Crítica | O Poderoso Chefinho (The Boss Baby)

A Dreamworks parece não querer competir com a Disney/Pixar nos quesitos criatividade e inteligência. O estúdio prefere apostar em animações com um teor mais absurdo e nonsense, levando mais em conta a diversão do que a qualidade em si. Pensando dessa forma, fica mais fácil analisar um filme como O Poderoso Chefinho: uma idéia interessante com uma piada de fácil entendimento para o público infantil. Dessa forma, o conceito do filme em si tem que ser interpretado de forma mais literal, com o objetivo de causar o riso fácil.

É engraçado ver um bebê vestido de terno e gravata infiltrado na casa de uma família para descobrir os planos da companhia (de bichos de estimação) em que os pais trabalham. O grande problema aqui é que as pessoas estão dando mais amor a cachorrinhos do que crianças. Dada as circunstâncias, o bebê é designados para a missão – já que ele trabalha para uma empresa de bebês que está preocupada com seus “negócios” – que ajudará a evitar que os adultos percam interesse no seu “produto”, o que colocaria o futuro da companhia em risco.

É uma metáfora interessante e divertida do mundo atual em que muitas pessoas preferem ter um pet do que um filho. Isso é misturado com o “drama” de uma criança que sofre com a chegada de um irmão mais novo e com isso deixa de ser o centro da atenção de seus pais. Sem dúvidas muitas crianças vão se identificar com esse cenário.

O bebê e Tim, seu irmão mais velho, se juntam com o objetivo de se livrar um do outro, já que assim que o Poderoso Chefinho descobrir o que precisa ele vai embora, dessa forma o garoto volta a ter todo o amor de seus pais exclusivamente para ele.

Só que para a história funcionar o espectador tem que abstrair muitos absurdos dentro da verossimilhança estabelecida pela animação, como o fato de um bebê usando terno e gravata não causar estranhamento aos pais. Isso poderia ser uma simples simbologia para mostrar a maneira como Tim enxerga o bebê, como o novo “chefe”, mas o filme prefere usar isso de forma literal como uma gag visual dentro da história. Ela é engraçada e funciona, principalmente para os mais novos, mas poderia ter sido explorada de forma mais sutil e inteligente.

Já a imaginação de Tim é explorada de forma visualmente interessante, utilizando técnicas de animação diferentes para delimitar o mundo real do mundo dos sonhos, mesmo que isso não seja algo totalmente inovador.

Outro recurso muito utilizado pela animação são as referências pop. A maioria delas tem como objetivo agradar os mais velhos, como por exemplo, ao mostrar um grupo de imitadores do cantor Elvis Presley viajando para uma convenção em Las Vegas ao som da música “Viva Las Vegas”. Esse momento em particular é bem divertido ao retratar a forma como eles se comunicam, sendo necessárias legendas para se entender o “dialeto”. Outra referência musical é a canção “Songbird” dos Beatles, que é utilizada pelos pais de Tim como cantiga de ninar e que depois ganha importância dentro da história. Nesse caso faltaram as legendas, já que, na versão dublada do filme, a música é apresentada em inglês.

Destaque para o elenco de vozes em português que faz um trabalho competente sem tentar simplesmente “imitar” os dubladores originais. A única “estrela” nacional é a atriz Giovanna Antonelli, que dubla a mãe de Tim. Fica registrada apenas a crítica em relação a mixagem de som, que dá a impressão em alguns momentos que a voz dos personagens está muito mais alta do que os efeitos sonoros do filme. Mas isso pode ter sido também algum problema no ajuste do som do próprio cinema.

No final das contas O Poderoso Chefinho aposta em cenas de aventura, na identificação do público com a situação, com as gags visuais envolvendo o protagonista e a absurda representação do simbolismo do seu figurino. O roteiro transforma esses elementos em uma história divertida e mesmo com alguns problemas consegue agradar a todas as idades.


Uma frase: – Tim Templeton: “Olha para ele (apontando para o bebê). Ele usa terno. Carrega uma maleta. Será que ninguém mais acha isso meio esquisito?”

Uma cena: A chegada do bebê na casa da família Templeton.

Uma curiosidade: Alec Baldwin, que dá voz ao protagonista na versão original em inglês, já está em casa quando o assunto é filme de animação da Dreamworks. Ele já participou de Madagascar 2 (2008) e A Origem dos Guardiões (2012).


O Poderoso Chefinho (The Boss Baby)

Direção: Tom McGrath
Roteiro: Michael McCullers
Elenco: Alec Baldwin, Miles Christopher Bakshi, Steve Buscemi, Jimmy Kimmel e Lisa Kudrow
Gênero: Animação, Comédia, Família
Ano: 2017
Duração: 97 minutos

Analista de sistemas nascido em Salvador (BA) em 1980, mas atualmente morando em Brasília (DF). Cinema é sem dúvidas o meu hobby favorito. Assisto a filmes desde pequeno influenciado principalmente por meus pais e meu avô materno. Em seguida vem a música, principalmente rock e pop.

3 thoughts on “Crítica | O Poderoso Chefinho (The Boss Baby)

  1. O trailer da animação é divertido e a premissa parece ser bacana, mas não sei… Algo nesse filme me soa forçado demais!

  2. nossa…que forma dura e fria de ver o filme….soh pelo prazer da crítica …deve ter dado trabalho ” fantasiar” tanto blablabla desfocado pra ter linhas a mais no site…. ridículo…primeira e última vez que entro aqui.

  3. nossa…que forma dura e fria de ver o filme….soh pelo prazer da crítica …deve ter dado trabalho ” fantasiar” tanto blablabla desfocado pra ter linhas a mais no site…. ridículo…primeira e última vez que entro aqui.

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