Crítica | Depois do Casamento (2019)

Que segredo seria capaz de conectar um orfanato na Índia com necessidades financeiras, uma empresa multimilionária nos Estados Unidos e o matrimônio de dois jovens apaixonados? Este é o mistério que nos apresenta o filme Depois do Casamento do diretor Bart Freundlich.

Conhecido por uma filmografia de dramas românticos, intensos e introspectivos, Freundlich propõe dessa vez o remake do filme norueguês de 2006 da diretora Susanne Bier. O novo filme traz um cenário diferente do original, saindo de Copenhagen (no filme de Susanne) e vindo à cosmopolita Nova York. Talvez para o público norte-americano essa mudança possa fazer algum sentido a ponto de justificar o remake, no entanto não consegue sustentar as expectativas criadas ao redor disso.

Depois do Casamento é um filme dramático que conta com grandes atores, porém com baixíssima qualidade de atuação. O filme possui basicamente três atos principais nos quais as situações são apresentadas, desenvolvidas e consolidadas. Mas a expectativa criada durante a construção do filme é frustrada pelos clichês e pela linearidade do roteiro, que não apresenta nenhum ápice, ou melhor, apresenta a saída mais trivial que se poderia existir em um drama.

Na primeira parte, descobrimos um pouco mais sobre a vida de Isabel, interpretada por Michelle Williams. A atriz traz veracidade em um nível aceitável e consegue convencer com sua luta para ajudar o orfanato que gerencia na cidade de Kolkata, na Índia. O filme se sustenta na atuação de Michelle uma vez que ela, apesar de não possuir longos diálogos, consegue se comunicar muito mais com seu olhar do que os gritos e lágrimas nada convincentes de Moore.

Na segunda parte, conhecemos um pouco mais da vida de Theresa (personagem de Julianne Moore) e sua família. Uma mulher de negócios, que possui três filhos, uma mansão e um marido devotado, porém que esconde alguma coisa. Infelizmente Moore deixa a desejar, e só consegue emocionar em uma rápida cena final. A atriz já é conhecida por grandes papéis no cinema, o que nos inclina a assistir Depois do casamento. Entretanto, após uma atuação indiferente e sem credibilidade, assistir ao filme se torna uma experiência monótona e desnecessária.

A união entre as personagens se dá no momento em que a empresa de Theresa se oferece para doar um valor em dinheiro ao orfanato de Isabel. No entanto um convite inusitado é feito à moça que terá que sair da Índia e ir pessoalmente para NY em busca dos 2 milhões de dólares oferecido (Sim! Uma oferta tentadora e cheia de mistério – quem iria doar todo esse dinheiro sem segundas intenções?).

Ao conhecer pessoalmente a família de Theresa, durante o casamento da filha do casal, Isabel percebe que existe algo estranho e mal explicado. Então a trama se revela e um segredo que une todas as histórias é desvendado. Um artifício que dá um suspiro à monotonia do filme, mas que não consegue manter o nível de interesse do espectador. A tensão criada em todo o primeiro ato faz com que quem está sentado na cadeira do cinema crie mil e umas possibilidades para desvendar o “mistério”. No entanto, o diretor usa a saída mais clichê possível e ao final a pergunta que fica no ar é ‘Porque eu vim assistir esse filme?’ ou, ‘Será que eu entendi a mensagem, se é que houve uma..?’.

Depois do Casamento é um filme que prometia um drama introspectivo, cheio de mistério e auto-reflexões sobre a condição humana e as relações familiares. No entanto a trama não proporciona nenhuma sentimento que não seja tédio – especialmente pela presença nada marcante de Moore. O ‘mistério’ que une as protagonistas não poderia ser mais trivial e a presença de um plot twist super clichê geram o sentimento de monotonia, trazendo o questionamento: qual a necessidade de fazer este filme?


Uma frase: Isabel – “Não se preocupe. Eu não volto sem uma mala cheia de dinheiro!”

Uma cena: Um diálogo entre Theresa e seu marido no chão do quarto, ao final do filme.

Uma curiosidade: Julianne Moore e Billy Crudup, que interpretam marido e mulher neste filme, também atuaram juntos em Totalmente Apaixonados (2005), no qual interpretam amigos. Ambos foram dirigidos por Bart Freundlich, que é casado com Julianne Moore.


Depois do Casamento (After the Wedding)

Direção: Bart Freundlich
Roteiro:
Bart Freundlich, Susanne Bier e Anders Thomas Jensen
Elenco: Michelle Williams, Julianne Moore, Billy Crudup, Will Chase e Abby Quinn
Gênero: Drama
Ano: 2019
Duração: 112 minutos

2 thoughts on “Crítica | Depois do Casamento (2019)”

  1. Incrível como Bart Freundlich não consegue acertar como diretor. Seus filmes sempre possuem grandes elencos, mas nunca se destacam. “Depois do Casamento” estreou na minha cidade nesta semana, mas confesso que nem me animei… Já esperava que o filme fosse ser assim, infelizmente.

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