Crítica | Tico e Teco: Defensores da Lei (2022)

Crítica | Tico e Teco: Defensores da Lei (2022)

Nos anos 1990, a Disney produziu a série animada “Tico e Teco: Defensores da Lei”, onde os esquilos faziam parte de uma equipe de detetives e investigavam crimes. O filme de Akiva Schaffer mostra Tico e Teco como dois ex-atores que estrelaram o desenho “Defensores da Lei” 30 anos antes, mas que agora seguem uma vida comum.

O longa-metragem de 2022 mistura humanos com desenhos, combinando diversos estilos de animação, a depender do personagem envolvido. Por exemplo, Tico aparece com seu visual clássico da animação dos anos 90, enquanto Teco tem uma aparência moderna feita em CGI, após ter feito um procedimento estético.

O roteiro de Dan Gregor e Doug Mand explora bem a nostalgia da sensação de revisitar personagens queridos, misturando isso em uma narrativa que transita entre agradar o público adulto que assistiu a animação nos 1990 e também às crianças que estão tendo contato com os personagens pela primeira vez. Dessa forma, a história apresenta piadas e referências pop para ambos os públicos, mas na maior parte do tempo parece mais interessada em agradar os mais velhos.

A própria trama tem elementos meio nonsenses, mas sem deixar a seriedade de lado, só que o objetivo principal é explorar o tom cômico da história. Assim descobrimos que Tico e Teco não se falam desde que a série foi cancelada. Tico se transformou em um solitário vendedor de seguros, enquanto Teco tenta manter a carreira de ator. Os dois se encontram novamente após o pedido de ajuda do ex-companheiro de programa Monty, que tem uma dívida com traficantes por ser viciado em queijo. O rato é sequestrado, então Tico e Teco resolvem investigar o ocorrido por conta própria.

A história é cheia de absurdos, mas a mistura de humanos com desenhos funciona bem por seguir uma linha parecida com “Uma cilada para Roger Rabbit”. Já a dinâmica entre diversos tipos de pessoas, sejam elas desenho animado ou não, lembra bastante o que foi mostrado em “Zootopia”.

O grande trunfo de “Tico e Teco: Defensores da Lei” é o elenco de vozes, a começar pela dupla de protagonistas que é dublada pelos comediantes John Mulaney e Andy Samberg. A química entre eles é muito boa e é curioso como no filme as vozes dos esquilos não tem o tom agudo dos desenhos, somente em alguns momentos, mostrando que os personagens só usavam essa voz quando estavam atuando na série animada, o que já é uma ótima piada.

Além disso, as referências pop são muito boas e os personagens que surgem durante o desenrolar da trama apresentam ótimas surpresas, que não merecem ser citadas para não estragar as surpresas. Por isso a importância do elenco de vozes, que conta também com nomes como Will Arnett, Eric Bana, Seth Rogen e J.K. Simmons.

Vale citar apenas que o plano do vilão do filme envolve sequestrar personagens animados e alterar um pouco a aparência deles para usá-los em outros filmes “genéricos” (isto é, piratas), que são chamados de bootlegs. É como se fosse uma versão fictícia e parecida da Vídeo Brinquedo, uma produtora brasileira que produz filmes animados diretos em vídeo amplamente vistos como cópias de animações da Disney, Pixar e outros estúdios.

Em síntese, Tico e Teco: Defensores da Lei de 2022 é um filme divertido, que explora bem a nostalgia e o absurdo, criando uma trama satisfatória para reunir a dupla de esquilos em uma nova produção e em um diferente ponto de vista. É o tipo de longa-metragem que funciona melhor em casa, assim a Disney acerta em lançá-lo como conteúdo exclusivo do seu serviço de streaming. E sem dúvidas tem um resultado mais satisfatório para quem tem boas lembranças com a série animada dos anos 1990.


Uma frase: “Vocês são os Defensores da Lei, eu sou um grande fã!”

Uma cena: O primeiro encontro entre Tico e Teco na escola em um flashback da infância deles.

Uma curiosidade: No início do filme, Teco estrela seu próprio show intitulado 00-Teco. No início dos anos 90, a Disney estava desenvolvendo um programa chamado “Double-0-Duck” (00-Pato). Essa ideia foi descartada quando se descobriu que o título “Double-0” (00) é de propriedade de Ian Flemming, autor dos romances de James Bond. “Double-0-Duck” foi reformulado e se tornou Darkwing Duck.


Tico e Teco: Defensores da Lei (Chip ‘n Dale: Rescue Rangers)

Direção: Akiva Schaffer
Roteiro: Dan Gregor e Doug Mand
Elenco: John Mulaney, Andy Samberg, KiKi Layne, Will Arnett, Eric Bana, Flula Borg, Dennis Haysbert, Keegan-Michael Key, Tress MacNeille, Tim Robinson, Seth Rogen, Da’Vone McDonald e J.K. Simmons
Gênero: Animação, Aventura, Comédia
Ano: 2022
Duração: 97 minutos

Ramon Prates

Ramon Prates

Analista de sistemas nascido em Salvador (BA) em 1980, mas atualmente morando em Brasília (DF). Cinema é sem dúvidas o meu hobby favorito. Assisto a filmes desde pequeno influenciado principalmente por meus pais e meu avô materno. Em seguida vem a música, principalmente rock e pop.

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