Crítica | Tomb Raider: A Origem

Tomb Raider: A Origem” pega carona no sucesso do reboot de 2013 do game homônimo, surpreendendo com boas cenas de ação, porém pouco arriscando na adaptação do roteiro. Um dos primeiros trailers divulgados, ao som de “Survivor” do grupo Destiny’s Child, já transmitiu a tônica deste novo longa: um filme sobre uma sobrevivente — que chega aos cinemas 17 anos após “Lara Croft: Tomb Raider” protagonizado por Angelina Jolie. Agora, o foco principal é a apresentação da personagem principal e dos eventos que fizeram dela uma corajosa caçadora de tesouros.

A jovem de 21 anos é interpretada pela sueca vencedora do Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante em 2016, Alicia Vikander, que já de início consegue imprimir à personagem o tom assertivo de uma heroína do século 21, atormentada pelo desaparecimento de seu pai — Lord Richard Croft (Dominic West), independente, inteligente, corajosa, obstinada e ao mesmo tempo sensível. A humanização da protagonista baseada no game é, com toda certeza, um dos grandes trunfos do filme. Nas primeiras cenas, a atriz ganha a empatia e o carisma do público com uma sequência incrível de boxe e também com uma eletrizante corrida de bicicleta.

E por falar em heroína, Lara Croft volta aos cinemas em um novo contexto, muito mais receptivo ao protagonismo feminino, após o sucesso de filmes como Mulher Maravilha, e também sob a forte ascensão das pautas feministas na cultura pop. Assim como no jogo mais recente, a protagonista do filme atual também não é objetificada na narrativa e nem tão sexualizada por suas vestimentas. Ela usa calça e camiseta — enfim, vestimentas confortáveis para lutar pela sobrevivência! — e os detalhes de seu corpo não são explorados por ângulos específicos ou nas cenas de luta. Entretanto, o longa peca por priorizar um elenco majoritariamente masculino.

Sobre essa questão, inclusive, acredito que o roteiro poderia ter avançado, na esteira da licença poética conferida às adaptações cinematográficas. A partir do segundo ato, quando Lara Croft chega à ilha japonesa onde a maioria dos eventos principais se desenvolvem, há apenas homens. Isso poderia até ser uma irônica metáfora da nossa sociedade patriarcal, na qual mulheres precisam lutar contra privilégios e violências decorrentes do machismo, mas a narrativa é superficial e não entrega nada além dos prometidos clichês de filmes de “caça ao tesouro”, bem ao estilo “Indiana Jones”.

Contudo, como produto de seu tempo, “Tomb Raider: A Origem” é relevante e inspirador para as mulheres. O filme ganha pontos por focar na jornada de autoconhecimento de Lara Croft, que a pretexto de procurar seu pai, acaba descobrindo o seu verdadeiro talento, vocação pessoal. E o melhor: sem que a protagonista tenha que ter necessariamente um relacionamento amoroso, como normalmente acontece. Muito pelo contrário. A personagem está bem longe do clichê da mocinha em perigo. Ela é quem batalha, protege e salva. E consegue ser essa girl power mesmo sem levantar bandeiras. Que esse seja um novo e promissor recomeço para a franquia de filmes de aventura.


Uma frase: “Todos os mitos são fundamentos da realidade”

Uma cena: Quando Lara Croft desvenda o enigma dentro da caverna para interromper a cratera que se abre no chão.

Uma curiosidade: A atriz Alicia Vikander, que foi bailarina por muito anos, precisou passar por uma preparação intensa para encarnar Lara Croft durante sete meses. Para isso, fez musculação, MMA, natação, corrida, arco e flecha e escalada, modalidades que fazem parte da realidade da personagem. O resultado: 5,5 quilos a mais de músculo e força suficiente para fazer dezenas de flexões, saltos e barra fixa.


Tomb Raider: A Origem (Tomb Raider)

Direção: Roar Uthaug
Roteiro:
Geneva Robertson Dworet e Alastair Siddons
Elenco: Alicia Vikander, Dominic West, Walton Goggins, Daniel Wu e Kristin Scott Thomas
Gênero: Aventura
Ano: 2018
Duração: 118 minutos

Filha dos anos 80, a Não Traumatizada, Mãe de Plantas, Rainha de Memes, Rainha dos Gifs e dos Primeiros Funks Melody, Quebradora de Correntes da Internet, Senhora dos Sete Chopes, Khaleesi das Leituras Incompletas, a Primeira de Seu Nome.

One thought on “Crítica | Tomb Raider: A Origem”

  1. Gosto de Alicia Vikander e não tenho dúvida do talento dela como atriz, entretanto, acho esse revival de Lara Croft completamente desnecessário. Sem interesse algum para este filme.

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