Crítica | Guardiões da Galáxia Vol. 2

Guardiões da Galáxia Vol. 2” repete a fórmula de sucesso do filme anterior com uma mistura de humor ácido, irônico e divertido embalado por uma trilha sonora repleta de músicas pop. O volume 2 fecha bem os ciclos do primeiro filme, estabelecendo de vez a dinâmica entre os personagens e a relação de família entre eles.

O grupo segue prestando seus “serviços” de “guardiões” da galáxia e continuam arrumando confusão por onde passam. O filme começa com eles enfrentando uma criatura intergalática em um trabalho para os Soberanos, no qual a equipe tem que impedir o roubo de baterias muito poderosas. No entanto, Rocket (voz de Bradley Cooper) resolve ele mesmo roubar as tais baterias. Os empregadores não ficam nem um pouco felizes com isso e vão atrás do grupo. No meio da perseguição, eles são salvos por Ego (Kurt Russell), que revela ser o pai de Peter Quill (Chris Pratt). Essa aparição vai mexer com os ânimos dos Guardiões, mas qual será a intenção dele?

Essa primeira cena dos Guardiões enfrentando a criatura estabelece bem o tom do filme. O diretor James Gunn foca a imagem em Baby Groot (Vin Diesel), que fica dançando ao som de uma música pop enquanto o resto do grupo luta com o monstro ao fundo. Isso mostra que o filme não se leva a sério e está mais interessado na diversão. O tom cômico também é apresentado pela dinâmica entre os personagens, assim como no volume 1. Por exemplo, a cada vez que ouvimos um “I am Groot” diferente, com um novo significado, é impossível não rir. Inclusive vale citar que o Baby Groot é muito fofo e a cada vez que ele aparece em cena não dá para disfarçar a cara de “own, que fofinho”.

O roteiro, escrito pelo próprio Gunn, investe ainda mais no lado familiar dos personagens, indo mais a fundo no lado emocional deles. É uma história sobre pais e filhos, mas principalmente sobre família. A principal delas é a relação estabelecida entre Peter e Ego. Quill sempre quis entender o motivo do pai o ter abandonado na Terra e também de ter enviado Yondu (Michael Rooker) resgatá-lo, ao invés de ir pessoalmente. Agora ele tem a chance de conhecer sua figura paterna e saber mais sobre ele e sobre sua origem. Enquanto isso, Nebula (Karen Gillan) ainda nutre muito ódio por sua irmã Gamora (Zoe Saldana) e a história também se aprofunda nessa relação entre elas.

É apresentada também uma nova personagem chamada Mantis (Pom Klementieff), que tem a capacidade de “ler” os sentimento de uma pessoa ao tocar nela. E mesmo com esse poder, ela se parece um pouco com Drax (Dave Bautista) ao ter dificuldades em entender as pessoas por falta de habilidades sociais, já que moça só convive com Ego. Surge uma relação interessante entre ela e Drax a partir desse ponto em comum.

A surpresa fica por conta da relação entre Yondu e Rocket. O primeiro é traído pelo seu grupo de Saqueadores e é preso junto com o segundo. Então, os dois se juntam para fugir, algo bem parecido com a forma como os guardiões se conhecem no primeiro filme, ao se unirem para fugir da prisão, e descobrem que têm mais em comum do que imaginavam.

 

Como o filme investe nesse lado emocional e na relação entre os personagens, o elenco ganha ainda mais destaque mostrando uma química incrível entre si. Pratt, por exemplo, continua demonstrando o seu carisma e dá conta do recado como o líder do grupo. A história lida bem com a quantidade de “bonecos”, estabelecendo bem o papel de cada um dentro dela. Dessa forma, nenhum deles parece desnecessário. E cada ator tem o seu momento de brilhar. Mesmo um personagem menor que só faz breves aparições, como o interpretado por Sylvester Stallone, não surge de forma gratuita.

Já a trilha sonora, elemento de grande destaque no primeiro filme, em alguns momentos parece gratuita. Como por exemplo, quando Rocket pergunta a um outro personagem se por acaso ele não tem copiado as músicas de Peter para que alguma delas sirva de pano de fundo para uma fuga. Em compensação, a escolha das canções teve um cuidado maior ao representar um papel importante na narrativa, e não ser apenas uma música pop qualquer. Tanto que em alguns momentos a legenda mostra a tradução da letra da música para ilustrar bem o seu uso na cena.

O filme também continua muito bonito visualmente, como no primeiro. Os efeitos especiais são muito bem realizados ao apresentar novos mundos, como o planeta de Ego, ou ao rejuvenescer o ator Kurt Russell. O uso do 3D é correto, mas não acrescenta muito à narrativa, sendo algo supérfluo. O figurino e o design de produção também têm muita qualidade ao caracterizar bem os personagens e os cenários, tornando o universo de fantasia em algo verossímil. A trilha sonora de Tyler Bates também contribui para o clima de aventura espacial. O único elemento da parte técnica que tem um pouco de problema é a montagem de Fred Raskin e Craig Wood, que estabelece um ritmo irregular em alguns momentos do longa, como no desenrolar dos acontecimentos no planeta de Ego. Já as cenas em câmera lenta funcionam em quase todas as vezes que são utilizadas, como ao mostrar os personagens caminhando em direção à câmera lentamente, repetindo um momento parecido com o do volume 1.

James Gunn acerta em não mexer muito na fórmula estabelecida no primeiro filme e ao ir mais a fundo na relação entre os personagens. Quando Peter diz estar feliz por ter encontrado seu pai, e por consequência sua família, Gamora o questiona se ele já tinha encontrado isso antes com os Guardiões. Esse momento resume bem sobre o que “Guardiões da Galáxia vol. 2” se trata. Ao fazer isso, Gunn não faz uma ligação direta com o resto do universo Marvel no cinema e pode focar em terminar de apresentar o grupo, fechando o ciclo deles. Será que agora eles estão prontos para se unirem aos Vingadores?


Uma frase: – Baby Groot: “Eu sou o Groot”

Uma cena: A cena do inicial com Baby Groot dançando enquanto o resto da equipe enfrenta um monstro.

Uma curiosidade: Vin Diesel, que no primeiro filme apenas dublou o Groot, agora também participou da captura de movimento para o personagem.

 


Guardiões da Galáxia Vol. 2 (Guardians of the Galaxy Vol. 2)

Direção: James Gunn
Roteiro: James Gunn

Elenco: Chris Pratt, Zoe Saldana, Dave Bautista, Vin Diesel, Bradley Cooper, Michael Rooker, Karen Gillan, Pom Klementieff, Elizabeth Debicki, Chris Sullivan, Sean Gunn, Sylvester Stallone e Kurt Russell
Gênero: Ação, Aventura, Sci-Fi
Ano: 2017
Duração: 136 minutos

Analista de sistemas nascido em Salvador (BA) em 1980, mas atualmente morando em Brasília (DF). Cinema é sem dúvidas o meu hobby favorito. Assisto a filmes desde pequeno influenciado principalmente por meus pais e meu avô materno. Em seguida vem a música, principalmente rock e pop.

2 thoughts on “Crítica | Guardiões da Galáxia Vol. 2

  1. O primeiro filme é bacana, mas confesso que ainda não me decidi se assisto a esta continuação ou não!

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