Guerra dos Tronos RPG | Review

Sistema de RPG consegue emular com bastante sucesso o clima da série mais badalada da atualidade, e fazer os ventos do inverno soprarem em sua mesa de jogo.

Existem dois tipos de sistemas de RPG. Alguns são genéricos (GURPS, Savage Worlds), podendo servir para representar qualquer realidade. Outros são construídos para emular a realidade de um cenário, seja um cenário de fantasia (Dungeons & Dragons), medieval mágico (Ars Magica) ou futurista (Cyberpunk 2020) ou uma mistura deles – como magia e cyberpunk (Shadowrun). Desses últimos, um dos melhores é o Guerra dos Tronos RPG (A Song of Ice and Fire RPG no original).

O sistema foi traduzido para o português pela Jambô Editora, em uma edição em formato de bolso e preto e branco. Não é tão bonita quanto a original, mas o preço é bem em conta para um RPG. Sem contar a vantagem das regras estarem em Português, o que ajuda bastante.

Pelo nome já se vê que o objetivo do Guerra dos Tronos RPG (GdT RPG) é passar aos jogadores a sensação de que estão jogando no universo dos livros de George R.R. Martin. E isso ele faz muito bem.

O Sistema

GoT-RPG-001Alguns jogadores diriam que a ambientação de Westeros com suas intrigas e disputas não é boa para um jogo cooperativo de RPG, criando uma desnecessária tensão entre personagens. Entretanto, isso não ocorre no Guerra dos Tronos RPG, pois o sistema estimula a criação de personagens com interesses em comum. O resultado é um grupo de personagens que já começa coeso e com um objetivo em comum (além de um ou dois inimigos odiados por todos, muito provavelmente).

Algumas características separam o GdT RPG de outros sistemas. Por exemplo, um passo importante na construção dos personagens é escolher a idade. O personagem do jogador pode ser desde uma criança, como a destemida Lyanna Mormont (todos viramos fãs da jovem Mormont, não?) até um venerável e sábio idoso, como Lorde Walder Frey (talvez não tão venerável nem sábio).

A idade do personagem define os pontos iniciais em Habilidades, Especialidades e Destino. Um personagem novo tem menos experiência que um mais velho, mas, por outro lado, possui mais Pontos de Destino. Os mais velhos tiveram mais tempo para se aprimorar, por isso têm muito mais experiência, mas em compensação também possuem algumas limitações físicas e menos Pontos de Destino (afinal de contas, o sistema considera que já gastaram parte deles para sobreviver no mundo cruel de George Martin). Definida a idade inicial, os PCs são construídos distribuindo pontos em Habilidades, Especialidades e comprando Qualidades com os Pontos de Destino. Também devem escolher Defeitos e Desvantagens, afinal estamos em Westeros e ninguém aqui é perfeito. O resultado é que os personagens são bem diferentes em jogo, mas ainda equilibrados.

Os Pontos de Destino que não forem gastos para comprar Qualidades, servem como uma reserva que pode ser usada para conceder alguma vantagem escolhida pelo jogador (atrapalhar uma ação do inimigo, realizar uma ação adicional ou adicionar um pequeno detalhe a uma cena) ou até mesmo gastos definitivamente para salvar o personagem naquele momento necessário (tipo quando ele for empurrado de uma torre).


Outra das características que tão bem simulam Westeros é a criação, em conjunto pelos jogadores e pelo narrador, da Casa dos personagens.
Embora o sistema possa ser jogado como um sistema normal de RPG, em que os personagens se encontram em uma taverna para matar dragões (boa sorte), o
GdT RPG brilha ao recriar a sensação de jogar pela honra e glória de sua casa (como os Stark ou os Lannister).

O sistema de criação da Casa é completo, permitindo criar uma casa com um passado de lutas, vitórias e derrotas, inimigos mortais, heróis e vilões. Com castelos, população a defender, soldados para comandar. Apesar da complexidade – guarde uma sessão de jogo apenas para criar a casa – acredite, é divertido criar sua própria Casa em Westeros. Basicamente, os jogadores se revezam jogando dados e deixando a sorte – modificada por algumas escolhas – decidir a história da Casa. Detalhe que estamos falando de uma Casa menor (na série, algo como Mormont ou  até mesmo os Tarly).

