Crítica| O Melhor Professor da Minha Vida

Um tema sério e tão divertido quanto aprender.

Existem algumas coisas que nós brasileiros podemos aprender sobre educação e crescimento assistindo O Melhor Professor da Minha Vida, principalmente por se tratar de um tema que está em pauta nos últimos anos. Esse filme leva a refletir sobre o que é feito para ajudar no desenvolvimento das pessoas e como fazer o bem para o outro também faz com que cada pessoa avance em questões pessoais.

Aos 40 anos, o professor François Foucault (Denis Podalydès) leciona literatura no Liceu Henri IV, uma renomada escola de Paris, uma escola pública do tipo que só entram os alunos aprovados por concurso. As primeiras cenas do filme são apresentadas dentro de uma sala de aula luxuosa, bem iluminada e com cadeiras confortáveis. O professor passeia entre as fileiras distribuindo avaliações e notas baixas, enquanto os semblantes dos alunos transmitem vergonha.

É interessante prestar atenção nessa parte já que cada acontecimento seguinte a esse ocorrido vai falar mais sobre quem é o professor Foucault. Como ele é identificado perante outras pessoas que esperam dele o mesmo tanto que exige dos seus alunos. Foucault sofre do mesmo descaso por parte de um familiar que admira, que o julga como alguém que desperdiçou o potencial. É durante uma dessas conversas que ele vai de encontro com o destino: Ensinar numa escola da periferia e fazer um relatório para a secretaria de educação.

Foucault possui um pensamento crítico sobre os educadores, mas titubeia quando lhe é proposto sair da zona de conforto da qual acusa outros profissionais por ter escolas com um nível tão abaixo da média. Mesmo aceitando o desafio de ensinar em uma escola da periferia, meio que a contragosto já que a ideia inicial era se exibir para uma mulher, mas a atitude inicial é de repetir o que outros professores já fazem.

O aluno, quase sempre “ruim”, dessas escolas é notificado, dispensado, expulso, maculado. O silêncio vem através do medo e da imposição, não existe respeito e sim negociação para evitar dias mais cansativos.

Não conheço o trabalho do diretor Olivier Ayache-Vidal, mas é impressionante como ele usou da empatia para descrever o desgaste dos professores nas atuações. O desgaste  que ele transmite dos professores não vem apenas do esgotamento diário em sala de aula e sim da dor  por ter um impulso reprimido pela falta de preparo.

Alguns professores entendem que uma reprovação ali significará um caminho ruim para o aluno, pois estes sabem que um movimento diferente pode dar um novo rumo na vida daqueles que já são desacreditados e estão em desvantagem.

Dentro da sala de aula o professor Foucault começa a conviver com Seydou (Abdoulaye Diallo), um garoto que tenta se dar bem nas avaliações da mesma forma que faz na vida: Cortando caminhos, burlando. É de se imaginar a princípio que os estudantes fazem dessa maneira um hábito pois são preguiçosos, incompetentes ou qualquer um desses julgamentos costumeiros.

Porém, não é só questão do bom professor de uma escola modelo ir ensinar alunos de periferia e partindo disso, poder esperar que todos entendam aquilo como um prêmio ou privilégio. O filme mostra que educar também é desenvolver o potencial do aluno, atiçar o gosto. Ele entende como Seydou pode aprender quando tenta colar para um exame e que uma boa nota ali serve como recompensa de avaliação mais subjetiva.

O Melhor Professor da Minha Vida vai falar não só para uma França que discute a questão dos refugiados que estão se tornando maioria nas periferias e regiões mais pobres do país, mas para um Brasil que precisa repensar seu sistema educacional e se recusa a fazer da maneira correta, com a ajuda de profissionais e estudos de caso para melhor entendimento.

François e Seydou percebem a partir do vínculo, um conhecimento intrínseco gerado pela vontade de ser alguém melhor. A admiração não vem por meio daquilo que fazemos para chamar a atenção, mas sim do respeito que conquistamos pela diferença que podemos fazer.

 


 

Uma frase: ” No fim ela se foi com outro”.

Uma cena:  A festa na sala de aula

Uma curiosidade: O diretor participou de aulas e conselhos de classe em algumas escolas, como mobília, observando a relação de uma mesma turma com vários professores.

 


O Melhor Professor da Minha Vida (Les Grands Esprits) 

Direção: Olivier Ayache-Vidal
Roteiro: Olivier Ayache-Vidal
Elenco:   Denis PodalydèsAbdoulaye DialloMarie-Julie Baup
Gênero: Comédia, Drama
Ano: 2017
Duração: 106 minutos.

 

 


Trailer:


 

Uma alma com boas intenções que está metendo dança. Dizem.

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