Review | The Flash 2×05: The Darkness and the Light


O monstro da semana é a Dra. Luz, mas com um twist, para deixar as coisas um pouquinho diferentes. E Barry vai a um blind date, literalmente…

Aviso: o comentário abaixo contém Spoilers.

O maior inimigo do Flash não é Zoom…

O problema de monstros da semana, como vocês já devem ter notado, é algo que me incomoda profundamente. Na verdade para mim esse é um dos principais problemas que acomete as séries de TV aberta nos EUA, sem falar das extensas temporadas de mais de 20 episódios, questões que os canais de TV fechado já conseguiram resolver há algum tempo. Coisa que, a meu ver, em muito explica o maior sucesso e qualidade das séries de TV produzidas pelos canais pagos. Andaria melhor a TV aberta se abandonasse definitivamente esse formato ultrapassado e investisse integralmente em boas narrativas, como a TV fechada já ensinou ser melhor.

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Importante ressaltar que na TV aberta são as séries de grande público, e do público mais jovem, que mais recorrem a esse formato. A explicação é simples. O público precisa estar sempre a vontade para iniciar a ver a série em qualquer episódio. Investir num desenvolvimento de uma única linha narrativa ao longo de vários episódios tende a afastar pelos menos uma boa parte de uma público de uma faixa etária que não é conhecido pela estabilidade de interesses. Ou ao menos é nisso que os produtores sempre acreditarem. Eu tenho cá minhas dúvidas, principalmente quando se trata de narrativas de nicho como super-heróis. Há sem dúvida um público definido e cativo que apenas ficará mais e mais fiel se uma outra estrutura de narrativa viesse a ser abordada. Está aí o sucesso da série de Demolidor da Netflix que corrobora o que acabei de afirmar.

Dito isso, cabe reconhecer que a série do Flash se esforça para sair da exploração padrão e preguiçosa dessa estrutura, que vitima tantas séries do gênero. O monstro da semana, em The Flash, se relaciona com o enredo principal de maneira coerente se concedemos um pouquinho mais além do mínimo necessário à suspensão da descrença. Claro, muitas séries do gênero fazem a mesma coisa, então, talvez esse não seja um grande mérito para os produtores de The Flash.

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Mas há outros atrativos que a diferenciam de outras. Podemos, dentre outros fatores, elencar o fato dela saber dialogar com seu público mais cativo, o nerd fã do personagem nos quadrinhos. A todo momento vemos referências ao material original, à fonte, que acaba sendo mesmo prestigiado com uma reverência que agrada àquele público cativo. Quando somos surpreendidos com versões encarnadas bastante interessantes de personagens que aprendemos a amar nas páginas desde os quadrinhos e ocupar nosso imaginário, para nós, o público cativo, isso já é em si uma grande diversão. Por si só já funciona e sim, já seria o suficiente para justificar a audiência desse público, pelo menos por boa parte de uma temporada, se tudo mais falhasse.

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Mas The Flash vai além, e com muita competência, consegue fazer o que poucos fazem: integrar a estrutura de monstros da semana com a estrutura narrativa de um grande arco que se desenvolve progressivamente ao longo de diversos episódios. É como se o monstro da semana fosse a camada exterior, enquanto o cerne, a parte que realmente importa, se desenvolve ao fundo num longo e bem detalhado panorama que vai se construindo e nos envolvendo aos poucos. Mas esse recurso é ainda mais eficiente quando monstro da semana não é apenas uma camada exterior, mas quando ele compõe o cerne se se entrelaça de foram orgânica e indissociável com o arco principal. Aí há uma convergência harmônica de forma e conteúdo, das mais diversas dimensões, que tende a resultar nos melhores episódios da temporada.

Mas essa convergência é, evidentemente, muito difícil de se alcançar e também impossível de se manter de maneira recorrente. E a mesma se torna apenas tão necessária como diferencial, na medida em que a estrutura de monstros da semana contribui para o desgaste. Enfim, optassem os produtores por simplesmente abrir mão dessa estrutura talvez não fosse preciso se apoiar tanto na difícil convergência aludida para se evitar o desgaste.

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Vilões sem luz própria e que ofuscam o brilho de uma boa história

Pois bem, faço todo esse prolegômeno para entrar no episódio dessa semana por um simples motivo: se olharmos com atenção ao quinto episódio da segunda temporada de The Flash percebemos como a estrutura de monstros da semana, se não bastante prejudicial ao resultado final, pode ser, na melhor das hipóteses, considerada totalmente desnecessária. Isso porquê o monstro da semana não se integra totalmente à narrativa. Nesse sentido fica apenas na camada superficial.

