Crítica | O Brutalista

Em “O Brutalista” o diretor Brady Corbet faz um épico estudo de personagem sobre um homem imigrante sobrevivente ao Holocausto que foge para os Estados Unidos em busca de sobrevivência. A história mostra o sonho americano do ponto de vista de um estrangeiro e como os próprios americanos enxergam esse tipo de pessoa. Na verdade, com poucos minutos de projeção a mensagem da obra de Corbet está clara, mas o cineasta explora o tema de maneira minuciosa.
O protagonista é László Tóth (Adrien Brody), um arquiteto que fugiu da Hungria durante a Segunda Guerra Mundial em busca de sobrevivência e uma nova chance. Ao chegar nos Estados Unidos recebe ajuda de um primo e descobre que sua esposa Erzsébet (Felicity Jones) está viva, mas precisa de dinheiro para viajar até os EUA.
O roteiro escrito pelo próprio diretor Brady Corbet junto com Mona Fastvold divide a trama em duas partes. Na primeira vemos László em busca de empregos, até que consegue um trabalho junto com o primo para fazer uma reforma na casa do milionário Harrison Lee Van Buren (Guy Pearce). A obra inicialmente irrita o homem, mas depois ele reconhece o talento do arquiteto e o convida para trabalhar junto com ele, além de ajudar a trazer Erzsébet para o país. Na segunda parte vemos a chegada da mulher e o início das obras do projeto da parceria entre Tóth e Van Buren, juntamente com as consequências.
A história é contada com um bom ritmo e mesmo com mais de 3 horas de duração não se mostra cansativa. Contudo, em muitos momentos parece se prolongar sem necessidade. A narrativa faz paralelos entre a vida de László e o brutalismo, um estilo arquitetônico que se caracteriza pelo uso do concreto aparente, formas geométricas e ausência de ornamentos. Só que Brady Corbet subestima a capacidade interpretativa do público. O grande exemplo disso é incluir um epílogo que tenta resumir a vida do protagonista e quase compromete o resultado de “O Brutalista”.
Tecnicamente o filme é muito bonito, explorando as belezas naturais dos cenários e fazendo alusão ao estilo arquitetônico do brutalismo. A trilha sonora de Daniel Blumberg é um dos destaques, ajudando no tom emocional da narrativa com temas belíssimos que evocam a melancolia da história. Já a fotografia de Lol Crawley usa o VistaVision, processo de imagem panorâmica de alta resolução que utiliza película de 35 mm, com o intuito de dar ao longa-metragem um clima de antigo e épico, mas que não faz tanta diferença na narrativa.

O grande diferencial de “O Brutalista” é o elenco. Adrien Brody está muito bem e ele tem a fisionomia perfeita para retratar um homem que enfrenta grandes dificuldades. Ele desenvolve o personagem de forma coesa, sem exagerar nos maneirismos. É interessante acompanhar o seu desenvolvimento e a forma como lida com suas próprias frustrações, que se refletem na sua sexualidade. Quando Felicity Jones surge em cena como Erzsébet vemos uma mudança e a importância da sua presença na vida dele. A atriz só aparece na segunda parte, mas deixa sua marca quando está em cena. Já Guy Pearce explora as nuances de Harrison e de como ele tem o seu lado pessoal mais contido e sombrio, sendo o reflexo clássico do “rico explorador”, que o ator coloca em prática muito bem.
Em síntese, “O Brutalista” é um bom filme que explora de maneira correta o drama épico, apresentando uma história interessante e que funciona apesar da sua longa duração. A parte técnica merece elogios e o elenco é o diferencial, mas com certeza uma trama mais enxuta o tornaria mais dinâmico e eficiente.

Uma frase: – Harrison Lee Van Buren, [para László Tóth]: “Conte-me, por que um célebre arquiteto estrangeiro está trabalhando com carvão aqui na Filadélfia?”
Uma cena: Quando Harrison e László viajam para comprar mármore.
Uma curiosidade: A claraboia de vidro da mansão é uma homenagem a uma claraboia semelhante à que Frank Lloyd Wright projetou para o Museu Guggenheim em Manhattan.

O Brutalista (The Brutalist)
Direção: Brady Corbet
Roteiro: Brady Corbet e Mona Fastvold
Elenco: Adrien Brody, Felicity Jones, Guy Pearce, Joe Alwyn, Raffey Cassidy, Stacy Martin, Emma Laird, Isaach de Bankolé e Alessandro Nivola
Gênero: Drama, Épico
Ano: 2024
Duração: 202 minutos