Crítica | The Post: A Guerra Secreta (The Post)

The Post: A Guerra Secreta nos traz o caso da obtenção dos Papéis do Pentágono, um documento que relata um estudo do planejamento interno e política nacional norte-americana sobre a Guerra do Vietnã. Quando o New York Times foi impedido de tocar no assunto, por injunção legal, o Washington Post tem a chance de divulgar outra leva de documentos. A divulgação, se feita pelo Post, pode mudar o rumo da história.

Enquanto o Times já tinha uma grande estrutura e podia manter os melhores jornalistas, com as melhores fontes, o Post ainda estava ansiando por dar um passo mais largo com a abertura de capital e assim se manter na corrida.

O jornal buscava se atualizar e vivia uma batalha interna na administração, a dona por herança Kay Graham (Meryl Streep) era alguém que apesar da competência, estava sem voz ativa em um mundo de homens que não acreditavam em sua administração. O motivo? Ser uma mulher. Mesmo com toda a influência e conhecimento, além de uma visão à frente da maioria quanto a forma de gerenciar a empresa. Graham contava com a ajuda do ávido editor chefe Ben Bradlee (Tom Hanks) que era o seu outro braço para liderar a redação do jornal e se manter firme.

O filme começa a causar inquietação a partir do momento em que os documentos chegam na redação. Vejamos: O jornal estava atrás de uma grande história para vender e o maior concorrente estava impedido de publicar qualquer coisa sobre o assunto. O que impede de averiguar a veracidade, publicar e ter o momento de glória? Os laços entre Graham e o Secretário de Defesa responsável pela documentação Robert McNamara.

Quando o marido se suicidou, por volta de oito anos antes, Kay Graham teve como apoio os seus amigos, muitos destes faziam parte do alto escalão político, inclusive o Secretário de Defesa.

A determinação de Bradlee e a hesitação de Graham se tornam o foco do debate. Um passo em falso poderia perder tudo o que foi conquistado, além do legado. Bradlee consegue reunir sua equipe em casa enquanto tenta persuadir a sua chefe para publicar a história dos documentos.

Considerando os tempos atuais e toda a discussão do papel da mídia sobre informar para esclarecer o público e supostamente denunciar as mazelas, The Post: A Guerra Secreta me causou um misto de euforia e incômodo. Sabemos que Spielberg gosta de contar histórias sobre pessoas e como vivemos. Numa época em que ficções científicas são ovacionadas por mostrar o quanto estaremos perdidos, nosso querido diretor está mostrando que o passado, a história, ainda é pra onde nós devemos olhar pra entender o mal que não conseguimos evitar.

O fim do filme é romantizado, os principais atores são vistos como heróis de uma imprensa livre enquanto na verdade estiveram receosos por perderem os privilégios adquiridos pela manutenção do status quo. Então fica a dúvida sobre qual público o diretor quer atingir. Além do mais, acho que o gancho para o caso Watergate foi algo tão cômico quanto a Marvel faria, me parece questionável.

Entretanto a forma como Spielberg compõe as cenas juntamente com a música é sensacional. Em uma das cenas podemos acompanhar como é feita a montagem do jornal, desde a edição e diagramação até chegar às máquinas, de um lado para o outro, como um balé. O homem envelhece mas não perde o talento.

Por fim o drama jornalístico é atraente, rápido e traz uma noção de como funcionava a redação dos jornais. Para quem é fã ou trabalha nesse meio deve ser algo fantástico de ser assistido. Uma história oportuna com um elenco recheado de estrelas como Meryl Streep, Tom Hanks, Bob Odenkirk, Bruce Greenwood, Sarah Paulson e Alison Brie. Além da famosa parceria do diretor com o mestre das trilhas sonoras John Williams. Pra completar o filme está concorrendo ao Oscar em duas categorias.


Uma frase: “O jornal é o primeiro rascunho na história”

Uma cena: A discussão entre Kay Graham e sua filha sobre a mãe eximir-se da responsabilidade jornalística e proteger os amigos políticos. 

Uma curiosidade: Dedicado a Nora Ephron, uma vez casada com Carl Bernstein, que com Bob Woodward descobriu o escândalo Watergate em 1972 como repórteres do The Washington Post.


The Post: A Guerra Secreta (The Post) 

Direção: Steven Spielberg
Roteiro:  Liz HannahJosh Singer
Elenco:   Meryl StreepTom HanksSarah PaulsonBob OdenkirkBruce GreenwoodSarah PaulsonAlison Brie
Gênero: Drama, História, Biografia
Ano: 2017
Duração: 116 minutos

 

 

 


Trailer: The Post


 

Uma alma com boas intenções que está metendo dança. Dizem.

One thought on “Crítica | The Post: A Guerra Secreta (The Post)”

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *