Crítica | Jumanji: Bem-Vindo à Selva

Jumanji: Bem-Vindo à Selva” é uma mistura de continuação e refilmagem, ou melhor, uma reimaginação do filme de 1995 estrelado por Robin Williams. A diferença agora está no conceito do jogo Jumanji. No longa original ele era um jogo de tabuleiro e agora evoluiu para um jogo de videogame. Dessa forma, foi criado um mundo virtual onde os jogadores assumem a identidade dos personagens do game, conceito diferente do filme anterior onde a ação acontecia no mundo real.

No início conhecemos quatro adolescentes com personalidades bem estereotipadas. Temos o nerd, o esportista, a anti-social e a patricinha fútil. Eles vão para a detenção do colégio e durante o cumprimento da punição encontram um videogame antigo com o jogo Jumanji, então resolvem jogar uma partida. Assim o grupo vai parar dentro do game. Cada um deles assume o controle de um personagem do jogo.

A partir desse ponto o conceito do filme se revela interessante quando os quatro atores principais entram em cena. Cada um dos adolescentes assume um papel bem diferente da sua personalidade no mundo real. O nerd vira o Dr. Smolder Braveston, interpretado por Dwayne Johnson (“Velozes e Furiosos 8“), que é o líder e herói principal por ser forte, destemido e habilidoso. O esportista vira “Mouse” Finbar, um zoologista baixinho – interpretado por Kevin Hart – cuja principal função é carregar a mochila de Braveston. A anti-social se transforma em Ruby Roundhouse (Karen Gillan), uma lutadora especialista em artes marciais. Já a patricinha se transforma no Professor “Shelly” Oberon (Jack Black) que é cartólogo e arqueologista.

O roteiro peca por não apresentar melhor os adolescentes ao retratá-los de forma caricata, mas quando eles entram no jogo são melhor desenvolvidos. Para isso funcionar o talento e carisma dos atores foi fundamental. O principal destaque fica por conta de Jack Black que assume a personalidade da patricinha. A jovem fica chocada ao descobrir que virou um homem obeso de meia idade. A forma como o ator dá vida a personagem em seu “novo corpo” é muito divertida e rende os melhores momentos do filme. Dwayne Johnson também exibe todo o seu carisma como protagonista e acha bem um equilíbrio entre humor nerd e herói de ação. É bom também ver Karen Gillan sem a maquiagem pesada de Nebula, seu personagem em “Guardiões da Galáxia”, mostrando seu lado mais engraçado sem deixar de ser boa de luta.

O único protagonista que não funciona é o interpretado pelo comediante Kevin Hart. Dentre os protagonistas ele é o único que parece interpretar uma versão ficcional de si mesmo e não o esportista. A todo momento ele faz alguma piada, na maioria das vezes sem graça, sendo que no mundo real ele não tinha feito nenhuma. Nesse caso, fica ainda mais claro o problema do roteiro em não apresentar de maneira eficaz os personagens antes de entrarem no jogo. Outro personagem com problemas é o vilão vivido por Bobby Cannavale que não consegue ser nada além de caricato e genérico.

Entretanto o roteiro é eficiente em explicar a lógica e os conceitos do funcionamento do jogo, como a quantidade de vidas, habilidades e pontos fracos de cada personagem. Tudo é feito de forma didática e visual. O diretor Jake Kasdan segue o caminho mais seguro e apresenta uma aventura bem realizada, principalmente na parte técnica com ótimos efeitos visuais, misturando com comédia e investindo principalmente no carisma e química dos atores principais. “Jumanji: Bem-Vindo à Selva” pode não ser um filme marcante, mas garante a diversão e o entretenimento com boas cenas de ação, aventura e humor .


Uma frase: – Professor Shelly: “NÃO! Eu sou um homem de meia-idade acima do peso.”

Uma cena: Professor Shelly aprendendo a fazer xixi.

Uma curiosidade: A trama do filme se passa em Bratford, New Hampshire, mesmo local em que acontecem os eventos do primeiro filme.


Jumanji: Bem-Vindo à Selva (Jumanji: Welcome to the Jungle)

Direção: Jake Kasdan
Roteiro:
Chris McKenna, Erik Sommers, Scott Rosenberg e Jeff Pinkner; história de Chris McKenna
Elenco: Dwayne Johnson, Jack Black, Kevin Hart, Karen Gillan, Nick Jonas e Bobby Cannavale
Gênero: Ação, Aventura, Comédia
Ano: 2017
Duração: 119 minutos

Analista de sistemas nascido em Salvador (BA) em 1980, mas atualmente morando em Brasília (DF). Cinema é sem dúvidas o meu hobby favorito. Assisto a filmes desde pequeno influenciado principalmente por meus pais e meu avô materno. Em seguida vem a música, principalmente rock e pop.

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