Crítica | It: A Coisa

Quando decidi que ia assistir It: A Coisa, resolvi que daria uma chance para algo que se propunha a reviver um clássico dos filmes de terror. Seria meu primeiro encontro com algo que gerou bons relatos de jovens amedrontados na minha infância (alguns até começaram a sentir medo de palhaço) e dos adultos que elogiam o filme até hoje, como uma adaptação digna das grandes obras de Stephen King. Bom, pra mim o remake não impactou dessa maneira.

It: A Coisa é uma refilmagem do clássico dos anos 80, sobre um grupo de garotos que se intitulam como Os Otários (The Losers) e diante do desaparecimento de várias crianças da cidade de Derry, resolvem investigar o motivo desses acontecimentos. Após alguns eventos, descobrem que um ser malígno transmorfo e comedor de crianças está envolvido nisso.

Talvez a minha expectativa estivesse elevada a um ponto que me prejudicou o julgamento, mas não gostei muito do que vi. Não é por questão visual, de atuação ou da história. Inclusive, se o filme fosse uma história sobre aquele grupo de garotos e tirasse o vilão, pra mim, seria excelente. O grupo funciona bem, existe uma química entre eles e dá pra perceber um clima de amizade.

São atores talentosos, inclusive um deles é uma redescoberta, Finn Wolfhard – o Mike de Stranger Things – é um moleque muito engraçado como Richie.

Outro bom ponto dentro do filme é como conseguem trabalhar o cenário cheio de sombras e a interação dos atores nesses ambientes. Mesmo quando não está escuro, temos cenas de paisagens de uma cidadezinha em que qualquer garoto dos anos 90 gostaria de viver pra se divertir e estudar. Os medos dos personagens são manifestados de maneiras diferentes e em alguns momentos variam entre “que sacada boa” e “poderia ser melhor”.

Entretanto, apesar de acertarem ao explorar o desenvolvimento dos jovens como realmente são nessa idade, a amizade e os medos dos adolescentes, existem momentos em que Pennywise (Bill Skarsgård) é esquecido e a trama fica arrastada. Em certos momentos está mais próxima de Conta Comigo, Garotos Perdidos e Stranger Things do que um filme de horror. Até questiono como aquelas crianças, tão frágeis à primeira vista, conseguem amadurecer tão rápido e se transformar em caçadores.

It tem lugar para a comédia, não é recheado daqueles momentos em que esperamos o susto (os novos filmes de terror estão inovando quando deixam de trabalhar nisso) mas não é um filme de horror, está muito mais próximo a uma aventura oitentista e isso é o que me decepciona..


Uma frase: “Derry é diferente de qualquer cidade em que estive antes. As pessoas morrem ou desaparecem, seis vezes a mais que a média nacional. E isso é só entre os adultos. Com as crianças é bem pior. Muito pior”.usan, aprecie o absurdo de nosso mundo. Acredite em mim: nosso mundo é muito menos doloroso do que o mundo real.”

Uma cena:  Richie tocando trompete (ao fundo de uma conversa) e brigando para não devolver ao dono.

Uma curiosidade: Sophia Lillis tem uma aparência tão semelhante a de Molly Ringwald que até fazem piada sobre isso no filme.


It: A coisa

 

Direção: Andy Muschietti
Roteiro: Chase Palmer, Cary Fukunaga
Elenco:  Jaeden LieberherJeremy Ray TaylorSophia LillisFinn WolfhardChosen JacobsJack Dylan GrazerWyatt OleffBill Skarsgård
Gênero: Horror, Drama
Ano: 2017
Duração: 135 minutos

Uma alma com boas intenções que está metendo dança. Dizem.

2 thoughts on “Crítica | It: A Coisa

  1. Ótima crítica! Concordo com seu texto. Assisti (com expectativas elevadas) e também me decepcionei. No fim, se fosse somente um filme de aventuras juvenis com as crianças, sem o palhaço vilão (que nem conseguiu me assustar), seria um ótimo filme!
    P.s. Entre os palhaços em cartaz, ainda preferi o BIngo, o Rei das manhãs (Muito mais emocionante e surpreendente!)

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