Crítica | Divertida Mente

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É difícil definir “arte”.

Quero dizer, é uma daquelas coisas que parecem fáceis na teoria, mas são complicadíssimas na prática, tipo usar o home banking da Caixa. Normalmente a gente até sabe quando está diante de uma obra de arte, mas conceituar, determinar em teoria o que diferencia um artista de um picareta não é tarefa fácil.

No fim das contas, se por algum motivo eu fosse obrigado a conceituar arte, diria que tem muito a ver com aquilo que de alguma forma mexe com as pessoas, isso é, uma obra que extrai sentimentos de você.

Logo, Batman ’89 para mim é arte, pois ódio também é um sentimento

E é justamente por isso que eu estou arriscando receber um bilhete azul da POCILGA ao indicar Divertida Mente como melhor filme em um ano que tem Star Wars, Mad Max, Whiplash e muitas outras grandes estreias.

Hã? Oi, chefe. Sim, meu contrato ainda está nos três meses de experiência, por quê?

Ah, Lionel. Sério que você vai escolher como a grande obra cinematográfica de 2015 um filme para crianças, em detrimento da maturidade e profundidade de Era de Ultron?“, questiona o ponderado leitor.

Mas é justamente isso. A Pixar conseguiu — mais uma vez — fazer um filme que conversa com pessoas das mais variadas faixas etárias e atinge cada uma delas de forma diferente. Em outras palavras, Divertida Mente é uma obra de arte pois consegue extrair sentimentos de expectadores com as mais diversificadas bagagens culturais.

A trama é simples, mas universal o bastante para que qualquer um possa se identificar: a pequena Riley se muda com seus pais para uma nova cidade, e, dentro da sua cabeça, seus sentimentos de Alegria, Tristeza, Medo, Raiva e Nojinho (?) têm de aprender a guiá-la em uma nova realidade, com novos amigos e uma nova casa.

Bing Bong - Divertida Mente

Para as crianças, Divertida Mente é legal por causa dos personagens coloridos, das trapalhadas de Medo ou do carisma do amigo imaginário de Riley, Bing Bong (sensacionalmente dublado no original por Richard Kind).

Os mais velhos, contudo, enxergarão um filme com camadas e provavelmente vão se identificar com muitas das situações retratadas. Que atire a primeira pedra quem nunca passou por uma fase difícil, onde nada parece dar certo, seja com a família, com os amigos, com o trabalho ou com tudo isso de uma só vez.

Não é segredo, mas também não é fácil falar abertamente: eu já tive depressão. Divertida MenteNão é algo simples de lidar ou mesmo de compreender, mas Divertida Mente mostra de forma genial o que acontece na cabeça de quem sofre com algo assim.

É o tipo de filme que eu recomendaria para todo mundo, mas especialmente para quem sofre com depressão ou convive com alguém nesse estado: a animação da Pixar mostra a importância de manter equilibrados todos os aspectos da sua vida – família, lazer, amigos etc. -, e como eles são parte essencial da sua personalidade. Mas, acima de tudo, ela nos mostra que é possível sair do buraco, não importa o quão fundo ele pareça.

Finalmente eu entendi por que raios A Little Respect de vez em quando pipoca do nada em minha cabeça.

divertidamente-poster
Título Original 
– Inside Out
Título Nacional – Divertida Mente

Elenco – Amy Poehler, Bill Hader, Lewis Black
Diretores – Pete Docter e Ronnie Del Carmen
Roteiro – Pete Docter e Ronnie Del Carmen
Gênero – Animação/Aventura/Comédia
Ano – 2015

Canto como Lionel Messi, jogo bola como Lionel Richie.

7 thoughts on “Crítica | Divertida Mente”

  1. A Pixar tem obras incríveis, mas Divertidamente tem aquele degrau a mais. Olha que o filme foi o tapa buraco para o “O Bom Dinossauro” que parece ser bem genérico. Curioso como as vezes podemos nos surpreender com nossos próprios feitos.

    Ele não tem a emoção de UP e seu começo, nem a ingenuidade de Wall-E ou a inspiração de Ratatouille, mas consegue reunir todas essas forças, ainda que em menor escala, num único produto.

    É o filme com maior nota entre os da Pixar tanto no IMDB, Rotten e Metacritic (neste último perde para Ratatouille e empata com Wall-e) e concordo com eles.

  2. Realmente valeu seu registro Lionel.

    Aquele sabre de luz que to empunhando ali é só pra te intimidar, mas vai passar do contrato de experiência.

    Só acho que, talvez, não role aquele aumento que você queria hehehe

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