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Daí deriva a terceira diferença de GdT RPG para os sistemas de fantasia medieval tradicional e que garante que os personagens irão agir em conjunto em busca de um objetivo maior: os personagens são todos ligados a Casa que foi construída pelos jogadores. Podem ser o herdeiro, o terceiro irmão, o filho bastardo do nobre, o tio recluso, um valoroso hedge knight, o maester ou o mestre de caça. Assim, o jogo gira em torno da Casa, tanto quanto em torno dos personagens.

Regras de Combate, Intriga e Batalhas

GdT RPG possui regras para combate e também regras para intriga, permitindo que os jogadores possam fazer personagens de luta estilo Brienne ou de manipulação, estilo Mindinho; e que, ambos, tenham utilidade no jogo dos Tronos.

As regras para torneios também são elaboradas, e uma sessão de jogo inteira pode ser feita em torno de um Torneio de Justas, como o Torneio de Harrenhal. Até porque, um  torneio também é um ótimo lugar para intrigas e mistérios. Ou seja, não apenas os cavaleiros teriam o que fazer.

Regras para batalhas campais também não poderiam ficar de fora. E, novamente, elas simulam bem os conflitos das Crônicas do Fogo e Gelo – embora em uma escala menor, de algumas centenas de soldados, já que estamos falando de personagens que lideram uma Casa pequena ou média, e não uma das grandes Casas de Westeros.

O resultado, entretanto, é emocionante, com cargas de cavalaria, chuvas de flechas e combates entre guerreiros destemidos, recriando uma cena tão épica quanto a Batalha dos Bastardos.

George Martin, se fosse mestre de RPG, seria um daqueles mestres de mão pesada, capaz de matar sem piedade os personagens dos jogadores. O sistema, apesar disso, não é tão mortal, mas ferimentos são capazes de realmente incomodar e são difíceis de curar, sem a ajuda de um Maester.

Conclusão

GoT-RPG-006É um sistema de jogo que é relativamente complexo e demanda um certo trabalho do narrador para criar os adversários. Mas, para quem gosta de RPG e dos livros de George Martin, é um ótimo – embora pouco conhecido – sistema. Em nível de ambientação, não deixa nada a desejar.

Para jogar GdT RPG basta ter o livro principal e um bom conhecimento do universo de George Martin (seja via livros ou via série de TV). Além disso, a Jambô também traduziu o Guia de Campanha, o Escudo do Mestre e uma aventura (Perigo em Porto do Rei). O Guia de Campanha tem uma descrição mais detalhada dos costumes e das terras dos Sete Reinos, além de alguns npcs para o narrador, e é uma adição interessante ao sistema.

Veredito: uma ótima opção enquanto os ventos do inverno não chegam.

Por Ronaldo Mascarenhas 


***Classificação***


Guerra dos Tronos RPGGoT-RPG-Capa

Tipo: RPG de Mesa
Gênero: Fantasia Medieval
Material de Jogo: Livros: Guerra dos Tronos RPG (Básico); Guia de Campanha; Kit do Narrador | Dados: d6
Autores: Robert J. Schwalb (Leonel Caldela, tradutor), Steve Kenson (André Rotta, tradutor)
Ano: 2013
Original: Song of Ice and Fire Rpg , Green Ronin Pub. 2009.

 

 


3 thoughts on “Guerra dos Tronos RPG | Review”

  1. Ronaldo, seja bem vindo ao chiqueiro. Que análise espetacular.

    Pena que nos tempos atuais não consiga mais jogar RPG, lembro quando fui comprar meu D&D num supermercado aqui perto de casa de bicicleta!

    Voltei com aquela caixa lindona preta com um dragão vermelho debaixo do braço com medo de cair da bike hahahah

    1. Valeu! Essa Caixa Vermelha era clássica! Lembro dela, mas nunca consegui jogar. RPG ainda é um de meus hobby’s preferidos! Especialmente RPG com temáticas diferentes da velha espada-e-fantasia.

      1. Joguei muitos sistemas, GURPS super-heróis, Conan, Fantasia, joguei também D&D, AD&D, Lobisomen, Trevas, Cyberpunk 2020 e, mais recentemente, joguei Star Wars Edge of the Empire.

        O meu favorito ainda continua sendo os de espada-e-fantasia também!

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