Xcom: Enemy Unknown

Depois de muitos anos inativo quanto a realização de análises de jogos retorno a esta atividade com as impressões de um jogo com cerca de 3 anos: XCOM: Enemy Unknown. A verdade é que, hoje em dia, jogo muito menos do que no passado, mas ainda me aventuro em um ou outro título recém lançado, em menor quantidade e intensidade que outrora, em contrapartida estou sempre voltando a certos títulos que realmente me cativaram e um deles é XCOM. Costumo dividir minhas impressões em blocos e dentro de tais aspectos faço as considerações à respeito. São eles: Apresentação, Jogabilidade, Gráficos, Som e Longevidade. Dentro de cada categoria atribuirei uma nota e da média teremos o resultado final. No final, buscando encaixar-me na escala de bacons, é possível termos aproximações para mais ou menos, mas a ideia geral estará dada.

Vamos lá!


Título– Xcom: Enemy Unknown
Gênero– Estratégia/RPG
Estúdio– Firaxis
Ano-2012

Apresentação: 9,0

XCOM é um jogo que praticamente inaugurou/reviveu um estilo que andava um pouco esquecido nos games: estratégia tática por turnos. Com o sucesso alcançado por este título muitos outros, especialmente indies, adotaram o mesmo formato na jogabilidade, mas nenhum com a qualidade apresentada em XCOM. Aqui o jogador é responsável pelo controle de um grupo de soldados que se deslocará no turno respectivo e executará alguma ação direta a depender de quantos movimentos ele tenha disponível para agir. Esse sistema adotado ficou muito bem feito no geral, intuitivo, prazeroso, desafiador e emocionante. O jogador é posto num mapa, de uma série de escolhas aleatórias, e enfrentará os inimigos (aliens) na fase correspondente. O inimigo também age à semalhança do adversário controlado pelo humano, a mecânica para ele é a mesma, resultando na impressão de que existe igualdade e o que definirá a vitória é o quão bem você manipula as variáveis do jogo, que são muitas, diga-se de passagem.

O controlador é apresentado a uma organização militar secreta que tem a responsabilidade de interromper uma ameaça desconhecida de fora do nosso Planeta. Estes inimigos tem uma tecnologia avançada desconhecida e seus objetivos também são um mistério. Durante o jogo você terá que avançar também nessa trama, que se mostra bem interessante no geral. Algumas dessas apresentações são feitas por meio de vídeos ingame (usando o motor gráfico do próprio jogo e não um filminho computadorizado por fora) e isso colabora bastante para dar aquela sensação cinematográfica tão comum hoje em dia nos jogos mais badalados para os consoles de mesa. Falando em plataformas disponíveis, XCOM é um jogo nascido para PC, assim como sua sequência, que está por vir no começo do ano que vem. Depois do sucesso alcançado nos PC’s ele expandiu-se em quase todas as opções disponíveis para entretenimento eletrônico do mercado, desde os tradicionais videogames (PS3 e X360), como para portáteis (Tablets, Smartphones, etc.). Nas plataformas pequenas houve uma boa adaptação do sistema de jogo com os comandos via touch, ou seja, XCOM é um caso de boa conversão para diferentes aparelhos.

Os menus do jogo são diretos e apresentam opções suficientes para atender os desejos dos jogadores. Dentro do jogo há uma explicação breve sobre como tudo funciona, o tutorial é bem básico e apenas serve para te dar uma noção geral de como seguir. Durante o desenrolar da experiência é preciso que o controlador tenha alguma experiência com o gênero estratégia, caso contrário fará opções ruins e não explorará bem o potencial máximo do jogo. A ação é divida em duas partes; na base e no campo de luta. Em ambas é preciso mais tática do que rapidez até porque, como é de turnos, velocidade não é um atributo importante neste título. É uma aventura que aparenta facilidade inicial, mas que pode complicar-se à medida que avança e isso resultar em alguma frustração ou sensação de incompletude por quem estiver se debatendo com a forma de lidar.

Visão da central de comando com o holograma da Terra
Visão da central de comando com o holograma da Terra

Gráficos: 8,0

Baseado na versátil e competente Unreal Engine 3, XCOM apresenta um visual bonito, mesmo para os dias atuais, no tempo de seu lançamento já não era nada excepcional e ainda hoje causa a mesma impressão, ou seja, dificilmente alguém ficará incomodado por ele parecer defasado. Não há efeitos complexos, a prioridade é funcionalidade e nisso o resultado é atingido plenamente. Essa opção agradou tanto que o novo título, mesmo 3 anos depois, utilizará o mesmo motor gráfico e provavelmente terá poucas evoluções frente o que foi visto anteriormente. Outro ponto positivo de tal escolha é que o programa fica muito mais aberto as diversas máquinas, rodando bem desde as configurações mais modestas até os mais avançados. Existem alguns mods (alterações feitas à parte pela comunidade que aprecia o jogo) que melhoram a parte gráfica do jogo, mas nada que impacte significativamente o visual ou mesmo o desempenho.

