Crítica | Dois Caras Legais (The Nice Guys)

Shane Black escreveu o roteiro de um dos melhores filmes de duplas policiais já feito: Máquina Mortífera. Dois personagens bem diferentes que são obrigados a trabalhar juntos. A premissa de “Dois Caras Legais” tem uma fórmula similar. Aqui, além de escrever o roteiro, junto com Anthony Bagarozzi, ele também dirige. A história se passa nos anos 70 e traz um pouco da psicodelia, sexo e drogas, na história. O tom de comédia é mais acentuado, apesar do gênero policial ainda falar mais alto. Além disso, há um pouco do clima noir, com uma mulher misteriosa envolvida na situação.

A escolha dos protagonistas também foi é boa. Ryan Gosling mostra que é um ator versátil. Ele já havia atuado em comédias anteriormente em “Amor a Toda Prova”, onde, inclusive, consegue ser mais engraçado que Steve Carell, com quem divide as cenas. Gosling interpreta Holland March, um detetive particular que a ganha a vida “enrolando” clientes enquanto lida com a perda da esposa e cuida da jovem Holly (Angourie Rice), sua filha. Seria um tipo de personagem trágico com muita carga dramática a ser desenvolvida. Mas, felizmente ele é retratado de forma divertida. Seus defeitos, o jeito de ser e as “burrices” são exploradas de maneira cômica. Há também Russell Crowe, como Jackson Healy, um sujeito que ganha a vida batendo e assustando os outros. As pessoas o pagam para “dar um recado” aos inimigos/devedores. E Crowe é o cara certo para o papel, já que ele já viveu personagens com perfil meio bruto em outros filmes. Aqui ele tem a chance de viver um papel mais cômico, mas ele serve muito mais como clichê e escada para o personagem de Gosling. Isso funciona bem e ele consegue fazer rir sem ser necessariamente engraçado.

A trama gira em torno da misteriosa Amelia (Margaret Qualley). March está tentando encontrá-la para conseguir mais informações sobre um caso que está investigando. Entretanto, a mulher contrata Healy para que o detetive pare de procurá-la. Healy por sua vez contrata March para achar Amelia (risos). Ambos se unem e descobrem que existe muito mais coisa envolvida no caso. Contar detalhes pode estragar as surpresas da história.

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A química entre Gosling e Crowe é muito boa. A dinâmica entre os estilos diferentes de cada um garante os melhores momentos do filme. Juntos eles são “os piores detetives do mundo”, diz a personagem Holly, filha do detetive. Ela, inclusive, ajuda na investigação e atua como bússola moral que os norteia. A investigação é feita de forma peculiar, principalmente graças ao consumo excessivo de álcool de March. O jeito do detetive lembra bastante o estilo do personagem Larry “Doc” Sportello (Joaquin Phoenix), em “Vício Inerente“. Ambos os filmes se passam na mesma época e os personagens usam meios pra lá de excêntricos de investigação. Outro ponto em comum nos filmes é a fotografia. Ambos emulam o jeito de filmar dos anos 70, além das ótimas referências pop da época.

O filme tem uma ótima história e evita os principais clichês do gênero policial. Investe bastante no desenvolvimento dos personagens e proporciona grandes momentos da química entre os protagonistas, garantindo momentos hilários, sem perder a essência policial. Shane Black prova mais uma vez que, além de um talentoso criador de histórias, também sabe muito bem como dirigí-las. Após estrear com “Beijos e Tiros”, fez o blockbuster “Homem de Ferro 3”, e volta, aqui, a seu estilo, onde mais uma vez “acertou a mão”.

* Texto revisado por Elaine Andrade


Uma frase: – Holland March: “Então você está me dizendo que você fez um filme pornô onde a trama é o ponto principal?”.

Uma cena: Quando Holland March (Ryan Gosling) e Jackson Healy (Russell Crowe) vão a uma festa produzida por um produtor de filmes ponô em busca de pistas.

Uma curiosidade: Primeira vez que Russell Crowe e Kim Basinger se encontram em cena desde “Los Angeles: Cidade Proibida” (1997).

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doiscaraslegais-cartazDois Caras Legais (The Nice Guys)

Direção: Shane Black
Roteiro: Shane Black e Anthony Bagarozzi
Elenco: Russell Crowe, Ryan Gosling, Angourie Rice, Matt Bomer, Margaret Qualley, Keith David, Yaya DaCosta, Beau Knapp, Lois Smith, Murielle Telio, Gil Gerard, Daisy Tahan, Jack Kilmer, Ty Simpkins e Kim Basinger
Gênero: Ação, Comédia, Crime, Mistério, Thriller
Ano: 2016
Duração: 116 minutos

Analista de sistemas nascido em Salvador (BA) em 1980, mas atualmente morando em Brasília (DF). Cinema é sem dúvidas o meu hobby favorito. Assisto a filmes desde pequeno influenciado principalmente por meus pais e meu avô materno. Em seguida vem a música, principalmente rock e pop.

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