Crítica | Robin Hood: A Origem

Robin Hood: A Origem chega aos cinemas em 2018 com a pretensão de dar uma abordagem revisionista à lendária história do exímio cavaleiro que usava suas habilidades de combate e arquearia para roubar dos ricos para dar aos pobres. Na pele de Robin, Taron Egerton — famoso por Kingsman — empresta carisma ao folclórico arqueiro que, na direção de Otto Bathurst — responsável por também dirigir The National Anthem, primeiro episódio de Black Mirror, é elevado mais à condição de herói do que a de fora-da-lei.

Para forjar essa nova versão do arqueiro, Otto Bathurst — com a produção do ator Leonardo Di Caprio — decide investir no visual mais contemporâneo/futurista dos figurinos dos personagens, em cenas bem coreografadas de ação, além de boa fotografia e exploração de recursos de velocidade, que dão ritmo ao longa cujo maior desafio é não ser enfadonho, após 110 anos da estreia da primeira adaptação cinematográfica do “príncipe dos ladrões”.

O risco de desastre era muito grande, porém o clima de aventura respaldado pela química entre o Robin de Taron Egerton e o Little John de Jamie Foxx entregam aos admiradores de filmes bem ao estilo “sessão da tarde” um longa que nem surpreende e muito menos decepciona, apenas satisfaz. À exceção de raros momentos, todo o filme é bastante previsível. Há pequenos furos ou até mesmo equívocos de roteiro que não comprometem a boa execução dessa nova versão, que em nenhum momento se propõe a ser fiel ou refém dos fatos históricos que contextualizam a lenda.

Essa confusão de circunstâncias históricas é propositalmente corroborada com a ajuda de elementos cênicos e de figurino, que parecem deslocados da realidade do século XIII, no qual teria supostamente existido o verdadeiro Robin Hood. Fica evidente a opção por priorizar o aspecto ficcional da lenda. Tanto que o arqueiro é muito mais valorizado por seu arco heróico do que pelo componente humano por trás da capa. Inclusive, o tão famoso casaco com capuz dá lugar a um traje de couro acinturado e de corte mais moderno, que lembra e muito o do vigilante Arrow, da série de TV da Warner Channel.

Incomoda, na verdade, são as inúmeras frases feitas inseridas aleatoriamente nos diálogos dos personagens. Isso porque já é sabida por grande parte do público a mensagem contida no folclore de Robin Hood. Reiterá-la exaustivamente é um erro imperdoável, que acaba por conter todo o potencial da nova adaptação. A luta de classes, a corrupta relação entre igreja e monarquia, a violência e a exploração do povo para manutenção dos privilégios da nobreza e do clero, todas essas discussões sempre estiveram e sempre estarão no pano de fundo das adaptações da história do arqueiro.

No elenco, além das atuações de Taron Egerton e Jamie Foxx, sobressaem as de Ben Mendelsohn, como xerife de Nottingham, e de Tim Minchin, como Frei Tuck, que faz também o papel de alívio cômico do longa. Já o interesse amoroso de Robin, Marian, é uma grande decepção no trabalho de interpretação de Eve Hewson. Outro fracasso é Jamie Dornan, que com seu Will Scarlet, é tão pouco convincente quanto seu Christian Grey, em Cinquenta Tons de Cinza. Além da fraca atuação, a própria existência do seu personagem se torna completamente dispensável no terceiro ato do filme.

Apesar de Robin Hood: A Origem, possivelmente, ser mais um filme esquecível do que memorável, ainda assim, ele vai agradar os fãs de aventura, que vão para o cinema se divertir com cenas de ação de um típico blockbuster. Trata-se de mais um exemplar do cinema “guilty pleasure” (prazer culpado), ou seja, é um longa que, no fundo, no fundo, temos perfeita consciência de que não é lá algo extraordinário, mas contempla todos nossos desejos de entretenimento fácil e imediato.


Uma frase: – Cardeal fala para o xerife Nottingham: “O medo é a maior arma do arsenal de Deus, por isso a Igreja criou o inferno”.

Uma cena: Quando os moradores das minas, liderados por Will, aparecem munidos de coquetéis molotov, pedaços de pau e outras armas improvisadas, com os rostos cobertos lembrando black blocs contemporâneos, para atacar a guarda do xerife, numa das sequências finais de ação do filme.

Uma curiosidade: O youtuber Lars Andersen, da Dinamarca, foi contratado para ensinar arco e flecha ao elenco. Lars Andersen ficou famoso por criar um vídeo no YouTube, onde mostrou habilidades extraordinárias com arco e flecha, o que lhe rendeu o apelido de Legolas. Entre algumas de suas habilidades, está a de acertar flechas no ar e disparar, e ainda atingir três alvos em um único salto do chão. Para aumentar sua velocidade, ele usa uma técnica antiga que exige que ele atire com seu draw e não cruze a flecha no arco como os arqueiros modernos. Esta técnica é usada por Robin no filme.


Robin Hood: A Origem (Robin Hood)

Direção: Otto Bathurst
Roteiro:
Ben Chandler, David James Kelly e Ben Chandler
Elenco: Taron Egerton, Jamie Foxx, Ben Mendelsohn, Eve Hewson, Jamie Dornan, Tim Minchin e Paul Anderson
Gênero: Ação , Aventura
Ano: 2018
Duração: 116 minutos

Filha dos anos 80, a Não Traumatizada, Mãe de Plantas, Rainha de Memes, Rainha dos Gifs e dos Primeiros Funks Melody, Quebradora de Correntes da Internet, Senhora dos Sete Chopes, Khaleesi das Leituras Incompletas, a Primeira de Seu Nome.

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