Crítica | War Machine

Os artigos da revista Rolling Stone tem um estilo o qual o jornalista descreve com detalhes a entrevista com determinado artista, dessa forma o leitor sente como se estivesse presente durante a conversa. Assim, o repórter escreve sobre como a pessoa estava vestida, onde aconteceu o bate-papo, entre outros. Isso tem pontos positivos e negativos. É bom se sentir mais próximo do entrevistado, mas ao mesmo tempo o texto fica prolixo e extenso sem necessidade. Toda essa introdução foi para poder fazer uma comparação entre o filme “War Machine” e as publicações dessa revista.

O longa lembra em muito as reportagens da própria Rolling Stone, sendo que o narrador da história é justamente um repórter da revista que está escrevendo uma matéria sobre o general Glenn McMahon. Aqui o personagem, interpretado por Brad Pitt, é o homem do governo Obama responsável pela invasão ao Afeganistão. De forma geral, a idéia de tentar mostrar um pouco do dia a dia dos “personagens” de forma detalhada é para que o espectador (ou leitor) se sintam próximos deles. O tom da narrativa segue por um caminho sério, no entanto também apresenta ironia e humor, mas sem nunca se assumir como crítica ou comédia de verdade.

Os primeiros minutos do filme, por exemplo, apresentam todos os personagens principais e suas dinâmicas, só que é muita informação para ser absorvida em tão pouco tempo. Seria melhor que eles fossem apresentados aos poucos com suas respectivas funções dentro da história. Somente na metade do longa, aproximadamente, o papel de cada um começa a fazer sentido.
War Machine” tem um objetivo interessante de mostrar como a invasão dos EUA a países como o Afeganistão tem servido mais para criar novos inimigos do que realmente ajudar a combater o terrorismo e aumentar a segurança do país. Os próprios soldados não sabem exatamente o que fazer dentro do “conflito” por um simples motivo: como identificar quem é o inimigo? Não existe diferença entre o cidadão comum e o “terrorista”, ambos usam roupas de civis. Se o normal dentro de uma guerra é matar e destruir o oponente, nesse tipo de confronto o ideal é ter o mínimo possível de mortes. À cada pessoa executada por engano o número de pessoas que se vira contra os americanos aumenta, já que cada uma delas tem família ou amigos que irão ficar com raiva do acontecido.

A única cena da guerra na prática mostra bem os absurdos do conflito. Vários soldados perdidos sem saber para onde atirar enquanto pessoas comuns estão no meio da rua. E quando os soldados americanos conseguem “vencer” o confronto, tudo que os cidadãos pedem é que eles vão embora porque na visão deles o exército está apenas piorando a situação.

Infelizmente, o filme de David Michôd apesar de ser bem intencionado peca por tentar ser didático demais, principalmente graças à narração em off que o torna muito burocrático. Ao focar mais nos personagens, principalmente Glenn, deixando a guerra em segundo plano, “War Machine” fica perdido assim como os soldados sem saber em quem atirar.
Apesar das falhas, o talento do elenco faz com que o filme funcione, principalmente graças ao carisma de Pitt, ainda que o ator exagere em alguns momentos na caricatura do personagem. O longa aborda temas interessantes mas não consegue criar uma reflexão totalmente satisfatória sobre o assunto. Assim como a reportagem da Rolling Stone que inspirou a trama, “War Machine” tem a intenção de querer mudar o mundo ao apresentar os absurdos da política americana de invasão a países, mas consegue apenas ser um entretenimento de pouco mais de 2 horas sem conseguir ser levado a sério por completo.


Uma frase: – Glen McMahon: “Eu não vim para gerenciar esta guerra e certamente não vim para terminá-la. Vim aqui para vencer.”

Uma cena: Quando uma política alemã questiona o general Glen McMahon durante uma palestra na qual o militar está solicitando apoio militar para enviar mais tropas para o Afeganistão.

Uma curiosidade: A história de “War Machine” é vagamente baseada na história real do General Stanley McChrystal, e o artigo “Runaway General” escrito por Michael Hastings sobre ele na Rolling Stone, que levou à demissão de McChrystal.


War Machine

Direção: David Michôd
Roteiro: David Michôd
Elenco: Brad Pitt, Anthony Michael Hall, Topher Grace, Will Poulter, Tilda Swinton e Ben Kingsley
Gênero: Comédia, Drama, Guerra
Ano: 2017
Duração: 122 minutos

Analista de sistemas nascido em Salvador (BA) em 1980, mas atualmente morando em Brasília (DF). Cinema é sem dúvidas o meu hobby favorito. Assisto a filmes desde pequeno influenciado principalmente por meus pais e meu avô materno. Em seguida vem a música, principalmente rock e pop.

One thought on “Crítica | War Machine

  1. Não amigo… o “filme” não funciona.. que desperdício já que Brad Pitt tem talento para comédia ( vide B. Inglórios)

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