sidney, consegue encontrar algum espaço para mostrar sua importância na narrativa. Mas é compreensível a intenção de Reinaldo Marcus Green focar na figura do pai, pois é através dela que “King Richard: Criando Campeãs” consegue analisar a jornada de maneira eficiente, além de mostrar a importância de uma história como essa.

Só espero que essa obra não tenha uma interpretação sobre meritocracia, já que poderíamos enxergar que para as pessoas basta ter força de vontade, se esforçar bastante, que você vai conseguir alcançar os seus objetivos. Quando na verdade o que “King Richard: Criando Campeãs” mostra é quase o contrário, que talvez não fosse necessário que a família Williams tivesse que fazer tantos sacrifícios para ser bem sucedida.

Esse texto contou com colaboração de Junio Queiroz


Uma frase: – Richard: “Escrevi um plano de 78 páginas para a carreira delas antes de nascerem.”

Uma cena: Richard colocando a família para assistir o desenho Cinderela da Dsiney e no final questionando quais lições podem ser apreendidas com a história.

Uma curiosidade: Como agradecimento ao elenco, Will Smith dividiu seus ganhos de US$ 40 milhões com o filme entre os outros atores como bônus para eles.


King Richard: Criando Campeãs (King Richard)

Direção: Reinaldo Marcus Green
Roteiro: Zach Baylin
Elenco: Will Smith, Aunjanue Ellis, Saniyya Sidney, Demi Singleton, Tony Goldwyn e Jon Bernthal
Gênero: Biografia, Drama, Esporte
Ano: 2021
Duração: 145 minutos

Ramon Prates

Ramon Prates

Analista de sistemas nascido em Salvador (BA) em 1980, mas atualmente morando em Brasília (DF). Cinema é sem dúvidas o meu hobby favorito. Assisto a filmes desde pequeno influenciado principalmente por meus pais e meu avô materno. Em seguida vem a música, principalmente rock e pop.

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