Os mapas prezam por servirem mais à jogabilidade do que aos gráficos, então não espere nada de encher os olhos, na verdade essa parte é uma das que chama menos atenção, em compensação é possível ativar recursos de “limpeza de imagem” como Antiliasing ou Anisotropic, deixando a imagem mais definida sem grande comprometimento da fluidez. No tocante aos personagens, também não há nada muito elaborado, mas não faz feio tampouco, os modelos são simples, no geral, e permitem algumas personalizações para aqueles que tiverem paciência. Os soldados podem ter suas roupas e aparência física modificadas de acordo com a preferência de quem os controla e nada disso resulta num impacto no desempenho. No final é possível dizer que o jogo cumpre seu papel na parte gráfica, mas sem muito brilho.

xcom02
Gráficos prezam a utilidade ao invés da beleza

Jogabilidade: 9,5

Aqui normalmente é onde jaz a parte mais importante num jogo. É o aspecto mais significativo de uma experiência com este entretenimento e é nesse ponto que XCOM brilha mais forte. Tem-se neste ponto uma gama bastante variada de opções que necessitam de tempo, atenção e alguma experiência com o gênero para ser completamente compreendida e aproveitada pelo usuário. Por ser um jogo definido em duas etapas exige-se um bom desempenho em ambas as partes a fim de se obter sucesso no final.

  • A Base

A primeira parte é a base. Nela você construirá estruturas que serão responsáveis por inúmeras funções na sua central. Você construirá usinas de força, centros de pesquisa (de armas, recursos minerais, recursos humanos), batalhões (onde se recruta novos soldados) e tantas outras. Nesta parte do jogo é preciso ter um bom conhecimento para aproveitar toda a série de bônus que são concedidos para cada estrutura posta lado a lado. Além disso, o controlador terá que saber organizar bem os espaços, pois eles são limitados e necessitam de dinheiro para sua liberação. A base é subterrânea e essas construções são feitas nos espaços escavados para sua alocação, à medida que se vai mais fundo, mais caro fica e mais dinheiro é necessário. Lidar com essa despesa de expansão e mais todas as demais na administração de sua base é um desafio grande e muitos se perdem e não conseguem fazê-lo a contento.

Visão da base
Visão da base

 

Visão do grid da base
Visão do grid da base
  • O campo

Se o jogador não administra bem, fatalmente os maus resultados serão transportados para a luta. Uma base mal gerida resultará num esquadrão mal equipado e que terá muito mais dificuldades para encarar as missões que escalam em dificuldade à medida que o jogo avança. Falando em dificuldade, XCOM é um daqueles exemplos em que o Normal não é para qualquer um. Nele não se tem nenhum bônus para facilitar a vida do jogador, se você é inexperiente em jogos do gênero é recomendável não iniciar por esta dificuldade, caso contrário terá muitas contrariedades e provavelmente não aproveitará bem. Nos níveis mais fáceis os inimigos tem menos HP, seus soldados mais HP, além da evolução de cada um dos lados ser desbalanceada para ajudar o usuário. Muitos não gostam de usar este tipo de opção, mas em XCOM ela é altamente recomendada como primeiro contato, ao menos até familiarizar-se com as peculiaridades do título.

O esquadrão que vai à zona de combate
O esquadrão que vai à zona de combate

Durante as batalhas, geradas em mapas aleatórios, mas que podem repetir-se, um grupo de soldados, inicialmente quatro, será transportado até a zona de combate e lá eles irão enfrentar os inimigos. No começo são apenas os clássicos Aliens com o cabeção e olhos vídricos, que são mais fáceis de serem abatidos, mas com o avançar do jogo novos desafios são apresentados e teremos inimigos com mais HP e habilidades que te forçarão a montar uma força de contra-ataque heteregônea a fim de conseguir responder bem as necessidades. Este é outro bom aspecto de XCOM, aqui o jogador sentirá que todas as classes tem utilidade, tudo tem um propósito e serve bem a um objetivo, nada é desperdiçado. Até mesmo os robôs, muito desprezados por alguns jogadores, tem grande utilidade em níveis de dificuldade mais altos.

