Review | Bloodstained: Ritual of the Night

Review | Bloodstained: Ritual of the Night

Bloodstained: Ritual of the Night é um ótimo metroidvania que explora de maneira assertiva as principais nuances do gênero. Ele é de certa forma um “sucessor espiritual” da franquia Castlevania, já que Koji Igarashi, produtor da franquia, esteve envolvido na liderança do desenvolvimento do jogo. Ou seja, se você é fã do game da Konami, então existem grandes chances de gostar de Ritual of the Night.

Uma das primeiras coisas que chama a atenção em Bloodstained: Ritual of the Night é seu visual retrô, mas que não vai tão longe na nostalgia. Isto é, ele não tem uma pegada de 8 ou 16 bits, que é geralmente o que os games têm feito ultimamente quando querem referenciar o passado. Ritual of the Night lembra uma mistura de PS2 com PS3, ficando mais próximo do 2, especialmente quando vemos alguma cutscene. Ou então quando 2 personagens estão conversando, então vemos a imagem de cada um em um lado separados da tela, enquanto o diálogo aparece embaixo. No entanto, todas as conversas têm vozes, então existe espaço para os dubladores colocarem personalidades nos personagens.

Outro detalhe importante é a trilha sonora, que assim como os games de Castlevania é bem marcante. Os compositores Michiru Yamane, Keisuke Ito e Ryusuke Fujioka criaram músicas que ajudam na imersão no universo de Bloodstained e demarcam bem cada fase do jogo. Por outro lado, o design de som é apenas correto, onde muitos dos sons dos inimigos soam um pouco genéricos, assim como os ataques. A voz da protagonista quando sofre um dano, por exemplo, é um gemido que poderia facilmente estar em algum anime pornô.

É importante ver a presença feminina com a protagonista do jogo, Miriam, entretanto o visual dela é um pouco sexualizado. Felizmente isso só chama mais a atenção nas partes envolvendo diálogos ou quando o jogador está customizando-a, mas durante o gameplay isso não se destaca. O exemplo da voz que parece um gemido pornô também não ajuda, mas isso também é um pouco do reflexo da cultura japonesa onde a sexualização é mais branda, envolvendo mais animações e games, mas ainda sim presente na sociedade e refletida no mundo dos games.

Falando em customização, esse é um dos grandes diferenciais de Bloodstained: Ritual of the Night. Existem diversos tipos de armas e poderes no game, dessa forma o jogador define qual vai ser a sua estratégia de jogo. É possível usar armas de longo alcance, como tiros ou lanças, os tradicionais chicotes da franquia Castlevania, ou espadas. Ao matar alguns inimigos você adquire o poder deles, como por exemplo ao exterminar morcegos você ganha a habilidade de usá-los como ataque. Temos também roupas, anéis, armaduras e outros itens para melhorar o perfil de Miriam, envolvendo itens como força, defesa e inteligência. Ou seja, Ritual of the Night explora elementos do gênero rpg, o que tem o lado positivo e o negativo.

Para quem gosta de detalhamento na customização, Bloodstained: Ritual of the Night acerta muito bem pois o nível de detalhamento é impressionante. É possível inclusive criar atalhos para a criação de perfis, assim o jogador pode montar um set diferente para cada situação diferente que o game apresente. Assim, quando for melhor ter um ataque mais forte, ao invés de perder tempo configurando a personagem, basta usar esse “atalho”. Isso facilita bastante, mas por outro, jogadores mais casuais terão um pouco de dificuldade para lidar com muita informação. Existe uma quantidade tão grande de poderes e armas que pode fazer com que termine de jogar sem jamais usar determinados itens. Talvez tivesse sido melhor encontrar um meio termo, mas nem sempre é possível agradar a todos os perfis de gamers.

Outro ponto em relação a customização se refere a comidas e Bloodstained: Ritual of the Night oferece também uma enorme quantidade de alimentos que podem ser preparados, caso o jogador reúna os ingredientes certos. Essas comidas servem basicamente para recuperar a barra de vida e cada uma delas tem um nível de recuperação diferente. No entanto, essa alimentação gera um “problema” para o game: se o jogador fizer, ou comprar, uma boa quantidade de mantimentos, vencer os “chefões” fica fácil. Basta partir para o ataque e assim que a sua vida diminuir fazer uma “boquinha”. Dessa forma não é necessário criar nenhuma estratégia para vencer determinados inimigos.

Em compensação, o mapa do jogo apresenta diversos desafios, então como um bom jogo metroidvania será necessário que o jogador explore bastante os locais para conseguir desvendar todos os segredos. Será necessário desbloquear novas habilidades e poderes, como pulo duplo, para poder alcançar determinados pontos do cenário. Um dos destaques é a função de inversão *, onde o eixo vertical é trocado e a personagem fica de cabeça para baixo.

* Dario Lima: Esse poder é uma clara homenagem ao clássico Castelo Invertido no Symphony of the Night, onde é necessário cumprir uma série de objetivos opcionais para assistir o final verdadeiro do jogo, e o mapa inteiro vira de cabeça pra baixo e precisa ser explorado novamente.

Em síntese, Bloodstained: Ritual of the Night é um jogo que explora muito bem o metroidvania. Como alguns games do gênero, o início é um pouco arrastado e difícil, já que a personagem ainda não tem muitos poderes, mas no desenrolar da jogatina é fácil imergir no universo dele. 


Classificação:


Bloodstained: Ritual of the Night

Plataformas: Microsoft Windows, PlayStation 4, Xbox One, Nintendo Switch, iOS, Android
Produtora: 505 Games
Desenvolvedora: ArtPlay
Diretor: Shutaro Iida
Ano: 2019

Ramon Prates

Ramon Prates

Analista de sistemas nascido em Salvador (BA) em 1980, mas atualmente morando em Brasília (DF). Cinema é sem dúvidas o meu hobby favorito. Assisto a filmes desde pequeno influenciado principalmente por meus pais e meu avô materno. Em seguida vem a música, principalmente rock e pop.

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