Crítica | Bailarina (Ballerina, 2025)

O sucesso da franquia John Wick fez com que após o quarto e supostamente último filme, John Wick 4: Baba Yaga , spin-offs fossem criados dentro do universo. O primeiro foi a série O Continental e agora temos o longa-metragem “Bailarina”. Agora é a vez de colocar uma protagonista feminina, interpretada por Ana de Armas, que havia roubado a cena e mostrado talento para filmes de ação em “007 – Sem Tempo Para Morrer”.
A atriz interpreta Eve Macarro, uma jovem que teve o pai morto e foi adotada pela Ruska Roma, uma instituição responsável pelo treinamento de assassinos profissionais comandada pela Diretora (Anjelica Huston). Além de aprender a utilizar armas e lutar artes marciais, Eve realiza seu sonho de ser bailarina, também em treinamentos exaustivos, daí o título do longa-metragem. Apesar disso, pouco sobre dança é explorado na obra de Len Wiseman.
Logo no início de “Bailarina” vemos a morte do pai da protagonista e descobrimos que ele queria manter a filha longe de outra ordem de assassinos chamada Hallstatt, que é comandada pelo Chanceler (Gabriel Byrne). Dessa forma a história do filme gira em torno do treinamento de Eve, seu início como assassina profissional e sem muita demora colocar em prática sua vingança. Ou seja, a trama não tem muita criatividade e segue a fórmula básica utilizada nos filmes de John Wick.
O problema é que “Bailarina” parece não querer se afastar de John Wick em nenhum momento. O tempo todo vemos algum personagem da franquia ou alguma referência ao universo. Para complicar, temos a presença do próprio Keanu Reeves, que apesar do óbvio fan service, serve mais para diminuir a importância e o impacto da protagonista de Ana de Armas do que realmente acrescentar algo de interessante à narrativa. Dessa forma a obra de 2025 está mais interessada em ser um John Wick 3.5 (pois a trama se passa entre o terceiro e o quarto filme) do que realmente apresentar uma nova protagonista capaz de brilhar sozinha.

Apesar desse problema, “Bailarina” é eficaz nas cenas de ação, que é o grande destaque dos filmes do universo de John Wick. É interessante ver Eve Macarro como uma personagem mais vulnerável, que eventualmente se fere durante uma luta, e não como um “super-herói”, que é praticamente o que o personagem de Keanu Reeves se transformou. O diretor Len Wiseman utiliza algumas dinâmicas de luta um pouco diferentes do visto nos longas anteriores, com destaque para uma batalha onde Eve utiliza um lança-chamas.
Contudo, na parte técnica, na cenografia, fotografia e principalmente na trilha sonora, todos os elementos cinematográficos remetem ao universo de John Wick. Além disso, o roteiro de Shay Hatten pouco explora o ponto de vista feminino da protagonista.
Sem dúvidas o grande destaque de ”Bailarina” é o protagonismo de Ana de Armas. A atriz esbanja carisma e mostra muito talento para as cenas físicas, transformando os movimentos de Eve em ações verossímeis. Dessa forma, mesmo que o longa-metragem de Len Wiseman não tenha muitas qualidades no roteiro e se prenda nas referências ao universo de John Wick, as cenas de ação compensam as falhas e transformam a experiência de se assistir ao filme em algo extremamente divertido.

Uma frase: – Nogi [para Eve]: “Lute como uma garota.”
Uma cena: A luta envolvendo a utilização de um lança-chamas.
Uma curiosidade: A data de lançamento original era 7 de junho de 2024. Para filmar mais sequências de ação, a data foi adiada para 6 de junho de 2025.

Bailarina (Ballerina)
Direção: Len Wiseman
Roteiro: Shay Hatten
Elenco: Ana de Armas, Anjelica Huston, Gabriel Byrne, Lance Reddick, Norman Reedus, Ian McShane, Catalina Sandino Moreno, Sharon Duncan-Brewster e Keanu Reeves
Gênero: Artes Marciais, Ação, Thriller
Ano: 2025
Duração: 125 minutos