Saber posicionar-se é um dos segredos
Saber posicionar-se é um dos segredos

No campo os grupos irão enfrentar-se em turnos nos quais os lados se revezam. Cada componente do grupo tem um número de ações por turno que pode variar a depender do tipo de soldado envolvido. Vários fatores podem interferir em quantas ações são possíveis, desde roupas, armas e até como você evolui seu soldado. Falando em evoluir, essa parte talvez seja a mais divertida de XCOM. O aspeco RPG do jogo é marcante e talvez muito mais acentuado que em muitos outros exemplos que ostentam tal atributo. Cada soldado evolui de acordo com o número de mortes e desempenho nas missões (é possível evoluir apenas acertando tiros nos inimigos, muito embora será um percentual bem menor). A cada novo nível atingido o soldado ganhará a chance de escolher uma habilidade (perk) essa habilidade será definida no primeiro avanço de nível, quando o soldado, aleatoriamente, irá ter duas opções de classe a escolher (armas pesadas, médico, sniper, armas leves, etc.). Essa evolução cria um elo emocional do jogador com o seu esquadrão que o faz não querer perder nenhum deles, já que a morte em XCOM é definitiva e o nome do combatente abatido em batalha irá para um Hall de Conquistas.

Tela de escolha das habilidades quando se ganha nível
Tela de escolha das habilidades quando se ganha nível

É preciso saber gerenciar bem onde se posicionar durante as lutas, evitando tomar danos que levem à morte de seus escolhidos. Administrar bem o “cover” é uma das grandes tarefas na fase de combate, haja vista, ser imprevisível o movimento inimigo, muitas vezes por ainda estar invisível ou simplesmente porque você ignorou uma brecha em sua proteção, nesses casos dificilmente o computador irá perder a chance de aproveitar-se dessas falhas o que eleva bastante o desafio e índice de frustração do controlador. A dificuldade interfere em quanto o adversário será esperto e no seus níveis de habilidade e este também é outro fator importante a ser considerado na escolha.

Saber usar o cover é essencial
Saber usar o cover é essencial

Em geral o sistema de jogo de XCOM é riquíssimo. Cheio de alternativas, opções a explorar, variáveis a considerar e escolhas a decidir e todas, mesmo aquelas que parecem pouco importantes, terão papel importante ou mesmo determinante em alguma parte do jogo. Talvez um pouco mais de intuitividade não fizesse mal, algumas coisas um tanto básicas, necessitam de alguma experiência e até mesmo erros do jogador para poderem ser aprendidas e isso pode levar a irritação precoce com o jogo, mas, para alguns, tais desafios são um impulso para aventurar-se ainda mais à fundo no título.

Som: 8,5

Aspecto desprezado em alguns jogos. O som é peça importante na imersão e diversão que se soma a estes entretenimentos. Em XCOM o bom nível se mantém e este aspecto ajuda a construir toda a atmosfera de tensão e crise que envolve a temática do jogo. As missões são embaladas por melodias que ajudam a criar um ambiente de expectativa no jogador e os constantes gemidos e movimentos dos inimigos elevam a apreensão antes dos combates realmente começarem, quando os advesários ainda estão encobertos pela não descoberta do terreno. Em alguns momentos há uma carência de ritmos mais frenéticos e entusiasmantes. Seria bom ter uma mudança na escolha musical quando as missões estivessem se desenrolando para uma definição, tanto para um lado, como para o outro, mas, mesmo da forma como foi apresentado, cumpre muito bem seu papel e agrada bastante.

Longevidade: 9,5

Outro ponto que traz elogios é a duração que este jogo proporciona. Não espere menos de algumas dezenas de horas para concluir toda uma partida e a opção de se começar novamente com algumas opções que mexem na estrutura do jogo agregam frescor e dinamismo em novos avanços. A comunidade é bem ativa e conta com uma ótima seleção de mods que trazem opções que enriquecem ainda mais a experiência. Em especial o Mod Long War, que, como o nome sugere, aumenta ainda mais a duração da partida com mais tempo para pesquisas e mudanças significativas nos atributos dos solados e inimigos, como a subdivisão das classes originais, resultando numa diversidade ainda maior na jogabilidade. Confesso que de todas as mudanças trazidas pelo Mod a que mais me agradou foi a possibilidade de se ter mais classes a escolher para os soldados, num primeiro momento parece irrelevante, mas quando o usuário adapta-se a esta novidade não consegue mais conceber como jogar sem este novo enfoque.

Second Wave é o nome dado ao New Game+ em XCOM: Enemy Unknown
Second Wave é o nome dado ao New Game+ em XCOM: Enemy Unknown

O jogo conta com Multiplayer, mas apenas no modo 1 contra 1, uma pena, pois seria bom demais ter a possibilidade de jogar cooperativo, mas, à época, foi dito que os desenvolvedores encontraram dificuldades para conceber um mecanismo eficiente de gerência da base entre dois jogadores participando e, por isso, preferiram não inserir a possibilidade. Quanto a este aspecto, não há muitas informações para a sequência, só se sabe que teremos multiplayer, se o cooperativo estará presente só mais perto do lançamento, ao que tudo indica não deverá acontecer novamente.

