Crítica | Tinha Que Ser Ele? (Why Him?)

O diretor John Hamburg se especializou na fórmula “pai vs namorado da filha” na série de filmes “Entrando numa fria“, que ele apenas escreveu.

Em Tinha Que Ser Ele? ele aposta no grande potencial do filme: a química entre Bryan Cranston e James Franco, e seus respectivos talentos como atores. Então com um roteiro simples, ele explora as situações absurdas enfrentadas pelos personagens. O namorado se esforçando ao máximo para agradar o pai, só que da sua maneira excêntrica e absurda – por ser um jovem milionário da tecnologia, enquanto o pai se recusa a acreditar que a filha está namorando com uma pessoa tão “peculiar”.

O destaque maior fica com Franco, que faz um personagem no limite do caricato, mas que parece genuíno. Seu timing cômico é muito bom ao explorar as excentricidades do personagem Laird Mayhew, que mistura um pouco de ingenuidade com excesso de vontade de agradar a família da namorada de qualquer jeito. Já Cranston assume o papel do pai preocupado com a filha e que não acredita no julgamento da mesma em tomar suas próprias decisões para o futuro, isto é, ele mantém fielmente a opinião do que segundo o seu julgamento seria o melhor para a filha. A dupla tem uma performance que equilibra bem gags físicas com boas piadas.

Na história, Stephanie Fleming (Zoey Deutch) convida sua família para ir passar o Natal na casa de Laird, seu novo namorado, para poder apresentá-lo a eles. No entanto eles, principalmente seu pai Ned, ficam surpresos com a novidade da filha. A começar pelo fato do rapaz ter muito dinheiro e ser bastante excêntrico. Ele não tem filtros, então fala palavrões e conta intimidades do casal sem se tocar que isso é constrangedor, ainda mais pelo fato da família ser tradicional. Mayhew parece ser uma boa pessoa, só que seus esforços em tentar agradar os pais e o irmão da namorada são muito exagerados. Como por exemplo, ele ter feito uma tatuagem nas costas com a imagem de um cartão de Natal com a foto dos Fleming.

Ned cria uma espécie de competição com Laird. O pai quer arrumar algo que possa acabar com a imagem de bom moço do rapaz, enquanto o jovem tenta de tudo para se aproximar da família. E essa tentativa de aproximação é o que mais incomoda o pai da moça.

O roteiro se concentra em um período de tempo curto antes da festa de Natal, o que se mostra acertado para a exploração do lado cômico da aproximação de Laird e os Fleming. Escrito pelo próprio John Hamburg em parceria com Ian Helfer, a história mantém o básico para garantir a construção das situações hilárias entre os personagens. Mesmo utilizando alguns clichês do conflito entre pai e namorado, o roteiro funciona em criar cenas que não pareçam uma simples sucessão de esquetes de humor entre os atores. As piadas são boas explorando bem as excentricidades do personagem de Franco, utilizando referências pop atuais e interessantes.

Inclusive a atualidade das referências são importantes em fazer uma comparação entre as modernidades da casa de Laird, e o fato dele trabalhar para o ramo da tecnologia, com o tradicionalismo de Ned, dono de uma empresa gráfica. A empresa passa por uma crise, justamente pelo fato das pessoas estarem migrando do formato físico para o digital. Poucos clientes ainda se interessam em imprimir folhetos de propaganda, por exemplo. Esse conflito do antigo versus novo gera boas piadas.

Tinha Que Ser Ele? tem uma história simples, mas faz um bom uso dos clichês de filmes de família, apostando no talento do seu elenco, principalmente a dupla de protagonistas Cranston e Franco. Tecnicamente correto e principalmente engraçado, o filme é uma boa comédia que garante boas risadas.


Uma frase: – Stephanie: “Laird é um cara legal e seu coração está no lugar certo. Ele literalmente não tem nenhum filtro.

Uma cena: Ned Fleming cortando um pinheiro para virar árvore de Natal.

Uma curiosidade: Os atores tiveram liberdade para improvisar nas cenas, mas, das 240 horas gravadas, apenas 90 minutos puderam ser aproveitados para o filme.

 


Tinha Que Ser Ele? (Why Him?)

Direção: John Hamburg
Roteiro: John Hamburg e Ian Helfer
Elenco: James Franco, Bryan Cranston, Zoey Deutch, Megan Mullally, Griffin Gluck e Keegan-Michael Key
Gênero: Comédia
Ano: 2016
Duração: 111 minutos

Analista de sistemas nascido em Salvador (BA) em 1980, mas atualmente morando em Brasília (DF). Cinema é sem dúvidas o meu hobby favorito. Assisto a filmes desde pequeno influenciado principalmente por meus pais e meu avô materno. Em seguida vem a música, principalmente rock e pop.