Review | O Gambito da Rainha (Minissérie)

Review | O Gambito da Rainha (Minissérie)

Pessoas que sofrem uma grande perda na vida enquanto são muito jovens têm dificuldade de encontrar um motivo para continuar vivendo. Dessa forma, Beth Harmon – a protagonista de O Gambito da Rainha – encontra no xadrez uma grande paixão, algo que a motiva a seguir em frente apesar da morte da mãe. A série criada por Scott Frank e Allan Scott, inspirada no livro Walter Tevis de 1983, acompanha a jornada de amadurecimento da personagem.

É necessário entender de xadrez para assistir a série? Não, mas obviamente que quem conhece as regras do jogo identificará mais facilmente as referências. Inclusive um dos grandes méritos da minissérie é justamente instigar no espectador a curiosidade em saber mais sobre o assunto, já que a busca por xadrez alcançaram recordes após a estreia do programa na Netflix.

O diretor Scott Frank conseguiu a façanha de transformar as partidas em momentos de tensão e emoção, principalmente graças à montagem inteligente e ágil de Michelle Tesoro. Para tornar tudo o mais realista possível, Garry Kasparov, o melhor jogador de xadrez de todos os tempos, foi um dos consultores da série. Outro ponto técnico importante de O Gambito da Rainha é a trilha sonora de Carlos Rafael Rivera, que consegue construir bem o clima emotivo da minissérie alternando tons de leveza e preocupação, sempre marcados por uma linha de piano e música clássica.

Entretanto, o grande trunfo de O Gambito da Rainha são os personagens, a começar obviamente pela protagonista Beth Harmon que é interpretada quando criança por Isla Johnston e por Anya Taylor-Joy quando adolescente e adulta. O destaque maior é por conta de Anya que prova mais uma vez seu talento, já demonstrado em filmes como A Bruxa e Fragmentado. É impressionante acompanhar a evolução da protagonista ao longo dos 7 episódios da minissérie, passando de uma criança lidando com a perda da mãe e chegando a uma mulher confiante e campeã de xadrez.

Nisso, além do talento da atriz no desenvolvimento dos trejeitos da personagem, é importante também destacar outros detalhes técnicos como o figurino, que é fabuloso ao retratar as décadas de 1950 e 1960, e também o cabelo e maquiagem, que pontuam bem o amadurecimento de Beth.

Outro ponto importante é o protagonismo feminino, principalmente porque a protagonista de O Gambito da Rainha entra em um mundo totalmente dominado pelos homens. A forma como eles a enxergam e inicialmente não a levam a sério mostra muito isso. A maneira como ela os supera é fundamental para entender a importância do empoderamento feminino.

A minissérie vai além ao abordar outros temas interessantes e complexos de maneira leve, mas sem ser superficial. O principal deles é o vício em remédios e o alcoolismo. Quando Beth chega ao orfanato após perder a mãe é obrigada a tomar calmantes, que se transformam em uma maneira dela lidar com sua forma de pensar. Após começar a aprender a jogar xadrez com ajuda do zelador da instituição, as pílulas servem para aumentar a sua imaginação em torno do jogo e ela começa a enxergar no teto do quarto peças do xadrez em movimento, que ilustram como a protagonista imagina as partidas dentro da sua própria cabeça.

O xadrez é literalmente um jogo de batalha com começo (a chamada abertura), meio e fim, dessa forma podemos dizer que minissérie O Gambito da Rainha explora muito bem esse formato ao mostrar a jornada de Beth Harmon. Os primeiros episódios ajudam a construir a personagem e em alguns momentos é necessário voltar para entender o que está por vir. O jogo serve como pano de fundo para nos mostrar uma protagonista instigante e interessante, que ganha vida através da carismática e talentosa atriz Anya Taylor-Joy.



O Gambito da Rainha (The Queen’s Gambit)

Criado por: Scott Frank e Allan Scott
Emissora: Netflix
Elenco: Anya Taylor-Joy, Bill Camp, Moses Ingram, Isla Johnston, Christiane Seidel, Rebecca Root, Chloe Pirrie, Akemnji Ndifornyen, Marielle Heller, Harry Melling, Patrick Kennedy, Jacob Fortune-Lloyd, Thomas Brodie-Sangster e Marcin Dorociński
Ano: 2020

Ramon Prates

Ramon Prates

Analista de sistemas nascido em Salvador (BA) em 1980, mas atualmente morando em Brasília (DF). Cinema é sem dúvidas o meu hobby favorito. Assisto a filmes desde pequeno influenciado principalmente por meus pais e meu avô materno. Em seguida vem a música, principalmente rock e pop.

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