Crítica | Inseparáveis (Inseparables)

Inseparáveis” é uma adaptação argentina do longa francês “Intocáveis” de 2011. O filme é competente, a dupla de protagonistas é muito boa e tem uma ótima química entre si, mas será que era necessária essa refilmagem? Quando um remake é feito nos EUA é “compreensível” pelo fato do público de lá não gostar de filmes em outras línguas que necessitem ler legendas. Será que esse é o caso do público argentino? Provavelmente não.

A principal diferença entre os filmes é a escolha do elenco. No longa francês a dupla de protagonistas é formada por um homem negro (Omar Sy) e um idoso branco (François Cluzet). Na versão argentina o negro foi substituído por um branco. Em “Intocáveis” o fato do personagem do cuidador ser negro acrescentava à trama um impacto maior no choque cultural entre os protagonistas, além de discutir um pouco sobre a questão do preconceito racial. A decisão do diretor Marcos Carnevale em escolher Rodrigo de La Serna para o papel de Tito (o francês era Driss) talvez tenha sido com o objetivo de aproximar o seu filme mais à realidade dos argentinos e também se diferenciar um pouco da versão francesa. Além disso, também fica mais próximo dos personagens reais que são ambos brancos.

A dupla argentina Oscar Martínez e Rodrigo de La Serna faz um ótimo trabalho. Ambos os atores são muito bons e eles demonstram uma química muito boa entre si. A dupla francesa é melhor, mas os argentinos não ficam muito atrás. Entretanto o ator Omar Sy, no filme original, demonstra uma naturalidade maior para o papel. Rodrigo constrói o personagem Tito como alguém que parece mais um comediante profissional do que alguém naturalmente ingênuo e espontâneo, mas sua atuação é muito boa e ele – assim como Omar – rouba o filme sempre que está em cena.

Na história, Felipe (Oscar Martínez) é um homem de negócios rico que se tornou tetraplégico devido a um acidente e agora necessita de cuidados específicos. Ele está procurando um assistente terapêutico, mas está cansado da “compaixão” de profissionais desse tipo. O homem se surpreende com a espontaneidade de Tito, que estava trabalhando como jardineiro em sua casa e vai reclamar que está sendo maltratado por outro funcionário. Felipe faz então a proposta para que Tito trabalhe para ele apostando que o rapaz não aguentaria duas semanas na função. Desafio aceito, começa uma jornada de conhecimento entre os dois e surge uma ótima relação de amizade improvável entre eles.

Assim como no filme francês, a versão argentina segue a mesma linha em abordar o tema de forma bem humorada. O tema poderia facilmente cair em um melodrama, mas o tom de comédia da relação inusitada entre os personagens transforma a história em algo leve e divertido. O relacionamento entre os dois é muito bem construído pelo roteiro, escrito pelo diretor Marcos Carnevale. Mas a trama sofre com alguns problemas em sua narrativa ao apresentar elementos a história que não são bem explorados e ficam perdidos no longa. O principal exemplo disso é a filha de Felipe que aparece em alguns momentos, mas sua presença parece gratuita já que a relação de pai e filha é apresentada de forma superficial sem acrescentar muito à personalidade dele.

Mesmo apresentado qualidade, “Inseparáveis” não apresenta uma boa justificativa para a sua realização já que em nada acrescenta à versão francesa, ainda mais que o filme francês é muito recente, uma vez que foi lançado em 2011. Felizmente, o diretor Marcos Carnevale realizou um longa de qualidade que não fica muito abaixo de “Intocáveis”.


Uma frase: – Felipe: “Eu preciso de um ajudante. Aposto o que quiser que não passa de duas semanas.”

Uma cena: Tito dançando no aniversário de Felipe.

Uma curiosidade: Em sua semana de estréia na Argentina arrecadou $787,617 dólares ($4,284,071 pesos argentinos). No total foi vista por 347.653 espectadores.

 


Inseparáveis (Inseparables)

Direção: Marcos Carnevale
Roteiro: Marcos Carnevale, adaptado do filme Intocáveis de Olivier Nakache e Eric Toledano

Elenco: Oscar Martínez, Rodrigo de La Serna, Carla Peterson, Alejandra Flechner, Rita Pauls, Malena Sánchez, Monica Raiola, Joaquín Flammini, Flavia Palmiero e Franco Masini
Gênero: Comédia, Drama
Ano: 2016
Duração: 108 minutos

Analista de sistemas nascido em Salvador (BA) em 1980, mas atualmente morando em Brasília (DF). Cinema é sem dúvidas o meu hobby favorito. Assisto a filmes desde pequeno influenciado principalmente por meus pais e meu avô materno. Em seguida vem a música, principalmente rock e pop.

One thought on “Crítica | Inseparáveis (Inseparables)

  1. Sinceramente,
    não vejo necessidade de se fazer um remake de “Intocáveis”. E muito me
    surpreende, aliás, que o cinema argentino tenha entrado nessa onda de
    remakes… Já não basta Hollywood insistindo em ideias, às vezes,
    desnecessárias?

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