Crítica | Rambo: Até o Fim

Curiosamente, o nome do primeiro filme de Rambo se chama em inglês “First Blood”, fazendo referência ao fato de que os “inimigos” do protagonista atacaram primeiro. Agora no 5º filme da franquia o personagem chega ao seu “Last Blood” (último sangue). Mas será que Rambo: Até o Fim será mesmo o último capítulo desse icônico personagem? O importante é que mesmo que de maneira irregular, Sylvester Stallone entrega mais uma boa performance e com seu carisma nos faz apreciar mais uma parte dessa jornada, ainda que ela não fosse necessária.

No final de Rambo IV, o personagem resolve voltar para casa, após vagar por diversos anos pelo mundo. Em seu novo filme vemos um lado mais pessoal do protagonista, onde ele agora se tornou um fazendeiro e tem uma família. Ele cuida da jovem Gabriela (Yvette Monreal) como se fosse uma filha, junto com a avó da garota. Um dia ela resolve ir para o México em busca do seu pai biológico e é capturada por um grupo de traficantes de mulheres. Então, Rambo vai atrás dela e se envolve em uma nova “guerra”.

Por um lado esse é o filme de Rambo que mais foge do lugar-comum criado pela própria série, onde o protagonista se envolve em algum conflito do qual ele nada tem a ver. Agora sua jornada é bem pessoal. No entanto, o roteiro explora outros tipos de clichês. O principal deles é sobre vingança, já que ‘Até o Fim’ parece um filme genérico sobre o tema, com o diferencial de ser protagonizado por um personagem icônico. A narrativa usa estereótipos de vilões mexicanos e apresenta personagens unidimensionais, onde suas ações são cruéis sem uma boa motivação. Isso faz com que eles não pareçam verossímeis e isso destoa da proposta mais realista da narrativa.

O principal problema foi que o diretor Adrian Grunberg não soube explorar o lado pessoal da jornada de Rambo de maneira satisfatória, desenvolvendo a narrativa de forma genérica e preguiçosa. Ainda que Stallone seja muito carismático, seu desempenho dramático nunca foi o seu forte, então eram necessários atores melhores como antagonistas. Sergio Peris-Mencheta e Óscar Jaenada, que interpretam os irmãos Hugo e Victor Martinez, apresentam atuações caricatas, que são ainda mais prejudicadas pelo roteiro irregular.

A relação entre Rambo e Gabriela é essencial para o filme ter o apelo emocional necessário, mas ela também é negligenciada pelo roteiro. Yvette Monreal é uma boa atriz e é responsável pelos melhores momentos dramáticos de ‘Até o Fim”. Infelizmente, o relacionamento pai e filha é explorado de forma superficial pela narrativa. Outro personagem que é pouco explorado é o da jornalista Carmen, interpretada por Paz Vega, que aparece pouco e sai de cena sem explorar o potencial dramático da sua personagem.

Sobra então para a nostalgia salvar Rambo: Até o Fim e, nesse quesito, o filme de Adrian Grunberg é mais bem-sucedido. Em algumas cenas, a trilha sonora evoca os temas clássicos criados pelo compositor Jerry Goldsmith. Porém, é no 3º ato que a narrativa apresenta a catarse da vingança onde John Rambo faz um enorme “Esqueceram de Mim” transformando sua residência em uma grande armadilha para os vilões. Nesse momento, a ação vista na tela faz referência aos outros filmes da franquia, seja pelo uso de arco e flechas ou na criação de lanças, e aí então todos os problemas são relevados em nome da diversão.

Após ressuscitar Rocky de maneira gloriosa e bem-sucedida, Stallone não conseguiu o mesmo com seu outro clássico personagem, que já apresentava problemas no filme anterior. Em síntese, Rambo: Até o Fim tinha potencial para explorar melhor o lado mais pessoal e humano do protagonista, mas infelizmente o roteiro peca por apresentar uma história genérica e com personagens unidimensionais. Mesmo assim, ainda temos Sylvester Stallone em cena para garantir que a nostalgia e o apego emocional ao personagem falem mais alto. Os momentos de ação compensam o resultado final irregular, que se conclui, ainda assim, positivo.


Uma frase: – Rambo: “Eu quero vingança. E eu quero que eles saibam que a morte está por vir.”

Uma cena: Quando Gabriela encontra com seu pai biológico na porta da casa dele.

Uma curiosidade: Esse é o filme mais curto da franquia com 89 minutos e também é o 1º em que Sylvester Stallone não está com cabelo comprido.


Rambo: Até o Fim (Rambo: Last Blood)

Direção: Adrian Grunberg
Roteiro:
Matthew Cirulnick e Sylvester Stallone, história de Dan Gordon e Sylvester Stallone
Elenco: Sylvester Stallone, Paz Vega, Sergio Peris-Mencheta, Adriana Barraza, Yvette Monreal, Genie Kim, Joaquín Cosío e Oscar Jaenada
Gênero: Ação, Aventura, Thriller
Ano: 2019
Duração: 89 minutos

One thought on “Crítica | Rambo: Até o Fim”

  1. Nasci nos anos 80 e meu pai é um fã do gênero de cinema de ação. O resultado é que cresci assistindo às sessões de ‘Domingo Maior’, com os filmes de Chuck Norris, Stallone, Van Damme, Charles Bronson, Dolph Lundgren, Schwarzenegger, dentre outros. O Rambo fez parte da minha infância, mas acho o seu ressurgimento completamente desnecessário. Os tempos são outros e não entendo a insistência do Stallone em tentar reviver seus personagens clássicos nos dias atuais… Deu certo com Rocky, mas, com o Rambo, não dá.

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