E há tanta riqueza narrativa nos múltiplos arcos de fundo que se desenvolvem nesse episódio que tudo que podemos pensar na hora em que o roteiro diverge em direção a essa camada externa é: “Para que diabos estou vendo isso mesmo? Isso não faz o menor sentido!”. Em suma, quando o arco de fundo se torna amadurecido e estabelecido ele, evidentemente, se torna também mais relevante e atraente do que o arco episódico. E quando nosso interesse diverge em direção ao arco de fundo, bem, o arco episódico torna-se apenas uma distração e um estorvo que deve ser suportado. E é justamente que começamos a deixar de gostar do show.

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Em The Darkness and the Light Flash tem que enfrentar a Dra. Luz. Nos quadrinhos o Dr. Luz é um vilão, inimigo da Liga da Justiça, com poderes que controlar a luz. Mas depois esse vilão é substituído por uma nova personagem, uma mulher e heroína, a cientista Kimiyo Hoshi, que assume o nome de Dra. Luz, com poderes similares ao vilão. O episódio busca a referência na Dra. Luz, tanto pelo evidente gênero, quanto pela origem asiática. E aí é que está solução marota à qual os roteiristas buscam recorrer para tentar a referida convergência. Tentam relacionar essa encarnação da personagem dos quadrinhos à intimidade de Barry, buscando uma forma aproximada de convergência das camadas, mas sem grande sucesso. A sensação que fica ao fim do episódio é a de que, se a Dra. Luz e seu arco sequer existisse, não faria a menor diferença, e o episódio seria ainda bastante interessante.

E todo o resto é mais interessante ainda pois vemos Barry tentando entender quem é o Harrison Wells da Terra-02, e quais são seus objetivos. Diferentemente do que se poderia esperar, Wells não evita o contato com o Flash. Ao contrário, ambos buscam se compreender nesse e trabalhar juntos. Wells da Terra-02 quer entender esse mundo onde é uma espécie de contra-parte sua. Digo espécie pois, como Caitlin bem lembra, o Harrison Wells que eles conheceram na verdade não pode ser considerada uma contraparte do Wells da Terra-02, já que este na verdade era Eobard Thawne, o Flash Reverso, que assumira ao forma física, a aparência apenas, do falecido Dr. Wells.

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Assim é interessante ver que pela primeira vez somos apresentados à personalidade original que poderia ser a do verdadeiro Harrison Wells. E Tom Cavanagh faz um ótimo trabalho para diferenciar um do outro. Harrison Wells, enfim, não é um homem simpático como a cópia encarnado por Eobard Thawne. Ao contrário quase: ele é arrogante, irascível, antipático, antisocial, agressivo, intrusivo e talvez muito mais genial. Se o Flash é o homem mais rápido vivo, Wells é o homem mais inteligente vivo. E não há dúvida que o desenrolar das relações entre Wells da Terra-02 e todos os membros da equipe Flash é o ponto mais interessante da história. E não há nada que a Dra. Luz possa fazer para evitar ou contribuir seriamente para esse resultado.

Tanta coisa para se ver

O que a Dra. Luz pode fazer, por outro lado, é criar as condições para os roteiristas explorarem uma piadinha infame, cegando Barry e o colocando literalmente em um encontro às cegas com Paty Spivot. Sim, finalmente Barry e a Detetive Spivot avançam em seu soluçado relacionamento, e com a benção e ajuda de Iris. Mais uma vez merece destaque a química entre os atores. Grant Gustin e Shantel VanSanten estão cada vez melhores juntos, me fazendo com certeza temer pelo destino do casal, ou melhor, de Paty. Esse é também um dos pontos altos do episódio e, apesar da piadinha com o blind date ser interessante é também desnecessária. Não houvesse Dra. Luz, sem dúvida a cena funcionasse da mesma forma, ou até mesmo melhor.

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E há muitas outras coisas que ocorrem nesse episódio. Enfim é revelado que Cisco é um meta-humano – e o responsável por isso, claro, só poderia ser o inconvenientemente genial Dr. Wells – e ele até mesmo recebe um codinome. E vejam só, o codinome não é outro senão Vibe. Admito que eu deveria esperar por essa, já que Cisco Ramon é também o nome de Vibe – ou Vibro, como o conhecemos aqui no Brasil – nos quadrinhos dos Novos 52. Mas o Vibro que eu conhecia foi o original, que foi membro da Liga da Justiça da América da década de 80 e que foi assassinado pelos androides do Dr. Ivo, se tornando o primeiro membro da história da Liga Justiça a morrer em ação. Isso pode dizer muito sobre as futuras habilidades de nosso mais querido nerd e Central City, e talvez também sobre seu trágico destino.

Há ainda a relação entre Caitlin e Jay esquentando. Jay, nesse episódio, a propósito, está on fire. Esquenta também com Dr. Wells. Mas em outro sentido, claro. Os personagens saem no tapa mesmo, chegam às vias de fato, o que apenas ajuda a reforçar que o novo Dr. Wells é ainda um personagem muito mais interessante do que seu antecessor. Que não tem medo de colocar o dedo na cara de meta-humano algum, principalmente de Jay Garrick que ele confronta e acusa de covarde por sempre correr de Zoom e jamais enfrentá-lo verdadeiramente. Acusação para a qual Jay Garrick, abatido pela perda da força da velocidade, parece não ter resposta. Mas também é evidente que a frustração pelo fracasso de Garrick contra Zoom atormenta muito mais o Dr. Wells. E os motivos para tanto ficam muito mais claros no fim do episódio.

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Para que eu não esqueça mais nada, e correndo o risco certo de que eu esqueça mais alguma referência, ainda há tempo para sermos apresentados a mais um membro do elenco da futura série Legends of Tomorrow que explica que veio de longe, apenas recentemente chegou à cidade, e que por isso para ela tudo é muito novo ali. Quem? Bem, essa eu não vou dizer. Mas ela está lá. Fiquem atentos.

Com tudo isso que eu falei agora eu te pergunto: quem foi o monstro da semana mesmo? Importa saber como ele foi vencido? Bom isso até importa, já que o Flash aprende a dominar mais um de seus poderes clássicos e com ajuda conjunta de Harrison Wells e de Jay Garrick, sugerindo que nessa temporada o velocista escarlate pode ter não apenas um, mas dois, grandes mestres.



Posters-TheFlashSérie: The Flash
Temporada:
Episódio: 05
Título: The Darkness and The Light
Roteiro: Grainne Godfree e Ben Sokolowski.
Direção: Steve Shill
Elenco: Grant Gustin, Candice Patton, Jesse L. Martin, Carlos Valdes, Danielle Panabaker, Victor Garber, Shantel VanSanten, Tom Cavanagh, Teddy Sears e Malese Jow.
Exibição original: 03 de Novembro de 2015 CW
Graus de KB: 2  Malese Jow trabalhou em A Rede Social (2010) com Jeff Martineau que atuou em R.I.P.D. – Agentes do Além (2013) com Kevin Bacon.

 


3 thoughts on “Review | The Flash 2×05: The Darkness and the Light”

  1. Vc esqueceu a referência de Atlantis – tenho certeza que era sobre o Aquaman. hahahaha Seria massa se o AQUAMAN aparecesse!!!!
    Concordo com vc nos formatos dos seriados da tv aberta, 22 episódios são massantes, o monstro da semana não colabora, porém para uma série de super herói fica difícil né, senão vão fazer o que: colocar todos os vilões em um episódio só.. não dá né, mas que a narrativa faça valer cada monstro da semana, isso eu concordo em n°, gênero e grau!
    Achei essa Dr. Luz bem sem graça, o Dr. Ex-rodinhas que roubou a cena ( Barry pegando as balas foi uma cena incrível) como sempre. Entendi perfeitamente o Team Flash sobre as desconfianças com ele, imagina ter que olhar pra a mesma cara (mesmo sabendo que não é ele) todo tempo de uma pessoa que só fez mal.. no minimo constrangedor! Pelo jeito que Jay saiu prevejo ele não aparecendo no próximo episódio, que triste! E o mistério será: quem é o Zoom?
    O cenário Terra 2 lembra Jogos Vorazes e a filha do Dr. Wells, tem caroço nesse angu e é dos brabos.
    Patty e Barry, tem como ser mais lindos. Acho que não.. A cena do Barry cego, impagável, palmas para Grant Gustin pois morri de rir.
    Um bom episódio que passou com um Flash.. hahaha

    P.S: Não vejo Dr. Snow como vilã (ela é muito fofa pra isso) mas fiquei desapontada quando o APP de meta-humanos não funcionou nela!

    CISCO MELHOR PESSOA EVER!

    1. Pois é, concordo com você também em tudo! Esqueci mesmo do diabo do Aquaman! Mas é Aquaman… o cara que fala com peixes… me libere… kkkkkkk

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