Por ser um jogo com grande possibilidade de mais de um avanço na história, XCOM tem muito a oferecer neste ponto em particular. Qualquer nova partida será diferente da anterior, basta você escolher uma dificuldade superior, mudar as configurações no “Second Wave” ou, por fim, usar o Mod Long War, neste último, as possibilidade chegam quase a infinidade e é possível que você até se canse do jogo antes mesmo de terminar. A ausência de uma forma de multiplayer cooperativo faz falta e impossibilita a pontuação máxima nesse aspecto, mas ainda assim é possível ver que se trata de mais um ponto bastante elogiável.

xcom10
O Mod Long War é uma ótima adição ao jogo original. Atentar para quando instalá-lo sem a expansão; Enemy Whitin, necessita de configurações mais avaçadas

Conclusão: 9,0

XCOM é o típico caso de um jogo bem realizado em todos os aspectos, mas que se sobressai naquilo que mais importa: Diversão. Com sua jogabilidade prazerosa e desafiadora, somada ao som e gráficos funcionais temos um ótimo exemplo de como se modernizar um clássico (XCom Enemy Unknow é inspirado no antigo XCOM: Ufo Defense ou Enemy Unknown da Microprose, mesma criadora do incônico Geoff Creamond Grand Prix) e superar o original em alguns aspectos. Só podia ser obra da Firaxis, muito conhecida pela série Civilization e marcada por ótimos jogos em quase todo seu catálogo. Para quem é familiarizado com o gênero Estratégia será muito mais fácil encontrar-se, já os menos acostumados devem precisar de um pouco mais tempo até dominar bem o que o jogo oferece.

Não importa de onde venha sua maior atividade em jogos, a certeza é que encontrará uma opção aditiva, estimulante e que te deixará vidrado até a conclusão. Em novas partidas a certeza de desafios ainda maiores estão asseguradas, seja pela dificuldade ou por opções que interferem na dinâmica essencial. Por fim, a comunidade ainda fez sua parte e adicionou mais elementos, melhorando a experiência original. Se você sempre foi um curioso e nunca se animou aproveite e confira XCOM: Enemy Uknown e prepare-se bem para a nova edição que está por vir, no começo do ano que vem. Lembre-se que a primeira versão ainda conta com a expansão Enemy Within, muito bem avaliada por quem a experimentou. Fuja, no entanto, da opção XCOM Bureau Declassified, que, apesar da expectativa, decepcionou bastante e é um jogo bem diferente desse avaliado no texto.

 

***Classificação***

5 Bacons

Gosto de tratar sobre diversos temas que me trazem prazer e felicidade, não me prendo a conceitos e opiniões preestabelecidas por uma maioria, exceto amar bacon!

9 thoughts on “Xcom: Enemy Unknown

  1. Perfeito. Já zerei no fácil e no médio. Tenho macetes para jogar com pcs turbinados.
    Recomendo a todos. No fácil zerei em um final de semana, mas foram 30h de jogo direto. Quase sem parar.

    1. Caray, você é um atleta man hahahah. 30 horas num final de semana nem em nossos tempos de Super Nintendo acho que rolava

    2. AHAHA! Massa Anderson, depois da primeira zerada realmente fica mais fácil, pois você aprende com os erros e otimiza as escolhas. Apareça sempre.

  2. AHAHA! Massa Anderson, depois da primeira zerada realmente fica mais fácil, pois você aprende com os erros e otimiza as escolhas. Apareça sempre.

  3. Não me orgulho de dizer que só zerei o XCOM original na base do cheat. Esse remake é sensacional, consegue ser desafiador sem ser frustrante. Um dos melhores jogos da geração passada.

    1. Talvez você tenha caído na armadilha das escolhas equivocadas Lionel, o que é fatal em XCom. EHEHE. É um jogão mesmo. Zerei algumas vezes e até o ano passado comecei a jogar com o Mod Long War, mas cansei mais ou menos no meio. Uso o save scum (ficar recarregando), mas apenas para conseguir melhores evoluções dos soldados. Para quem não sabe o soldado sobre aleatoriamente e recarregar antes dele subir ajuda a conseguir melhores valores. Jogar na seca, sem nada disso e no modo classic em diante já é bastante desafiador.

      1. Pois é, esse XCOM eu consegui zerar sem cheat (nem sei se tem cheat no Playstation). Mas a versão original, lá dos anos noventa (XCOM UFO Defense) era simplesmente impossível.
        Por exemplo: nele você começava as missões de dentro do avião. De vez em quando rolava de você só abrir a porta do avião e já receber um explosivo lá dentro, matando todos seus soldados antes mesmo de começar.

        1. Tive tardes frustrantes com essas dizimações “instantâneas”.

          Mas quem era nerd nos anos 90 jogava muito XCom.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *