Batman (1989)

O Batman de 1989 levou multidões ao cinema. Segundo relatos da época, filas gigantescas formavam-se nas portas do cinema e muitos assistiam ao filme mais de uma vez. O último blockbuster desse calibre havia sido o Império Contra-Ataca, em 1980. Revendo o filme agora, com um pouco mais de bagagem cinematográfica, dá pra dizer que não era pra tanto. Não me entendam mal. Considero Batman um ótimo entretenimento, mas sua história simplista e a falta de desenvolvimento de Bruce Wayne e seu alter ego atrapalham um pouco.

A primeira coisa que salta aos olhos em Batman é o visual concebido por Tim Burton. Ele cria uma Gotham City amedrontadora: superpopulosa, perigosa, com tons sombrios e toques expressionistas. Há quem compare, inclusive, com o Metrópolis e Blade Runner, o que é justo. Não foi à toa que o filme recebeu o Oscar de direção de arte.

Decidindo contar uma história para adultos e dando energia nova para o personagem, Tim Burton e os roteiristas mostram que Gotham City está tomada pelo crime e a corrupção. Parece que um morcego gigante é mais um problema a ser enfrentado. Poucos sabem que, na verdade, Batman está lá para botar os bandidos e os delinquentes atrás das grades. É uma pena que o roteiro dedica pouco tempo para aprofundar o herói. Certo. Vemos aqui a cena em que Bruce Wayne vê os pais assassinados em sua frente, mas jamais vemos a transformação dele em Batman, seu treinamento, a criação de suas parafernalhas e suas outras motivações.

Quem recebe mais atenção é o Coringa, um criminoso que foi traído por outro criminoso e que agora quer vingança. O problema é que ele quer fazer a cidade inteira sofrer as consequências de sua ira. Quando pensamos neste personagem, é claro que Heath Ledger e o seu coringa monumental surgem na nossa monte, mas o fato é que Jack Nicholson fez um trabalho esplêndido aqui. Exagerado, mas inesquecível. O Coringa de Nicholson é capaz de pregar peças mortais, dançar e soltar diálogos bizarramente engraçados. Se este filme tem um personagem realmente interessante, trata-se dele.

Apesar da trama não ser aquela maravilha, ele oferece sequências de ação de qualidade e um bom entretenimento no geral. Podemos revelar certas coisas como o insosso romance de Wayne com a fotógrafa Vicki Vale para apreciarmos melhor. Pelo menos, deu pra perceber que o mundo de Batman é rico e cheio de possibilidades. Possibilidades essas que seriam melhor trabalhadas no futuro, não é Cristopher Nolan?


***Classificação***


Título original: Batman batman-1989-cartaz
Ano: 1989
Duração:  
126 minutos
Diretor:
Tim Burton
Roteiro: Sam Hamm, Warren Skaaren
Gênero: Ação/Aventura
Elenco: Michael Keaton, Jack Nicholson, Kim Basinger
Info: IMDb

7 thoughts on “Batman (1989)”

  1. Esse “Batman” de 1989 é caricatural e exagerado, bem ao estilo Tim Burton. Eu gosto, particularmente. E me lembro o quanto esse filme se tornou algo que era parte da cultura pop.

  2. Como assim o último blockbuster desse calibre tinha sido Episódio 5 em 1980!? (risos) Man, só em 1989 tivemos De Volta para o Futuro 2, Caça-Fantasmas 2, Indiana Jones e a Última Cruzada, só para citar alguns.

    Eu gosto muito desse filme, mas prefiro o Batman o Retorno. Talvez não sejam bons filmes do Batman, mas gosto muito deles.

    E quando eu penso no Coringa primeiro penso na voz de Mark Hamill (que dublou o personagem nos desenhos e no jogos da série Arkham), depois em Jack Nicholson e em 3º vem Heath Ledger. Concordo que o melhor talvez seja Heath, mas Jack me marcou mais porque eu era criança quando assisti esse Batman no cinema.

  3. vicky lance??? Essa personagem do universo batman não conhecia. achei a cidade muito mais gotica do que expressionista. Mais ainda burton sempre tem um toque de filme B dos anos 50 no estilo Ed Wood.

  4. Segundo pior Batman de todos os tempos, só perdendo para Batman, O Retorno. Não se decide, quer ser Adam West e Frank Miller ao mesmo tempo e falha miseravelmente nos dois.
    Não merece nem bacon vegetariano.

      1. Batman e Robin pelo menos se assume enquanto galhofa. Se você não gosta de galhofa, não assiste e pronto.
        Batman ’89 tenta passar por sombrio, mas na verdade não passa de um Batman de Adam West com menos iluminação.

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